segunda-feira, setembro 15, 2008

The great gig in the sky


Há muito tempo sou um dos que esperam a vinda do Pink Floyd para o Brasil. A história já virou até lenda. Ano após ano surge um boato de que o grupo inglês virá finalmente ao nosso País para um show aguardado por mais 30 anos!
O grupo se separou em 1980 e desde então os fãs brasileiros sonham com uma reunião e uma aparição deles por aqui.
Em 1988, quando a banda - sem o baixista Roger Waters - se reuniu para a turnê "Delicate Sound of Thunder" uma esperança surgiu, mas logo foi apagada. E assim se passaram quase 20 anos e nada de o Floyd se apresentar no Brasil.

Roger Waters esteve aqui com seu 'In the Flesh', aliás, um dos melhores shows que já vi na vida - e olha que não vi poucos shows, hein... Mas ainda assim não era o Floyd. Não era o baterista Nick Mason, concentrado e reto. E nem o charmoso e temperamental tecladista Richard Wright. Muito menos o grande guitarrista David Gilmour empunhando sua linda Fender Stratocaster vermelha com escudo branco. Não era.

Em 2005, praticamente uma gig, como se diz no jargão de músicos, ou seja, uma reunião de músicos sem compromisso, agrupou os caras, com Roger Waters e tudo, para o projeto Live 8.
Apesar da cara visivelmente desconfortável de David Gilmour em dividir o palco com Waters, os comentários começaram a aflorar: o Floyd vai voltar com a formação original! Fogo de palha, que passou, mas ainda deixou os fãs com uma esperança.

Na tarde dessa segunda-feira, quando informei o amigo Sandro - o maior fã de Floyd que conheço! - da morte do tecladista Richard Wright, ele foi categórico, mas ainda assim, com a esperança de um fã: "Que pena! O sonho agora está mais distante."

É assim. Nem a morte de um membro fundador afasta dos fãs a esperança de uma visita do Floyd ao Brasil... Me lembro bem de uma aula de filosofia lá no colégio sobre o conceiro de Morte. Não chegamos a nenhuma conclusão plausível, mas eu aprendi, naquele dia, o significado da palavra inexorável. Quem sabe um show do Floyd por aqui também não seja, digamos, inevitável?

Bom que fosse. Por enquanto, fiquemos com a sensacional "The Great Gig in the Sky", do maravilhoso disco "Dark Side of the Moon". A música é bastante apropriada como homenagem ao tecladista que morreu hoje, aos 65 anos. Além de Richard Wright ser praticamente o solista da música, com seus pianos e teclados, foi exatamente assim que eu o imaginei quando li sobre sua morte: numa grande gig lá no céu...


quinta-feira, setembro 11, 2008

Meninos, eu vi!



Sempre penso nas pessoas que eram jovens ou adultos em épocas de grandes acontecimentos históricos. Deve ter sido sensacional presenciar eventos importantes do século XX, por exemplo. A revolução Russa, o advento do cinema e depois da televisão. Descobertas incríveis da humanidade que mudaram a história pra sempre. Nessas reflexões concluo que raras vezes os observadores da história "em movimento" se dão conta da grandiosidade do fato observado – salvo, claro, aqueles diretamente envolvidos em cada questão.
Bom, sendo de uma geração nascida em meados dos 70, eu tenho poucas lembranças de ter visto nascer coisas REALMENTE importantes para a humanidade. Já falei aqui da espécie de anacronismo que sinto quando considero as coisas que gosto e a época em que nasci. Adoraria, por exemplo, ter sido adulto na década de 80... Tanta coisa legal – o cubo mágico e o hard rock americano, só pra ficar nos mais evidentes – e eu era muito garoto pra curti-las...
Essa sensação de não ver nascer coisas importantes para o mundo tem um pouco a ver com isso.
Mas me orgulho, por exemplo, de ter visto a Internet nascer. Eu faço parte praticamente da primeira geração de usuários – e pude acompanhar o brutal crescimento dessa mídia. Outra coisa legal que vi foi o advento do celular. Sensacional! Mudou mesmo a vida da humanidade. Como disse, não vi a chegada da TV, mas nem ligo. Prefiro a TV de agora, então não penso que tenha perdido muita coisa...
A chegada do homem à Lua sim. Essa eu queria ter visto ao vivo. Deve ter sido mesmo incrível - principalmente para aqueles astronautas, hein? Também presenciei o 11 de setembro, que pensei mesmo ter sido, apesar de trágico, um fato daqueles que mudam a história pra sempre, entretanto, hoje, 11 de setembro, a humanidade parece preferir esquecer esse dia. Nem o New York Times fez referência à data. Olha a capa de hoje: http://www.nytimes.com/indexes/2008/09/11/pageone/scan/index.html

Talvez não seja mesmo uma boa idéia ficar mexendo em feridas, ainda mais essas não totalmente cicatrizadas, como sabemos.

Mas esse não é um post sobre relações internacionais e sim sobre as descobertas e eventos da humanidade que realmente fizeram diferença na história.
E ontem foi o dia de colocar pra funcionar o LHC, o grandioso acelerador de partículas construído entre a França e a Suíça, que deve provocar colisões entre partículas em deslocamento à velocidade da luz e estudar as energias liberadas nessas “trombadas”.
Sou impressionado com a magnitude do projeto: um túnel circular com quase 30 quilômetros e que levou mais de 20 anos pra ser construído. E me excitam os possíveis resultados. A idéia é observar os primeiros “momentos” – microssegundos – após essas colisões, estudar o que pode ser uma simulação do “big bang”, pra descobrir como o universo se comportou nos seus primeiros passos de existência... A busca é pelo chamado Bóson de Higgs, uma partícula inédita e hipotética, de importância inversamente proporcional a isso: ela será a prova do modelo da Física atual. Olha a definição para mortais como nós: http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%B3son_de_higgs

Desde a primeira vez que li sobre o LHC pensei duas coisas: a primeira é que queria ver isso de perto. Não deu, né? Mas olha o filminho que eu achei mostrando como foram os testes...


A segunda constatação foi que esse LHC poderia abrir um buraco negro que engoliria a própria Terra. Mas aí achei que eu estava mesmo sendo alarmista e paranóico. Ontem, entretanto, fiquei sabendo que esse medo não era uma exclusividade minha. Olha o texto publicado na Folha On Line: www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u443261.shtml

Bom, é isso. O LHC funcionou, partículas colidiram, o bóson de Higgs não pintou, e também não se criou nenhum buraco negro. Mas é assim. No futuro saberemos da importância dessa máquina. O importante é o seguinte: a busca por nossa origem deu ontem um passo gigantesco e eu (e você também) presenciei esse fato.

(Des) agosto se foi...

Finalmente estou de volta a esse espaço do qual me afastei devido às turbulências típicas de agosto. “Mês de cobranças e pagamentos de dívidas” me disse um colega. E ele manja disso... Bom, o importante é que depois da tormenta vem a calmaria. Sempre. E setembro chegou bem... Tirando as variações de temperatura dessa São Paulo, que entre 32 °C durante o dia e 15° à noite praticamente pasteuriza o sangue da gente, tá tudo bem!
É isso. Não é o que diz a canção? “Quando entrar setembro/E a boa nova andar nos campos/Quero ver brotar o perdão...” Ouça aí!

segunda-feira, agosto 18, 2008

Adeus, Caymmi


Nunca estive na Bahia. Pra falar bem a verdade, do Nordeste inteiro, conheço Sergipe, onde estive quando tinha menos de dois anos de idade, e Pernambuco, onde fui a trabalho num rapidíssimo par de dias. Em breve, vou pra Fortaleza, no Ceará, também pra trabalhar.

Mas ainda não conheço a Bahia! E tive saudade da Bahia. Sim! Em todas as vezes que toquei (tentei tocar, é melhor, né?) “Saudade da Bahia”, de Dorival Caymmi, senti mesmo uma pontada de emoção, uma vontade de conhecer o que tanto tinha encantado o compositor.


“Ai, esta saudade dentro do meu peito
Ai, se ter saudade é ter algum defeito
Eu pelo menos, mereço o direito
De ter alguém com quem eu possa me confessar”]

Bonito, né? E esse ó:

“Vejam que situação
E vejam como sofre um pobre coração
Pobre de quem acretida
Na glória e no dinheiro para ser feliz”

Já nem tem nada a ver com a Bahia, mas é uma verdade inspiradora... Pois é. Caymmi se foi. Aos 94 anos resolveu descansar de vez, não mais à moda baiana, na rede... Nossa, deu saudade da Bahia...

Gosto mesmo dessa música. E de outra meia-dúzia por ele composta. Lembro-me de aos 13 anos, numa viagem à praia com um amigo da escola, o Pantcho, de dizer a ele, enquanto estávamos lá no fundo onde nem dava pé, que aquilo me lembrava Dorival Caymmi. Ele perguntou qual a música...


“É doce morrer no mar” cantarolei. E ele respondeu, saindo de braçada para o raso, “Sai fora, Heverton!”


Não era morbidez... Era a imagem fotográfica que o vozeirão grave de Caymmi estampara na minha mente com sua canção. E com seu violão particular. Acordes dissonates que soavam com não fossem... O baiano conhecia do assunto


Também nunca gostei de maquiagem em excesso. No começo dos anos 80, tinha uns cinco anos de idade e morava num quintal no qual havia cinco casas. Numa delas moravam vizinhas - baianas, eu bem me lembro - que apesar de atributos que atraiam vários namorados - eu também me lembro bem - adoravam se empetecar em demasia. Eu achava estranho. Bem estranho. Ficava assustado. E associei pra sempre maquilagem gritante a essas vizinhas.


“Não pinte esse rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina, você já é bonita
Com o que deus lhe deu”

E quando ouvi Caymmi os versos acima, entendi perfeitamente o que ele sentia. Anexei aos "Favoritos". Aprendi a tocá-la no violão e sempre que estou brincando de MPB passo pela "Marina" com entusiasmo.

No final, peguei um gosto especial pela canção, quase certo pelo trecho:


“Eu já desculpei muita coisa
Você não arranjava outra igual
Desculpe, marina, morena
Mas eu tô de mal”


O ‘de mal’ do final é tão nordestino, que me lembrava mesmo minha infância, com minhas vizinhas maquiadas e meus tios e tias recém-chegados de lá. ‘Nossa, essa frase é bem baiana’, pensei logo que ouvi.


E sempre que posso paro pra dar uma ouvidinha nos versos de Caymmi. Quando soube de sua morte imediatamente pensei na Marina e em seguida tive saudade da Bahia!

sexta-feira, agosto 15, 2008

Solos e solos

Se você abriu o blog agora, no final de semana, vai dar de cara com esse vídeo aqui do Paralamas.
Bom, ele está aqui simplesmente porque estou ouvindo no carro o CD Vamo batê lata - bom pra caralho - e me lembrei de quanto gosto do solo de "Lanterna dos afogados". É um dos mais bonitos que já ouvi na vida e sem dúvida um dos melhores da guitarra nacional!

Curta o Paralamas e se não quiser ouvir a música inteira, deixe carregar e pule para o frame 3:20, é quando começa o referido solo... E a Paula Toller chegou a dizer que os solos de guitarra do cara não iam conquistá-la, hein?

Falando em solos de guitarra, você também vai reparar que logo abaixo aparece o mestre Satriani com sua mais famosa música, "Always with you, always with me". Outra aula sobre a arte e o prazer de tocar esse instrumento que, já deu pra perceber, eu tanto gosto!

Mas não é muita coisa dois posts com solo de guitarra seguidos? Também acho! Mas se você leu o post sobre o problema com as cores no blog e viu que o azul berrante sumiu definitivamente, entendeu que o tal servidor do Blog resolveu se acertar comigo, né?

Pois é. Ele também resolveu botar no ar esse post do Satch, que foi feito há semanas e por algum motivo que só o nosso amigo servidor conhece não entrou no ar.

As cores estão certas agora. Adoro o Satriani e o Paralamas do Sucesso. Então, posso dizer que realmente não tenho do que reclamar! Divirta-se...



Joe Satriani - Always With Me, Always With You (Live)

Lado negro da força


Os poucos freqüentadores assíduos desse blog já devem ter notado a salada de cores que a página de abertura virou... Por um problema técnico, as lista de posts anteriores e de blogs vizinhos aparecem em letra 'azulejantemente' gritante! Um horror, eu sei! E já tentei de tudo. HTML – conheço bem pouco, mas a ferramenta é bem pra chimpanzé mesmo – mudança de tipo de Esquema do blog... Tudo que se possa imaginar. Na verdade, consegui melhorias. Quem clica em qualquer post antigo vê as novas cores, (bem) mais amenas e tals... Mas na maldita página principal, só o azul berrante – passa perto de exuberante, mas não é. Nem um pouco...
A solução teria de ser mesmo radical. Um blog com fundo branco ou cinza agrediria muito menos a vista do visitante...se é que ele vem mesmo...
Mas a opção pelo fundo preto não é meramente estética. Quem conhece o Blackle, versão negra da ferramenta de pesquisas mais usada no universo, o Google, sabe! Telas pretas economizam energia. A explicação requer pesquisa mais apurada... Por hora, basta dizer que pra exibir uma tela branca o monitor do seu computador gasta MUITO mais energia do que pra mostrar uma tela preta... A minha ferramenta de busca no Favoritos é o Blackle, já há um bom tempo. Quem quiser tentar a sorte, é aqui ó: www.blackle.com/
É quase igual, mas quando você procura resultados 'no mundo'. Para páginas em português a coisa complica... Mas o pouco que você economizar já é válido, né não?
Há outras opções nesse sentido. O meu wallpaper, mesmo, já foi removido. Uso a opção “NENHUM”. E onde escolho a cor do tal ‘nenhum’ optei pelo preto. Há nisso também um gosto pela cor. Adoro preto...
Bom, tudo isso pra explicar o seguinte: agora, tento um azul marinho – meio tosco também, eu sei – e vou deixar uns dias pra ver o que acontece com o “azulberrante” das listas laterais.
De qualquer forma, se você passar por aqui numa outra ocasião e encontrar o blog com fundo branco, não se assuste. Você não terá entrado no endereço errado. Será apenas o indício de que a minha paciência perdeu a briga em tentar acertar essas cores.
Por outro lado, se vir uma tela com fundo preto, você terá três certezas: eu venci essa “pequena guerra” contra um sistema em fase de testes; você está no endereço certo e por fim: eu estou economizando a energia que posso!
Ah, só pra lembrar, quando deixar sua mesa pra fazer qualquer coisa por aí, desligue o monitor... É só questão de hábito.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Ela viu o mar



Foi na semana passada. Uma imagem de emocionar. A pequena Sofia conheceu o mar e ficou perplexa. Uma contemplação sigilosa. Silenciosa. Concentrada, até. Estávamos em Ilhabela, na casa gentilmente cedida pelo amigo Hamilton - ele já apareceu aqui e vai aparecer mais vezes...

Foi um final de semana relaxante. Até sem sol, foi revigorante. A tranquilidade e a distância da grande metrópole me fizeram muito bem, mas o melhor momento foi mesmo o grande encontro.

Sempre fui fascinado pelo mar e seu tamanho. E fiquei comovido em ver a primeira impressão da Sofia diante daquela imensidão.

Antônio Calado usou em seu Quarup a metáfora de que o índio é um homem em branco, como um livro, a ser escrito. Imaginei na hora a mente da pequena Sofia absorvendo aquela informação visual pela primeira vez.

A carinha séria me faz pensar que foi um processo de bastante surpresa e emoção. Ela nunca fica tanto tempo parada diante de algo... Está sempre se mexendo e geralmente rindo – aliás, com um sorriso lindo.

Isso vai ficar pra sempre com ela. Tenho certeza. Estive em Sergipe, terra de minha mãe, quando era bem criança. Menos de dois anos de idade. Não lembro de nada, a não ser do vestido amarelo de detalhes que minha tia vestia - era a mesma estampa da malinha mágica do gato Félix, que eu adorava - e do mar. Uma onda, na verdade...mas me lembro, e olha que faz muito tempo.

Tenho certeza de que a Sofia vai carregar aquele instante na memória. E eu também. Foi mesmo mágico. O mar conheceu a Sofia e ela o contemplou. Eu estava lá. Vi o mar como nunca o tinha visto antes. E conheci uma Sofia que ainda não conhecia.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Centenário da imigração



Então, o cara aí em cima é o Eddie Van Halen, guitarrista da banda que leva seu sobrenome. O primeiro disco da banda saiu em 1978 e botou pra quebrar. Pelo anacronismo que já citei lá no post do Watchmen, eu só tinha dois anos de idade e não pude ouvir :(, mas imagino o que aconteceu com quem ouvia rock nesse ano e se deparou com o esse disco.
A história da guitarra é dividida em antes e depois dele, só pra começar a conversa...
Eddie mostrou ao mundo uma nova linguagem para o instrumento, algo só visto quase 20 anos antes, com Jimmi Hendrix.
Alavancadas, harmônicos, riffs de cordas soltas, os tappings (mão direita batendo no braço da guitarra) e as passagens ultra-rápidas, batizadas pela imprensa especializada da época como “shredding guitar”. Olha aqui a definição: http://en.wikipedia.org/wiki/Shred_guitar
Se você está se perguntando por que eu tô falando tudo isso, pra que te importa saber o que é shred, e o que isso tem a ver com o título do post, eu também não sei.
Mas hoje, aqui na redação, o amigo Walter estava assistindo a um vídeo de dois japoneses malucos que arrasam num tradicional instrumento japonês. Os caras tocam de uma maneira bem diferente, que deve fazer arrepiar os cabelos dos orientais mais tradicionais. Eles até gravaram as trilhas para um jogo de Nintendo Wii.
Eis que chego perto do Waltão e pergunto: “Cara o que é isso que você está vendo?”
A resposta, curta e grossa, inspirou um post: “São os shreds do okotô!”
Sensacional!

quarta-feira, agosto 06, 2008

Soneto



Li há pouco na net que o The Verve resolveu voltar depois de 10 anos.


Caramba, faz tudo isso que os caras saíram da ativa? Estou surpreso! Ainda outro dia ouvia algumas boas canções desses ingleses e pensava que a banda tinha acabado havia cerca de três ou quatro anos no máximo. Pois é.


A supresa me fez pensar na música dos anos 90. Agora, vista daqui dos anos 2000 – quase fim deles –, até que foi bem boa. Na época, não parecia tão legal ou importante. Quando surgiu o Radiohead, por exemplo, não dei a menor atenção. Estava mais ligado nos rocks dos anos 70 e nas MPBs de Caetano e afins – alguém pensou em Kleber Albuquerque?


De qualquer forma, o The Verve, aclamado à época como a grande maravilha pós-moderna da música rock até que agradava. “Bitter Sweet Symphony”, já do terceiro disco (1997), é uma boa música, muito embora o nome seja melhor ainda, e a participação dos Stones Jagger e Richards, em sample, dê aquela abrilhantada...

Mas a minha predileta desse disco – e dessa banda – sempre foi Sonnet. Ela mostra toda a tristeza e delicadeza do cérebro Richard Ashcroft, guitarrista, vocalista e líder do Verve. No final, nem no seu aclamado disco-solo ele conseguiu expor tão bem os seu interior...

A música está aí no vídeo “gentilmente” cedido pelo Youtube. O mais legal é que essa faixa me faz pensar no nome da banda, mas em português, mesmo.


O Houaiss explica:

Acepções
substantivo feminino
1 entusiasmo e inspiração que animam a criação e o desempenho do artista, do orador, do poeta

O curioso é que em dicionários de inglês, a palavra está mais relacionada com vivacidade. Olha o Michaelis:

n 1 verve, entusiasmo, arroubo. 2 vivacidade. 3 energia.

Há de se concordar que em português o nome faz mais sentido. Ou não, como diria o outro – vocês sabem quem...

Clique no vídeo porque Sonnet é mesmo uma boa música. E foi pra isso que esse post foi feito!


terça-feira, agosto 05, 2008

Parabéns, pai!


Hoje é aniversário do Cidão! Um cara muito importante na minha vida, sabia? O primeiro e único herói que tive - nossa, preciso assistir ao Batman...

Mas herói de carne e osso, mesmo, só o Cidão! Ele está fazendo 56 anos e me dei conta que o tempo realmente passa. E rápido. Ele já tem um filho de 31 anos... Mas ainda é - sempre será - "O" cara. Centrado, calmo, inteligente, desencanado e curioso.

Tenho certeza que vem dele essa inquietação em descobrir e aprender, que acabou me levando para o jornalismo. Até lembro de um dia em que eu era bem novo, ainda no ginásio, e disse a ele que queria ser escritor. "Então, você tem de ser jornalista, filho". Olha, escritor não virei, pelo menos por enquanto, mas vá dá conselho bom assim lá longe.

Virei jornalista, amo a profissão e apesar dos pesares sou bem feliz com ela. Conselho do papai!

Adoro quando vejo nos olhos dele um certo orgulho por ter um filho jornalista, com curso superior. "Formado", como ele disse emocionado no dia que concluí a universidade. "Parabéns, filho. Sei que você lutou muito por isso e estou orgulhoso." Mal sabia que o culpado era ele, que me incentivou desde sempre...

Quem já viu um pai dar pra um filho de 10 anos um livro com o nome de "O rei dos paus"? E dizer: "Leia que é bem legal. E depois veja esse aqui, ó", apontando "As sandálias do pescador" - esse era bem melhor!.

À noite, chegava do trabalho e sempre perguntava: "Leu hoje?" E eu ficava me perguntando por que ele queria que eu lesse uma história onde garotos ficavam medindo os tamanhos de seus pênis... Depois vi que na verdade, pra ele, o que importava era que eu lesse. Qualquer coisa...

E a imersão na política? Aprendi quem era Franco Montoro e quem era Maluf - com tudo o que essa frase traz implícito - desde muito cedo!

Deu um duro danado pra montar a coleção Conhecer Universal, tudo pra mim. Em tempos sem internet, essas enciclopédias eram mesmo uma mão na roda e eu aprendi um bocado de coisa por ali.

Mais tarde, me presenteou com a assinatura de uma revista que chegava ao mundo: "Superinteressante". A capa com o holograma do cavalo marinho ainda brilha em minhas lembranças.

É isso. Um grande cara. Eu sei. E sei que quem o conhece também sabe. Agora que é avô - de duas netinhas lindas - está melhor ainda. É só sorriso...

Aliás, gosto bastante quando ele pega minha filha no colo. Eu não me lembro de quando ele me segurava assim, mas tenho certeza que era com o mesmo cuidado e o mesmo amor. Posso até sentir na hora...

Um grande cara, que me ensina a cada encontro algo novo sobre a vida!

Parabéns paizão! Muitos anos de vida e obrigado por tudo!

Te amo!

quinta-feira, julho 31, 2008

O que é a felicidade pra você?


Noutro dia falava sobre o filme À Procura da Felicidade, com Will Smith, com um amigo, que se saiu com um comentário. “Pra ele a felicidade é como é pra mim, tá no dinheiro”, brincou, ironizando a incansável busca de Christopher Gardner por um bom emprego. A película é baseada em fatos reais e é claro que a mensagem do filme vai além desse materialismo. O personagem precisa de um emprego pra manter a guarda do filho, esse sim, o sentido da felicidade para ele. Comecei a pensar sobre a felicidade e me às voltas com a pergunta título desse post...

De bate e pronto posso dizer que são pequenos momentos, nos quais me sinto completo, alegre, forte, capaz. Puxa, o nascimento da minha filha foi um grande momento de felicidade... Mais um daqueles em que você tem realmente prazer de viver...

O mais curioso é que nem sempre você está fazendo algo necessariamente “engrandecedor” ou nobre, mas se sente feliz. É como um coveiro, que apesar de estar jogando a terra sobre o caixão alheio, num momento de muita tristeza para familiares, o faz em meio a assobios. Não se trata de prazer na desgraça do outro, mas sim de estar bem consigo mesmo.

Tenho pensado cada vez mais que essa tal felicidade existe em pormenores freqüentes, nós é que deixamos de notá-la. Poxa, quer momento mais feliz do que estar lendo um livro. Um livro bom, né? Claro! Pois é! E quando ganhamos presentes? Sensacional!

Ocorre que às vezes nos falta mesmo o distanciamento necessário e fundamental para sacarmos: “olha, eu estou bem feliz agora” Geralmente notamos isso quando o efeito passou... Ficamos tão obstinados a ser feliz aqui e agora que não nos damos o tempo necessário nem pra felicidade que está no presente, nem pra que vai chegar...

Tocar minha guitarrinha também me deixa muito feliz. Só eu, as seis cordas e o amplificador e um momento mágico. Muitas vezes, só tenho meia hora, mas ainda assim é bem bacana.

A armadilha de querer a felicidade “aqui e agora” pode ser mesmo perversa. A frase “Paciência é uma virtude” é muito sábia.

Muitas vezes queremos tanto uma coisa que não conseguimos entender que não é a hora certa. A gente se apressa, acha que a felicidade está no bem ou na posse e só depois descobre que foi desnecessariamente apressado. Que não pode desfrutar aquele momento de felicidade simplesmente porque não esperou a oportunidade de vivenciá-lo por inteiro. De corpo, alma e pensamento. O que é um momento maravilhoso se você não estiver inteiramente imerso nele? Nada. Não vale a pena o esforço para um grande momento, se você já sabe que na hora “H” não estará em plena condição de vivenciá-lo.

E como trabalhar demais pra juntar dinheiro, pra ficar sem fazer nada. Pode ser uma armadilha. Quando chegar a hora de não fazer nada vai ter de se recuperar por ter trabalhado tanto... E o momento com a tal felicidade nem chega...

Ela existe, eu tenho certeza! E chega sempre nos momentos certos!

quarta-feira, julho 30, 2008

Nos supermercados da vida

Na primeira vez em que ouvi "Lost in the supermarket", do The Clash - veja o vídeo aí em cima, fiquei me perguntando por que uma banda com um som tão bacana como esse é rotulada como punk. A dúvida seguinte foi um pouco mais "existencial": como alguém pode ser perder num supermercado?

Não saquei de bate e pronto, mas depois percebi que é justamente na letra que está a veia punk...

Uma crítica ao consumismo desenfreado, àquela sensação de vazio (perdido?) que é falsamente preenchida com uma visita à loja mais próxima. Besteira. Antes mesmo de a máquina do cartão de crédito cuspir o canhoto já nos sentimos perdidos (vazios?) novamente. E quando a gente fica olhando pras prateleiras, com a absoluta certeza de que não quer nada do que ali está, mas não consegue se distanciar sem levar um item? Perdido no supermercado...

O mais impressionante é que a música figura no álbum London Calling, lançado em 14 de dezembro de 1979! Eu tinha só 3 anos de idade e “consumismo frenético” era expressão em começo de carreira, ainda. Isso não é punk, é visionário!

De qualquer forma, hoje entendo perfeitamente como é possível se sentir perdido num supermercado. Na verdade, o sujeito já havia se desencontrado antes de entrar no templo do consumo... E foi lá procurar-se...

Na verdade, pra se sentir perdido não precisa muito. Todos, em algum momento, perdem de vista a rosa dos ventos que lhes norteia.... Mas ela volta. Tem que voltar...

P.S.: Esse post é dedicado ao amigo Marcelo, que, além de reclamar de nunca ter sido mencionado nesse blog, me perguntou por esses dias por que o The Clash é tão importante pra música.

Perdas e ganhos



"Não se pode ter tudo" foi praticamente uma da primeiras frases que ouvi ontem, quando o dia ainda estava só começando. Falava sobre a constante necessidade de abrir mão de coisas preciosas para se ter o "direito" a outras. Sobre escolhas. As que fazemos e aquelas que fazem por nós... Nas quais somos, muitas vezes, meros coadjuvantes.

Com reflexões pesadas como essa, estava na cara que o dia não seria dos melhores... Pra variar.

As coisas que não andam como deveriam, que nos impelem à maldita cafeteira, como se o líquido ali presente fizesse o tempo passar mais rápido... Ou fosse uma poção de desaparecimento, o famoso "chá de sumiço", muitas vezes uma vontade real diante de tantas intempéries da vida.

O dia foi se desenrolando e mostrando que ainda reservas ganhos e perdas, não necessariamente nessa ordem... E se o tema matutino eram escolhas, tive de lembrar, ao final de um expediente pra lá de arrastado, que tinha feito a escolha de assistir - e reportar a cobertura para uma revista especializada - aos show de Joe Satriani.

Já falei dele aqui, eu acho. Se não, foi uma questão de escolha... Mas sempre há tempo para repará-las, então vamos lá...

O cara é simplesmente um dos melhores guitarristas de todos os tempos! E casa lotada, de garotos guitarristas, papais quarentões e suas esposas, e roqueiros e metaleiros de todas as idades prova isso.

As mazelas do maldito dia não cessaram nem com a chegada da noite. O excesso de compromissos me levou a chegar em cima da hora no show. Tá bom. Na verdade cheguei atrasado e perdi a entrada e a primeira música... Tudo bem... Não era um dia pra ganhos...

Satch conversou com o público através de sua guitarra Ibanez JS durante 1h45. Nos entendemos perfeitamente. "Supercolossal", "Always with me, always with you", "Time machine"... todas conhcidas e tocadas de maneira que não deixaram dúvida: o cara sabe o que faz. E o faz muito bem!

A linda "Crying" desse videozinho filmado de onde eu estava veio pra mostrar isso - não sabia que quando desse o zoom, o som seria cortado, mas vale a pena assistir. E também veio pra lavar a alma das gasturas da vida...

Tá ok, não se pode ter tudo, mas ainda bem que tenho meus ouvidos e coração, para poder apreciar momentos como esse, ainda que de curta duração.

Ao final, uma escapadela e a cortesia de uma amiga renderam até uma foto ao lado do ídolo. E fiquei meio anestesiado diante do cara, como se pode notar pelo sorriso mal construído... Mas foi um ganho, finalmente! Nada mal pra encerrar um dia, embora já passasse das 1h00 e portanto já fosse o dia seguinte, no caso, hoje...

Vejamos o que me reserva esse dia que começou com ganhos...



"Prazer em conhecê-lo" é uma frase idiota pra dizer a alguém que você conhece há 18 anos?

segunda-feira, julho 21, 2008

Ben harper, Sexual Healing

Então, quando fiz o blog, a idéia era mesmo usar a música como pano de fundo, mas não que ela fosse o mote principal.

Mas a quem eu queria enganar,né?

Agora à tarde, estava ouvindo Ben Harper e sua versão para Sexual Healing do mestre Marvin Gaye.

O melhor é não falar, e sim escutar.

Aliás, além da cura sexual certamente há a cura musical. Musical Healing.

WATCHMEN

É incrível como sempre carrego a sensação de ter chegado atrasado aos bons momentos da vida.
A música de que mais gosto teve sua decadência justamente no final da década de 80, exatamente quando eu atingia a idade de ouvi-la.
O jornalismo que adoro começou a sofrer, exatamente no final da década de 90, quando entrei na profissão, a perda da credibilidade e do romantismo das redações...

Mazelas do mundo moderno.
Passei por boas empresas, até multinacional do boom "pontocom", mas sempre quando estavam dando adeus aos seus melhores momentos ou prester a passar por crises.

Inacreditável.
E a sensação vai adiante. Por anos, a TV a Cabo era uma utopia. Ver Manhattan Conexion era um sonho distante. Arranjo uma namorada com o aparato em casa – claro que o namoro não teve nada a ver com a vontade de ver o Manhattan - e também já era tarde. Arnaldo Jabor ocupava o lugar de Paulo Francis, que era, na verdade, o motivo de eu querer assistir ao programa. Quando descobri Paulo Francis, ele morreu.

Outro dia, o mano Waltão me trouxe suas edições de Watchmen, o famoso HQ de Alan Moore, publicado em 12 edições limitadas que mudou a história dos quadrinhos. Comecei a gostar de quadrinhos nessa época, tinha uns 12 anos, e realmente não sobrava pra comprar um Graphic Novel de luxo, como eram os exemplares de Watchmen, carinhosamente emprestados pelo amigo. Pois é. Mais uma coisa que chegou bem tarde às minhas mãos. Ao final da leitura, não conseguia entender porque deixei pra isso pra depois. Me lembro vagamente de até ter tido acesso, mas inexplicavelmente, deixei passar. Essa foi vacilo, não azar.

Mas nem por isso, Watchmen deixou de me marcar. Simplesmente DU CARALHOl. Num clima de guerra fria, confrontos intercontinentais e pessoais, travados por humanos tão heróis que nem parecem humanos. E que são tão humanos, que nem parecem heróis. Fodástico!
E como às vezes a gente consegue se antecipar a algo, pelo menos posso dizer que li a obra antes de virar filme. Aliás, filme esse que é o verdadeiro motivo desse post.
A película, dirigida por Zack Snyder (de 300), tem estréia prevista para 6 de março de 2009. Anote essa data e vá se preparando... Tenho certeza que vai ser muito bom! Ah, não posso deixar de agradecer o mano pelo empréstimo das raridades! Valeu!

sexta-feira, julho 18, 2008

Kiss

Consegui um videozinho de uma das pérolas tocadas na noite de ontem. O cinegrafista não era dos melhores, mas o dia também não tava fácil...então...

Ah, não reparem na calça de palhaço, apesar de ela estar bem apropriada para encerrar o dia...


Rocky 3 Eye of the Tiger

Noutro dia falei aqui sobre Rocky Balboa e seu olho de tigre. Acabei sendo perguntado sobre o que realmente significa a expressão pra mim.

Um dia de merda como o ontem, foi o típico no qual o "olho de tigre" é fundamental.

Rede contaminada por vírus atrasando o trabalho, milhares de pequenas minúscias pra serem resolvidas, que, na hora "H" insistiam em não se deixar "dissolver".

Uma tarde de extrema estafa, daquelas em que realmente dá vontade de sentar na guia e chorar. Ou arrancar os cabelos. Ou os dois.

Tá. Ao pseudo "final de expediente", ainda tinha de ir a uma reunião importante, de ônibus, longe. E além de discutir o assunto com toda a seriedade que merecia, ainda não podia descuidar do relógio. Ia tocar às 22h e todo o grupo contava com minha presença.

A tarde vinha caindo e a cada quarto de hora era uma notícia mais bombástica que outra. Ao final do dia, completamente derrotado, tive de encontrar a força necessária para a segunda jornada.

Nessa hora, pensei novamente no "olho de tigre". Quando você toma as pancadas, algumas bem duras, e acaba caindo. Mas e aí? Ficar com a cara estatelada no asfalto, sentindo o fio de dignidade lhe fugir da alma, vai resolver o quê? Nada!

Você se levanta, se recompõe e segue em frente. O queixo vai doer. Às vezes, por muito tempo. Mas se não erguer a cabeça, treinar com afinco, vai cair novamente na próxima luta.

E, às vezes, as lutas são diárias. O consolo é que a dor no queixo vai ao menos servir pra você lembrar sempre quando foi que baixou a guarda e tomou aquele soco fatal.

Levantei, fui à reunião. Tudo resolvido. Fui tocar e foi DU CARALHO!

É isso. Olho de tigre sempre. E nada mais apropriado para uma banda que compõe "Eye of the tiger" do que ela se chamar Survivor!

quinta-feira, julho 17, 2008

Múltipla escolha


Você já teve vontade de ser outra coisa ou alguém? Há minutos, de guitarra em punho, estudando, desejei ser Satriani. Na verdade, não. Apenas que as mãos dele fossem as minhas. Tocando as notas certas...


Já quis ser super-herói, jogador - de futebol - , mochileiro, piloto - de carros - hacker - do bem. Pô, ser hacker de vez em quando deve ser bem legal... Astronauta...

Sem falar nos grandes caras. O Machado... Vá entender o caráter humano assim lá longe... Mas tem a criatividade do Rosa – inventar palavras deve ser divertido – e o bom humor do Garcia Marques. Caramba...

E fazendo música brasileira, hein? As rimas certeiras do Baleiro, a amargura relax do Kleber ou o existencialismo do Moska? Sem falar no charme esnobe do Caetano.

Ah, fazendo rock, nem tem o que pensar. As guitarradas do Eddie ou as harmonias do Page... Putz, mas tem o Gilmour, o Clapton, o Fripp... Ixi, a lista "Vai" até Z... Ah, não nos esqueçamos do Zappa.

Na pintura, tem Picasso – traços e nome fortes – e Basquiat, com suas cores perturbadas. Mas já quis até dar o abraço do Romero. E ver Gioconda antes de aplicar-lhe o enigmático sorriso...

O exercício é bem legal. Você imagina e curte. Só por instantes. Percebe que é você mesmo e volta pra sua insignificância de réles mortal... Coisa de minutos...

Até diverte, mas não afugenta a insônia.

Agora penso em dormir.

Ficar na cama, pelo menos oito horas... Tranquilão e relaxado. Pô, abraçado é ainda melhor.

Nessa noite, quero ser... Travesseiro!

segunda-feira, julho 14, 2008

Obrigado

Ainda falando em rock and roll, não posso deixar de dizer que Led Zeppelin é outro nome que vem à mente quando ouço essa palavra. Os caras foram perfeitos. Geniais. Até quando não faziam rock pesado. As harmonias intrincadas e elaboradas do guitarrista Jimmy Page e a voz aveludada e sensível de Robert Plant... Uma Banda com B maiúsculo!

Lírismo a serviço da emoção, a música "Thank you", gravada no Led Zeppelin II, de 1969, é um ótimo exemplo de que o rock é muito mais do que energia e guitarras distorcidas.

Aqui, vai a interpretação do Tesla para o clássico do Zep. A versão não só manteve o feeling que a canção pede, como transmite exaamente a sensibilidade da composição, em todos os detalhes.

Mais uma daquelas canções que me fazem pensar: gostaria de ter feito essa música!

É isso.

God gave rock and roll to you!

Dia 13 de julho é o dia mundial do rock! Sempre que ouço essa palavra logo me vem à mente uma guitarra, e, por consequência, Eddie Van Halen e sua frankenstein. O cara é o espíritio do rock! Jovialidade, criatividade, irreverência... Energia! Meu eterno herói da guitarra! É melhor nem descrever. Aperte o play aí no vídeo, aumente o volume e deixe rolar... Se tiver dúvida, deixe chegar no 2:19 e você vai me entender perfeitamente...

É isso!


sábado, julho 12, 2008

Dia Branco

Hoje é mesmo um Dia Branco. Fui lembrado disso assim que acordei.

E pensei em Geraldo Azevedo e sua sutileza.

Taí, sem a necessidade de maiores explicações.


sexta-feira, julho 11, 2008

Leis para os animais



A semana foi pontuada mesmo pela cretina lei seca. Em escritórios, transportes coletivos, nas praças, só se falou nisso. Não vou dizer nos bares, né, porque estes estiveram mesmo vazios!

Trata-se evidentemente de mais uma lei bizarra e não vamos aqui chover no molhado.

Não se trata de punir quem dirige bêbado. Essa lei proibe o consumo de bebidas sob um disfarce. O mais legal é que qualquer um pode ver isso. E o discurso hipócrita de dizer: "pergunte a quem teve um ente querido vítima de um motorista alcoolizado..." não cola.

O motorista que dirige bêbado é um transgressor. Sempre soube que não podia, mas sempre o fez. Agora, não vai mudar.

O inteligente seria realizar essa mesma quantidade de blitzen, simplesmente aplicando a lei que já existia. E melhor que isso. Mantendo-se o nível de álcool tolerado, aumentando-se a penalidade pra quem fosse pego fora da lei. Só isso.

A cretinece dessa lei me fez lembrar o indiano - da foto aí em cima - preso há 15 dias, porque levou um urso para ser animal de estimação de seu filho. Preso o pai e benfeitor, o urso ficou sem destino e a criança foi encaminhada para um orfanato. Fala sério? Até quando veremos punições esdrúxulas ou leis descabidas para a plebe, enquanto verdadeiros crimes hediondos são cometidos a olhos vistos pelos mais abstados sem a menor punição?

Nessa onda de idiotice penal, espero mesmo que aqui no Brasil não aconteça nada parecido com o indiano preso com o urso... Se não, olha isso:

segunda-feira, julho 07, 2008

Under the milkway


Adoro naves espaciais e estrelas. Desde de criança. Lembro-me perfeitamente de uma noite de 1986, quando eu tinha 10 anos de idade e meu pai chegou em casa eufórico, com os olhos brilhando e um presente embaixo do braço, louco pra me mostrar. “Esse é o álbum de figurinhas do cometa Halley”, disse.


Até então, cometa pra mim era apenas uma palavra na música do Balão Mágico, lembra? “Pegar carona nessa cauda de cometa/Ver a Via Láctea/Estava tão bonita/Brincar de esconde-esconde numa nebulosa/Voltar pra casa nosso lindo Balão Azul”.

Nebulosa também era uma palavra, digamos, nebulosa pra mim. Nem o Guilherme Arantes, autor da música, eu conhecia ainda, eu acho.

Aquele álbum mudou minha maneira de ver o mundo. Além de passar a saber o significado das palavras cometa e nebulosa, eu realmente compreendi o conceito de imensidão, se é que isso é possível...

A empolgação do meu pai em completar nosso álbum era grande. Todos os dias chegava do trabalho com novos envelopes e em pouco tempo, completamos tudo. Não faltou nenhuma.

As fotografias do espaço, as imagens de satélites e as perspectivas de planetas me encantavam. Passava horas, à noite, olhando várias vezes, página por página, depois de colar as novas figurinhas.

O álbum fazia parte de uma série de artigos lançados por ocasião da passagem do cometa Halley. “Ele passa a cada 76 anos”, dizia meu pai. “Temos de vê-lo ou pode não haver outra oportunidade.”

Na minha cabeça eu fazia as contas e concluía que aos 86 anos, na próxima passagem, em 2062, viveríamos novamente aqueles momentos mágicos.

Pois é. O cometa passou e em São Paulo pouca gente conseguiu vê-lo.

Nós não estávamos entre elas. E eu não me importei. Mesmo sem olhar diretamente para o Halley, sei que aquele cometa iluminou minha vida. Eu te amo, pai!

P.S.: ainda tenho o álbum guardado

Pela boca


Como o saldo do fim de semana foi uma quase desidratação, esse post está sendo escrito, às 2h00 da manhã, acompanhado de um drinque muito diferente: Rehidrat 50, sabor laranja. Foi o que o médico passou, depois de me mandar um soro na veia e pedir cuidados com a alimentação...

Bem, o post escrito na madrugada nem é um caso de insônia. É que depois de assistir a um filminho, lavar a louça - me esperava desde sexta! - e finalmente me preparar para ir pra cama, me lembrei do tal "drinque". E não podia dormir sem ele. Como também não podia dormir sem postar...já viu, né?

Nos preparativos pra dormir comecei também a digerir - palavra cuidadosamente escolhida - o conselho do médico: "A gente põe cada coisa na boca". E automaticamente me lembrei do meu dentista, visitado na semana passada.

Só comemorações. Depois de um ano sem dar as caras, nenhuma cárie, apenas um pouco de tártaro, sagazmente removido com um torturante ultrassom que, inexplicavelmente, trabalha na freqüência de ressonância do meu cérebro. Fatalmente reclamo e ouço: "Se você usar o fio dental com mais capricho, nem esse tártaro vai ter."

Pois é. O drinque acabou. Vou passar o fio dental...

Boa noite.

quinta-feira, julho 03, 2008

Olho de tigre - de Freyre a Stallone...



É uma questão de raça. Não do termo pejorativo ou do que se refere às espécies. Raça com significado de gana. Sabe? De determinação e força de vontade. Vendo o comportamento do Fluminense na hora dos pênaltis, na decisão contra o LDU, do Equador, dá pra entender bem o que quis dizer Gilberto Freyre com seu Casa Grande & Senzala. A obra traça o perfil do brasileiro, do ponto de vista cultural e comportamental, explicando pela miscigenação que o que é resultado direto da absorção dos costumes da casa-grande e das mazelas da senzala.

Genial que era Freyre também falou desses traços no futebol. Da pra ver aqui ó: http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/alabarces/PII-Soares.pdf

A leveza e a alegria, é óbvio dizer, vieram mesmo da parte africana de nossas raízes. Mas por quê não herdamos também a gana? Nem é preciso fazer muito esforço para identificar a palavra com o continente de origem dos escravos. Tem até país com esse nome lá!

Porra, é difícil ter um pouco mais de gana? Não é a primeira vez que vemos o que aconteceu ontem no Maracanã! Jogar como jogou, pra cobrar pênaltis daquele jeito? Faça-me o favor.

No meio da história me vem à mente outro célebre escritor. Euclides da Cunha dizia em seu Os Sertões: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Fiquei pensando no futebol dos sertanejos equatorianos...
Francamente, se você disser que vai atravessar uma piscina de 50 metros e desistir nos dois metros finais, é melhor que nem mergulhe.
Ao final do jogo, Dodô, escalado para a última cobrança e que nem teve a chance de perder também o seu, ainda me sai com a pérola: “Jogamos como pudemos. Mas aí foi pros pênaltis e pênalti é fogo, né?”
Pois é, meu caro, para os jogadores do LDU, não me pareceu tão difícil bater direito um pênalti...
Nessas horas, é sempre bom lembrar a perseverança de Rock Balboa: olho de tigre, cara!


"CADIQUE"



A ficção-científica é por vez considerada um gênero menor na literatura. Descordo completamente.

Nessa semana, acabei de ler o “Caçador de andróides”, do mestre Philip K. Dick. O livro, na verdade chamado “Do Androids dream of electric sheep?”, algo como “Os andróides sonham com ovelhas elétricas?”, ganhou o novo nome depois que foi filmado por Ridley Scott, de 1982, com Harrison Ford no papel do “retirador de andróides”.

Nunca vi motivos para considerar menores escritores de sci fi. Quem já leu Arthur C. Clarke (“2001: Uma odisséia no espaço”) ou Isaac Asimov (“Eu, robô”) sabe que o gênero pode trazer ao leitor tudo o que um bom romance tem. O “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, e o 1984, de George Orwell, nem precisam ser citados...

E o que dizer de K. Dick? Veja filmes como “Minority Report”, com Tom Cruise, e “Total Reccall”, com Arnold Schwarzernegger – aqui, traduzido como o Vingador do Futuro – ou “O Pagamento”, com Ben Afleck.

“O Homem duplo”, com Keanu Reeves e Robert Downey Jr., foi praticamente a última história do autor a ser filmada e juntamente com a notícia da reedição do filme de Ridley Scott, me incentivou a ler o livro. Agora posso asssitir ao filme sossegado, embora tenha certeza que a versão em papel seja muito superior.

As angústias, as paranóias, o apego à vida e a eterna melancolia, sempre esperando por serem libertadas na mente humana, são mostrados de maneira muito clara. Paranóico de carteirinha, K. Dick os conhecia por dentro, literalmente. E mostrou em palavras, nos mais de 40 livros e contos, tudo o que sentia. Um grnade escritor, sem dúvida, de um gênero não menor, mas "pré-conceituado".

É só tirar por base a cena do encontro de um “suposto andróide” com um famoso quadro, numa galeria de arte, anos à frente de nosso tempo:


“Junto a um quadro a óleo, Phil Resch parou e olhou com atenção. A pintura mostrava uma criatura careca e mãos colocadas com pavor nas orelhas, a boca aberta em um grito amplo e sem som. Ondas retorcidas do tormento da criatura, ecos de seu grito, inundavam o ar que a cercava; o homem ou mulher, o que quer que fosse, tinha se tornado contido por seu próprio berro. Cobria as orelhas contra o próprio som. A criatura estava parada em uma ponte e não havia mais ninguém presente; a criatura gritava sozinha. Isolada por seu grito ou apesar dele. “Acho que é assim que um dróide deve se sentir, disse Phil Resch.”


Literalmente fantástico, não?

terça-feira, julho 01, 2008

Afirmações de negativas


Não é porque não respondo, que não ouço;
Não é porque não comento, que não vejo;
Não é porque não sinto, que não sinto.

Um último concerto


Na outra semana confessei-me impressionado diante da figura do Maestro John Neschling, à frente da Orquestra Sinfônica de São Paulo, por ocasião da passagem do príncipe herdeiro do Japão por aqui.

No post mencionei que fiquei – em menor grau, é verdade – impressionado com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua senhora Dona Ruth Cardoso.

Foi mesmo uma apresentação tocante. E memorável para a mente e para o coração.

Neschling estava, na verdade, fazendo seu último concerto antes de entregar a carta de demissão do comando da orquestra – que diga-se de passagem, dirigia desde 1977, um ano depois do meu nascimento! Será que tinha durante o concerto a carta na mente?

Dona Ruth também estava em seu último concerto. Sentiu-se mal e nem voltou para a segunda parte do espetáculo. Alguns dias depois, faleceu, vítima do próprio coração. Será que tinha durante o concerto a morte no coração?

Se me perguntassem qual o último espetáculo que queria ver na vida podia mesmo assistir à reprise daquele dia. Um concerto digno de fechar com chave de ouro momentos de uma vida.

A passagem do maestro no comando daquela batuta. A passagem da nobre Ruth por sua nobre e serena vida.

Uma constatação:

“Por que as pessoas que me impressionaram nos últimos tempos estão indo embora?

segunda-feira, junho 30, 2008

Outra constatação


Bem-vinda, amiga insônia!
Por que não nos encontramos pela manhã?

Segundo Caetano



Conheci Caetano Veloso pela música “Terra”, da abertura do programa sobre ecologia da TV Cultura. Já naquela época, começo da adolescência, 1989 pra ser mais exato, meu pai era fã do programa e cansei de passar tardes de domingo esperando pela voz de Caetano Veloso e seu violão dedilhado que me encantavam. “Terra! Terra!/ Por mais distante/O errante navegante/Quem jamais te esqueceria?

Um pouquinho depois pintou o primeiro toca-discos da minha vida. Uma aquisição inesquecível, somente comparável à compra do LP “Bicho”, meu primeiro Caetano. Nele nem estava a canção tema do programa da Cultura, mas havia uma música que eu tinha ouvido pelo menos uma vez. E tinha ficado encantado. Era a mais perfeita descrição da paixão que já ouvi: “Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel/Uma mulher, uma beleza que me aconteceu”

Aquilo era fantástico e eu não teria paz enquanto não adquirisse aquele disco. O cara tem de saber muito sobre a paixão para defini-la com tanta exatidão, pensava...

Mas o que sabia eu da paixão naquela época? Sei lá... Mas algo me dizia isso. E mais. Me dizia que o genial baiano tinha acertado na mosca. Unhas negras, íris cor de mel. Perigosa como uma tigresa.

O disco – se você não conhece, tá aqui ó: http://www.badongo.com/file/10138447 – não era propriamente chamativo para um garoto que adentrava no universo roqueiro. O nome “Bicho” e a capa com uma borboleta ou uma maçã partida ao meio - pecado - eram ainda menos empolgantes nessas circunstâncias.

Ao primeiro contato da agulha com o vinil tive certeza que fizera a coisa certa. O contrabaixo suingado e seguido pelos versos de Odara. “Deixa eu dançar pro meu corpo ficar Odara/Minha cara minha cuca ficar Odara”

Uma celebração ao canto. E o disco segue magnífico, celebrando a deusa música como no versos de “Alguém cantando” (“Alguém cantando muito/Alguém cantando bem/
Alguém cantando é bom de se ouvir”
). Na alegre e – não sei por que – nostálgica “Gente”, com suas referências de nomes da época, assim como no refrão da famosa “Um índio” (“Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi/Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi/Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi/O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá que eu vi”)

Um discão! Até a versão de “Olha o menino”, de Jorge Ben, apesar de não contar com o suingue do carioca inventor do samba-rock me encantava. “Eu sou um homem sincero/
Porque nasci cresci e vivo livre/Eu sou um homem sincero/Que quero morrer nascer e viver livre/Olha o menino ui
. Pirava com a coragem de dizer uma frase dessas em plena ditadura militar, em 1977, quando “Bicho” foi gravado. E isso me impressionava mesmo ouvindo quase 13 anos depois, já sem ditadura, mas ainda com homens querendo morrer e nascer livres...

Mas “Tigresa” era mesmo especial. Mexia com o jovem garoto que eu era. Com sua tristeza eterna, o violão peculiar seguido depois por um baixo marcante. E os violinos com piano ao final? Aff...era de querer chorar. De sentir dor sem motivo.

“Esfregando a pele de ouro marrom/Do seu corpo contra o meu/Me falou que o mal é bom e o bem cruel”

A expressão “pele de ouro marron” não me era clara. Não conhecia a paixão...

E também não entendia ao certo o que Caetano queria dizer com “Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar/Porque ela vai ser o que quis inventando um lugar/
Onde a gente e a natureza feliz, vivam sempre em comunhão”

Mas sabia que ele estava certo. Principalmente porque ao final ele dizia: “As garras da felina me marcaram o coração/Mas as besteiras de menina que ela disse não/E eu corri pra o violão num lamento/E a manhã nasceu azul/Como é bom poder tocar um instrumento”

Conheci a paixão. E Caetano estava certo.

Como é bom poder tocar um instrumento...

Uma constatação

Não me faça prometer
Mesmo sendo o que não quero,
Se tiver prometido, será feito.

terça-feira, junho 24, 2008

Os Últimos e os primeiros

Li, há cerca de uma semana um texto com o sugestivo título “Só se vive uma vez!” (o original está aqui ó (http://portalamazonia.locaweb.com.br/sites/comapalavra/noticia.php?p=3&order=&pagesize=2&total_registros=114&idN=3549) .
A autora, recém-formada e talentosa jornalista, fala do poder mágico dessas cinco palavras e em meio a exemplos bem engraçados e muito bem descritos, fecha com a idéia – aqui, adaptada - que “Por conta da probabilidade, permite-se arriscar. Corre-se o risco de viver intensamente e, com certeza, de ser mais feliz.”

Imediatamente associei à música "O último dia", de Paulinho Moska, outro sujeito que escreve – e canta – coisas muito bacanas. Olha o vídeo aí, generosamente "cedido" pelo Youtube.


“O que você faria se só lhe restasse esse dia?” é a indagação principal do cantor, na faixa gravada em 1995, há exatos 13 anos, que segue numa sucessão de ações intensas e até desvairadas. Mas sempre intensas.

Bem como fez o Chico Buarque, ainda 24 anos antes, em 1971, com Construção. “Amou daquela vez como se fosse a última”.

Uma semana com o texto na cabeça – é, ele mexeu mesmo comigo! – e a música do Moska martelando em minha mente...

Acabei concluindo que na verdade, a coragem de viver intensamente está associada à sensação de como se fosse “o último dia” da sua vida. Mas está ainda mais pra “viva, como se fosse a primeira vez que faz isso”.

E não é que é verdade? Não é o frescor da novidade o grande responsável pelo prazer em arriscar nas pequenas coisas e atitudes da vida cotidiana?

O primeiro beijo. O primeiro carro. O primeiro disco (ah, eu ainda sou do tempo do vinil). Pois é. Tudo como se fosse a primeira vez. E a primeira transa, hein? Primeiro emprego, primeira aula, primeiro livro, primeiro filme. E o primeiro filho? Nossa!

Frescor, prazer, surpresa!

E por que eu ainda ouço Paulinho Moska e uma música composta e gravada lá em 1995?

Ah, porque sempre o faço como se fosse a primeira vez. Intensamente como se fosse a última, é claro. Mas sempre com a surpresa e, principalmente, o prazer da primeira vez.

Afinal, bem disse a autora do texto: A vida é curta e só se vive uma vez!

segunda-feira, junho 23, 2008

Pintou um campeão?

Acho que não.

Muito embora o domingo tenha sido de vitória dupla.

Não pude acompanhar a parte final da corrida, mas consegui assistir ao momento da misteriosa quebra de Kimi Raikkonen e da chegada de Massa à liderança. Tive de sair e só após na hora do almoço soube do resultado. Alguns, exageradamente afoitos – Alô, Galvão –, começam a se perguntar: pintou um campeão?

A vitória de Massa, não quero ser injusto, me pareceu um misto de muita competência com um pouco de sorte.

No final da tarde, me sento à frente da TV para ver o Palmeiras. Ainda na hora do almoço, a manchete do JT já preconizava: "Com salário atrasado, Palmeiras pega o Vasco". Relevei. O mano Vitor Marques, que certamente estava por trás de um título desses, é curintiano que eu sei...

Em campo, a academia passou longe de algo digno de ser assim chamado. O Vasco praticamente não entrou em campo e foi um típico jogo ruim, de dar “calo no zóio”. Tava quase querendo o Edmundo em campo e um pênalti a favor do Vasco. Uma defesa do Marcos já seria algo algo comemorável... Eis que Alex Mineiro aparece em campo, depois de vários minutos e mexe no placar. O gol do Kleber foi bem mais articulado, mas também não convenceu. O Vasco, como já disse, praticamente não estava em campo. Ainda falta o Palmeiras, um dos cotados para o título, provar a que veio nesse ano.

Se ainda é cedo pra acreditar no Massa, e olha que ele tem talento e força de vontade, que se dirá do meu Verdão? Que a vitória contra o Vasco foi um misto de pouca competência e muita sorte...

A grande MUSA

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Na terça-feira (dia 17/6), por ocasião do centenário da imigração japonesa no Brasil, recebemos a visita do príncipe herdeiro do Japão, Naruhito.

Entre os vários lugares que visitou, Naruhito foi presenteado com um concerto da OSESP, a Orquestra Sinfônica de São Paulo, na Sala São Paulo (www.salasaopaulo.art.br/salasp/historia/historia.aspx), no prédio da Estação Julio Prestes, região do bairro da Luz.

Eis que a Honda, patrocinadora do concerto para o príncipe herdeiro me oferece o convite de conhecer a Sala São Paulo (vontade protelada por anos) e mais que isso: assistir à OSESP, na ocasião, regida pelo maestro John Neschling.

Cabelo cortado especialmente para a ocasião, terno alinhado e gravata em volta do pescoço lá fui eu, na quinta-feira (19/6) para uma grande noite.

Pois bem. Respiro música 24 horas por dia. MÚSICA, assim em maiúsculo, pra ficar melhor. Toda ela. MPB, rock, folk, heavy metal, jazz. Até a clássica, tão distante de nosso tempo. Mas da erudita não conheço muito. Só os grandes nomes e suas principais obras. Mas gosto.

O fato é que a sua relação com a música, seja ela qual for, nunca mais é a mesma depois de um espetáculo como esse. ESPETÁCULO, assim em maiúsculo, pra combinar melhor.

A interatividade de cada músico com seu instrumento. Uma relação passional. Íntima. Verdadeira. O local para eu estar sentado não poderia ser melhor: no coro. Às costas da orquestra e de frente para a figura do maestro.

E que figura! Já em sua entrada, praticamente “Exige” as palmas de todos, inclusive dos músicos da orquestra, em pé. E isso depois te todos terem aplaudido o príncipe japonês e até o último casal “real” brasileiro: Fernando Henrique Cardoso, atual presidente da Fundação OSESP, e dona Ruth Cardoso.

O programa da noite era composto de duas obras: Johannes Brahms Concerto nº 2 para Piano em Si b maior, Op.83, que contou com o solista Joaquín Achúcarro, ao piano, e a

Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky.

Confesso: não conhecia essas obras. E isso não interferiu em absolutamente nada no sentido de me emocionar. Acredite. Essa é uma das magias da coisa.

Só a afinação dos instrumentos, antes da execução dos hinos nacionais de Japão e Brasil, nessa ordem, já me comoveu.

Ao final, nem a presença de um membro da realeza japonesa, nem dona Ruth e o erudito FHC, nada disso me marcou tanto quanto o maestro John Neschling. Nem o solista espanhol Joaquín Achúcarro e seu virtuosismo ao piano. O maestro, absoluto, detentor da batuta, do andamento e do sucesso de todo o concerto. Realmente me emocionei.

É também impossível assistir à interpretação de uma orquestra, e não pensar no compositor da obra. Cada detalhe, cada nuance, notas incidentais, variações de intensidade. Tudo milimétrica e emocionalmente pensado, e geralmente sem o uso de um instrumento sequer. Só caneta e papel pautado. E sentimento.

E os instrumentos? Timbres magníficos, sem eletricidade, sem equalização. Só a acústica pensada na sua construção, as horas de estudo do instrumentista e as divinas notas em seqüência na partitura.

Num momento desse você entende por que a música erudita atravessa os séculos e por que foi tão revolucionária ao tempo em que foi criada: ela continua moderna, insubstituível e, principalmente, emocionante!

quinta-feira, junho 19, 2008

Futebol, Charlie Parker e internet


O tema da caminhada noturna pelo parque da Aclimação foi sobre o jogo da seleção brasileira contra a Argentina.

Tá, a gente também falou do meu Palmeiras e o Agnaldo não se conteve em citar o "curintia" dele. Também falamos sobre a matemática que ele leciona, as condições do ensino público e por aí vai.

Chego em casa às 20h40 e vou cuidar da vida: texto pra escrever, guitarra pra estudar e o jogo.

Pô, mas ver um jogo da seleção depois do vexame contra o Paraguai? Que já foi depois do vexame contra a Venezuela? O Dunga parece estar fazendo força pra perder o cargo! Seremos atropelados pela Argentina!

Pra mim, o sentimento é dúbio:. Se esse o Dunga for bem, ele continua no cargo. Se for mal, ele cai fora...e é aí que meus problemas começam. O Luxemburgo diz que não, mas todos sabem que ele quer. Se o convite for feito... Já tá outra vez o meu Palmeiras sem técnico.

Pois bem. Era motivo suficiente pra torcer pela seleção. Contra a Argentina? Torcida em dobro. Mas eu estava adivinhando...

O texto pra ser escrito me chamava. O bate-papo na internet me tentava. E até a televisão, que nem sou muito chegado, deu de passar "Bird", no canal 76, se não me engano...

A história de Charlie Parker, intepretado por Forest Whitaker, dirigido por Clint Eastwood... "Crássicão" e também tentador... Dei uma zapeada no controle enquanto a turma do Dunga se preparava e já caí numa daquelas cenas memoráveis, de improvisação num bar enfumaçado... Numa mesa, uma mulher com um sex appeal muito particular, debruçada nos cotovelos, se apaixona pelo "negão" arrepiando seu saxofone.

Até pensei em ficar por ali mesmo. Mas aí não resisti. Voltei pro jogo pra ver a seleção...

Na hora do intervalo, a tentação da internet me chamou de novo... E dessa vez quase fiz a coisa certa: cheguei a me sentar no micro, preparar uma parte do texto e ia até logar... Mas dei mais uma chance ao Dunga...

E a Argentina também.

No final, Dunga finalmente conseguiu fazer a seleção jogar como ele quer. E isso me deixou ainda mais descontente. Aquele mesmo futebol de 1994, na base da força física. Dá jogada dura e da intimidação. E, pra tristeza geral, sem a criatividade. E olha que lá 94 tínhamos o Romário...

Pois é. Empatar com a Argentina é praticamente uma derrota. Pior: sem a derrota no placar, o cara ainda passa por bem-sucedido. Lastimável... E lá vai meu Palmeiras ficar sem técnico logo, logo. O Dunga tá mesmo fazendo por onde.

Devia ter ficado com o Bird ou com a internet. Ou na internet e ouvindo um Charlie Parker. Mas fica pra próxima. Pra mim vai ter... Não sei pro Dunga.

Paternidade


“Vocês vão ter um bebê? Aproveitem para dormir agora” era uma das frases que mais ouvíamos enquanto estávamos grávidos. Sim, grávidos, no plural e no masculino. Desde que a mulher reivindicou a igualdade sexual, o homem tem conquistado seu espaço no universo feminino. “Ter” um pouco da gravidez é direito adquirido, inalienável e irrestrito, mas isso é outra discussão...

Dormimos muito durante a gravidez – até mais do que o necessário, pra variar! – e a Sofia chegou. De fato, as noites maldormidas vieram com ela. Mas foram poucas. Bem poucas. E quem disse que noite maldormida é ruim? Na verdade, depois que o seu filho nasce, você nunca mais dorme como dormia antes. Nem mesmo naquelas noites em que a bebê não dá um gemido ou suspiro. “Está quieta demais. O que será?” Lá vai você de meia, pra não andar descalço e nem fazer barulho, de ponta de pé, até o berço, de madrugada. E não acha ruim. Aquela carinha dormindo... Um verdadeiro anjo...

É assim, entre um amor que não pode ser medido ou explicado e a constante preocupação de que tudo corra bem, você vai levando a vida e vendo uma vida passar bem diante de seus olhos. Ela começa sorrir, depois entender suas brincadeiras. Chorar, claro, também faz parte...

Tudo normal, como acontece com todo mundo. E como, no fundo, você sabia que seria com você! Mas você fica besta. E nem liga. Perde seu nome – agora, sou o pai da Sofia – e supera desafios que nunca pensou suportar. Com o pé nas costas...

É uma mamata! Ser pai é das coisas mais fáceis do mundo. Nem preciso dizer que é gratificante. S E N S A C I O N A L, assim, tudo maiúsculo e pausadamente pronunciado, também não é suficiente pra definir. Mas a paternidade não pode ser definida e não é pra ser explica. É pra ser sentida e, principalmente, apreciada!

Te amo Sofia!

segunda-feira, junho 16, 2008

Música, amor e videotape


Pois bem. Depois de meses resolvo ressuscitar o blog.

Não é que o trabalho não esteja corrido ou que agora tenha tempo sobrando. Muito pelo contrário.

Mas tirar meia hora por semana pra fazer um balanço da vida ajuda. Sei lá. Acho que deve ajudar.

No fundo, resolvi escrever por estava precisando.

Ontem, depois de uma briga homérica com o pessoal da NET, consegui reestabelecer uma TV a cabo decente em casa.

De cara, já tive a oportunidade de assistir ao filme Scoop. Pra começar, ver Hugh Jackman num papel que não seja pra salvar o mundo, ou coisa que o valha, é pouco comum. Mas o cabra segura a onda - Kate e Leopold e The Fountain - por exemplo.

Mas o que chama mesmo a atenção em Scoop, além é claro, da graciosa Scarlett Johansson e do velho Woody Allen no papel de Woody Allen, é a mirabolante história do filme.

Muito bacana, com a cara de Woody Allen...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Raridade





Tubarão de espécie rara e 1,3 m de comprimento é capturado no Japão, mas morre poucos dias depois; os tubarões-duende costumam nadar em águas profundas



A legenda acima acompanhava a foto em notícia divulgada no UOL.

O mais legal é que o bicho era raro e morreu quando capturado.

Sensacional o senso de relação e respeito com outros habitantes do planeta.

É raro. Raríssimo. Mas vale que morra para satisfazer nossa mera curiosidade.

Sem falar na ambiguidade do nome da espécie.

Ouvi falar tanto de efeito estufa nos últimos dias que chego a pensar: num futuro próximo será mais fácil acreditarem que você viu um duende do que um tubarão.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

A melhor cerveja dos últimos tempos


Ontem tomei uma cerveja daquelas que não tomava há tempos.

Na verdade, nem era cerveja. Era chopp, e era Antarctica - nem tão gostoso assim - mas estava um fim de tarde com aquele solzinho sensacional.

Enfim, o chopps (bem no plural mesmo) desceu fazendo redemoinho.

No mais, estava na sempre boa companhia do amigo Hamilton, outro motivo especial para ser um chopps - ó o 'S' aí novamente - SENSACIONAL