Sabe aquele ditado que diz que a felicidade está nas pequenas coisas? Então, pra mim ele procede perfeitamente. A felicidade da minha vida nesse momento pode ser representada por esse pezinho aí na foto. É da Sofia. E foi clicado no domingo retrasado, quando a levei para Santos, e al´m de ter ficado encatada com o bacana aquário público que há naquela cidade, a gente fez outras mil coisas, inclusive passear dentro uma loja do Mc Donalds, ali pertinho do Canal 6. Na verdade, o tour pela lanchonete nem é tão divertido, mas pra ela foi das coisas mais felizes da vida. E sem ter comido nada. Só tomou um suquinho. Mas é que ela é assim. A felicidade para a Sófi está em detalhes como esses, ainda que sem graça para os adultos.
A gente também brincou de rolar na grama, correr em volta da fonte, passear pelo calçadão com ela montada no meu pescoço. Foi uma farra. E a cada sorriso da baixinha eu tinha certeza que ela estava passando por momentos inesquecíveis.
O clima não estava dos melhor, mas a gente molhou os pés na beiradinha e nessa hora ela pirou! Como não rolou o mergulho, foi agendada mais uma visita ao litoral para o final de semana seguinte, também conhecido como domingo passado.
Tudo ia muito bem. O sol estava fritando e´o cheiro da Sofia besuntada de protetor solar e a imagem dela com seu biquininho já me faziam sentir como estive na praia. Mais aí a bosta do o trânsito ABSURDO no dia do meio do feriado não permitiu que chegássemos à praia. O mergulho foi adiado de novo e acho que no próximo fim de semana o bate-volta vai dar certo. De qualquer jeito, acabamos indo parar no Jardim Botânico e ela tocou o horror nas borboletas, insetos e no paizão aqui - tá pesadinha pra fazer caminhadas no cangote do pai... Mas só esses detalhes já a deixaram super-hiper-mega-blaster feliz.
É bem legal isso. Pelo taminho dela, qualquer mínimo detalhe faz a felidade. Eu já tinho sido assim quando tinha a idade dela. Pelo menos é provável. E depois comecei a crescer e ficar mais exigente quanto ao 'tamanho' do que me faz feliz.
Com a Sofia tenho aprendido a ser novamente como era.Um detalhe pequeno já me faz feliz, ainda mais se for um pezinho gorducho e branquinho, com pouco mais de 10cm, caminhando
ao meu lado na beira-mar. É só do que eu preciso...
Tá, eu confesso que dei mole. Mas ser pego de surpresa foi ainda mais perturbador, no bom sentido da palavra, se é que me entendem.
Sabe aquele excesso de informação que te bombardeia frenéticamente e você se ilude achando que está informado mas não tá ligado na parada que importa? Então, assim aconteceu com o Distrito 9.
Eu tava de boa na estação do metrô Praça da Árvore, ali na plataforma mesmo, esperando o cata-loko das 22 e tantas, de notebook nas costas, com as pernas cansadas depois de uma dia exausto, ouvindo um som nos fones - a quem interessar possa, era MUSE, Origin of Symmetry - e de repente vi um cartaz bizarro com um monstro estilo Cloverfield 'enquadrado' naquele círculo vermelho (que bizarro isso de enquadrar no círculo, mas vamo em frente) com uma faixa na diagonal e a singela frase: "Areá imprópria para não-humanos" numa tradução mais do que livre.
Quando me dei conta do cartaz, ali separando o trem que vinha do trem que ia, já era tarde: o trem chegou e tapou minha visão... Ainda tentei olhar de esgueio, mas nem rolou. Era tipo esse ó:
passagem tempo - mais de uma semana depois...
O brother Waltão - esse aqui ó: madmonsterland - me chama na madrugada no MSN e solta: "Assisti a um filme que você vai pirar, é sensacional, se chama distrito 9" e sapecou o link do trailer.
De testa, reconheci o cartaz, senti um arrepio e achei genial a ideia do roteiro. Fiquei a fim de ver e isso aconteceu no último final de semana.
Cara, se você está em dúvida sobre o que ver no cinema eu te digo: sei que os olhos do Brad Pitt podem ter pra você o seu valor e o meu comentário pode ser inglório - ainda não vi o Taranta... - mas veja o Distrito 9. Vale muito a pena.
E prepara-se para descobrir no ser humano - em você inclusive - sentimentos bizarro. Como eu disse, a ideia de criar uma favela povoada por alienígenas e mostrar os humanos humilhando e lucrando com essas criaturas é genial. Fazer a coisa se passar na África do Sul foi só a cereja do bolo e negar a alusão ao Aparthaid foi, digamos, uma maneira fácil de encerrar polêmicas, mas o filme é sensacional.
Você brancos tratando aliens como os brancos trataram os negros. E depois vê negros tratando os aliens como eram tratado por brancos. Finalmente você aliens tratando aliens como homens tratam homens e sente uma coisa que nem sabia ser possível sentir.
Aí no meio da trama surge uma possibilidade de os alienígenas irem pra casa e você se descobre torcendo por eles, contra os humanos. E pensa que isso se deve ao fato de os humanos envolvidos na trama serem escrotos. Mas aos poucos você vai percebendo que na verdade é também um escroto. E torce pelos alienígenas simplesmente pelo fato de que quer vê-los longe de você. Mesmo que eles não tenham feito nada, ainda... É nojento. E eu recomendo...
Foi assim, ela já chegou na minha vida se abrindo toda. Disse que "de todo o amor que eu tenho, metade foi tu que me deu".
Eu adorei logo de cara, mas aí ela apelou. E usou o francês. Quem resiste a um francês muito do bem pronunciado? Já me disseram que é a língua do amor... "Moi je t'offrirai, des perles de pluie, venues de pays. Où il ne pleut pas, Je creuserai la terre Jusqu'après ma mort. Pour couvrir ton corps d'or et de lumière Je ferai un domaine. Où l'amour sera roi"
Aí eu pirei e me rendi aos encantos da moça. E estou apaixonado. Com todo o respeito, é claro.
Ela é Maria Gadu, a paulistana que você nos vídeos aí embaixo e que me foi apresentada há coisa de dois meses pelo brother Sincler, o arquiteto mais arquiteto que conheço.
Bom, aí fui ouvir a moça e achei sensacional. A voz, a harmonia, o ritmo, a delicadeza... Tudo. Tá bom, não gostei muito do corte de cabelo dela, mas nem tudo é perfeito...
Uma vez um amigo viu no meio das minhas anotações de cifras de música um rascunho de letra da Kelly Key e ficou indignado: "Pô, cara, as músicas são legais, mais Kelly Key é foda, hein?"
Era tempo de voz e violão e gostava de fazer uma versão 'banquinho' para o hit da loirinha-carioca-delícia, mas Maria Gadu fez perfeito.
Veja o terceiro vídeo e me diga se estou enganado. Aqui aparecem três faixas que não são autorais da moça, mas o CD está cheio de composições. E boas composições, devo dizer. Eu recomendo!
São duas constantes observações do brother Hamilton. Ele considera que tenho uma memória prodigiosa por lembrar, com detalhes, de coisas muito antigas pelas quais passei. Dois ou três posts abaixo ele comenta exatamente isso. E eu, brincando, respondi que queria me LEMBRAR de coisas mais importantes, como os números que SERÃO sorteados na próxima mega-sena. É, a piada é infame, eu sei. Mas meu estranho humor vê graça nela.
Então, na quarta-feira eu precisava passar numa farmácia e desci do ônibus nas imediações da República. É um caminho que faço de vez em nunca e que passa em frente uma banca de jornais que não vende jornais, mas livros. Muitos livros usados.
A memória, segundo o brother prodigiosa, não me permitiu lembrar da última vez que tinha passado por ali. Entretanto, assim que botei os olhos num livro chamado "Picasso" lembrei-me imediatamente de tê-lo visto ali por muitas e muitas vezes, exatamente naquela posição na banca, tomando sol, chuva. É esse aqui ó:
Vieram à mente recordações de um emprego no qual permaneci por uns quatro ou cinco anos, num bairro distante. É que justamente nessa época eu passava todo dia em frente à banca e nosso amigo pintor me olhava com o enigmático olhar meio escondido. Mas o ser humano vai ficando mais velho e o valor do capital lhe corrompe as entranhas - poético ou piegas? - as lembranças suscitadas pela simples visão do livro foram substituídas imediatamente por questões mercadológicas. Comecei a pensar em por que aquele livro está ali por tantos anos e nunca é comprado. Enquanto me encaminhava para as escadas do metrô concluí que podia ser pela escolha da foto. "Picasso sempre passou um ideia de homem 'forte' e até arrogante, e nessa foto, meio querendo se esconder atrás da gola e entre o chapéu, ele parece bastante frágil. Acho que pode ser uma explicação para o fracasso na venda", pensei, antes de pegar o trem, sacar da mochila o livro que estou lendo e seguir para o trabalho. Já na redação, abri o email, o twitter, o outlook e fui dar uma sapiada nas notícias do dia. Eis que me deparo com uma triste nota na Folha de São Paulo, que dizia "Fotógrafo Irving Penn morre aos 92 anos". Logo abaixo de um texto explicando a causa da morte estava uma montagem com quatro famosas imagens capturadas pelo falecido. Repare na imagem do quarto quadrante e diz aí se não é sinistro...
Não foi exatamente uma lembrança do futuro, mas começo a me policiar e espero que se um dia me lembrar inútil e estupidamente de seis números quaisquer eu tenha tempo de passar numa casa lotérica. Nunca se sabe, né?
Em tempo: os outros três personagens clicados pelo conceituado fotógrafo são Truman Capote, S.J. Perelman e a Gisele Bündchen.
Hoje tem festa à fantasia, comemoração dos aniversários da Tarsila e da Francine, que aliás, é no mesmo dia do meu, então vou comemorar na 'casquinha'.
A festa já é quase tradicional, acho que é a quinta vez que vai acontecer, sendo cada edição com um tema específico, com open bar e muita farra.
Nesse ano, o tema é "Qual é a música" e mesmo faltando poucas horas para o evento, ainda não sei do que eu vou.
Pensei em ir de Paul Stanley, do Kiss, mas essa porra branca em todo o rosto deve coçar horrores, sem falar que a estrela preta é bem perto do olho e deve ser um saco tirar essa merda no dia seguinte...
Vou acabar metendo boné e corrente grossa no pescoço, pra aparecer de rapper americano... a música é ruim, mas o 'disfarce' combina mais com a vida real.
Quando criança, eu costumava passar alguns finais de semana na casa de uns primos, na Cidade Tiradentes, aqui em São Paulo. Éramos todos pré-adolescêntes e me lembro bem de brincar de "beijo, abraço, aperto de mão" com as menininhas lá. Quem comandava a brincadeira era uma vizinha adulta, crente - como dizíamos na época, a respeito dos evangélicos -, que cuidava para que a coisa não passasse de selinhos e apertos leves.
Entre uma escolha e outra, ela aproveitava pra dar aquela 'doutrinada' básica na molecada e eu até gostava. A mulher sabia as passagens bíblicas de cor e salteado e aquelas histórias me impressionavam. David contra Golias, por exemplo, foi por ela que tomei contato e fiquei fascinado com a possiblidade de uma sujeito enfrentar um gigante com uma 'funda', mesmo que somente anos depois fui saber exatamente o que era esse instrumento.
Bom, tudo isso pra falar advinha do quê? Hahaha... De música, é óbvio! Numa daquelas noitadas o radinho de pilha que nos acompanhava na brincadeira começou a tocar uma música bem 'estranha' - o termo aqui tem conotação muuutio positiva.
A introdução era com um piano, fazendo um acorde 'dedilhado', que antecedia a entrada da cantora, com um voz muito, muito aguda, no estílo de música lírica... Era Kate Bush e sua "Wuthering Heights"
Fiquei paralisado ouvindo aquela melodia. Eis que então a amiga 'crente' saca de seu baú de histórias de inféis e pecadores um comentário sobre a música:
"ó, você não ouça essa música não, porque essa mulher fez pacto com o tinhoso, viu? Ela vendeu a alma em troca do sucesso e você pode ouvir aí, ó, ela falando em 'máster' e 'possessed you', é coisa ruim... Tá falando do demônio"
Alguma menina na brincadeira escolheu o cabra aqui para um abraço, aperto de mão ou um beijo - pensando bem, prefiro lembrar que foi para um beijo - e acabei deixando a música de lado.
Anos depois, já devidamente arrebatado pela deusa música, me deparei com a canção. Comecei a 'ir atrás' de Kate Bush e descobri que a cantora foi amiga de escola de David Gilmour, guitarrista do Pink Floyd, e por influência e prestígio do amigo junto à gravadora, Kate lançou em 1978 seu disco de estreia, com a famigerada música.
O título é o mesmo nome de um livro, clássico da literatura inglesa, que no Brasil foi traduzido como "O morro dos ventos uivantes". A letra é inspirada no romance, que é o único escrito por Emily Brontë - a trema não caiu, nesse caso! - fiquei imediatamente interessado na obra, mas assim como me desencorajaram lá atrás de ouvir a música, dessa vez foi a respeito do livro que ouvi críticas. Aliás, o tempo e a falta de memória - importância? - tornaram anônimas na minha mente: "É um romance de fresco, história pra mulher, sobre amores impossíveis, no melhor estilo das coleções 'Julia' e 'Sabrina'."
Bastou para eu não querer ler!
Bom, nada como o tempo passando e eis que mais de 15 anos depois eu encontro uma coletânea do Hollywood - aquela mesma de uns posts atrás - e nela, acho que pra completar o CD, porque a música nunca foi do comercial, enfiaram a boa e velha Kate Bush e sua canção.
Há duas semanas, deu-se o fato. No ônibus, às 7h30, ouvi "Wuthering Heigths" no MP3 player e cheguei a pensar: "Qualquer hora, vou ler esse livro". Duas horas depois, a professora fala sobre Rei Arthur e seus comparsas da Távola Redonda, sugerindo um título - "A demanda do Santo Graal", a quem interessar possa - para os alunos que queiram conhecer melhor a lenda e suas variantes. Eis que vou à biblioteca buscar o exemplar e, na prateleira acima da que continha o livro sobre Arthur, estava "O morro dos ventos uivantes". Parecia, inclusive, me esperar.
Foi incrível. A vizinha evangélica dos meus primos diria mesmo que foi coisa de bruxaria!
Peguei os dois. Dei uma lida 'expressa' na "Demanda do Santo Graal" e passei a me dedicadar nas últimas duas semanas à leitura de Emily Brontë. A história da mimada Catherine, seu amor de infância Heatcliff e tudo que rodeou a triste propridade "Wuthering Heigths" é bem bacana! Muito mesmo. Ainda não acabei, mas já entendi porque Kate Bush escolheu o romance para se inspirar e fiquei um tanto chateado por dado ouvido à crítica lá atrás... Malditos críticos...
A tradução de Raquel de Queiroz é coisa fina e enquanto não termino a leitura, vou ouvindo a versão musicada da obra. Se quiser, clica aí embaixo e vai ouvindo também... Nem preciso dizer que recomendo a leitura, né?
Foi assim meio rápido. O ponteiro do relógio marcou 0h01 e fui felicitado por minha mulher pelos 33 anos de idade. Bem legal. Gosto dos números repetidos assim.
Depois dos 20 e poucos eu estava achando que os anos passavam rápido, mas confesso que depois dos parabéns no sofá, enquanto assisitiamos a... Deixa pra lá, a TV cada vez pior... Bom, eu parei pra pensar e notei que entre os 32 e os 33 aconteceu muuuita coisa e portanto foi um ano longo. Não tive de tempo de contar no calendário, mas até fico na dúvida se não foram mais de 365.
Bom, a mulher fez um bolinho, pais, sogros e amigos passaram lá e estava feita a festa. O mais legal é que onde há uma criança, como a Sofia - ou duas, contando a Duda - a festa passa a ser delas, né? Isso não é ciúme, é uma constatação. As pessoas iam lá me cumprimentar e, depois do parabéns, tchau. Quero falar é com sua filha e sua sobrinha... Engraçado. Até o bolo, no qual a Fábi jurou de pé junto ter usado corante vermelho, ficou rosa. Acho que ela fez pensando na Sófi, embora esteja negando. Hahahah....
Mas é isso que é ser pai. Você divide tudo com sua filha. Tudo mesmo. E por que não faria isso com um bolo de aniversário? Crianças têm verdadeira atração por bolo de aniversário, né?
No final, recebi muito carinho dos amigos e parentes, alguns presentes e constatei que fazer os tais 33 foi muuuuuito legal, em boa parte, por causa da Sófi! Ela não foi o presente desse aniversário, mas é o melhor que já ganhei em toda a vida. E como disse a mulher: "É o melhor da vida e para toda a vida"
"Tinta e tês!" foi a frase com a qual fui dormir, cheio de orgulho, no dia do meu aniversário.