sexta-feira, novembro 14, 2008
Feel good band
Dois posts abaixo falei sobre um papo com o mano Hamilton e os Feel Good Songs, aquelas músicas que te levantam o astral. Comentei que o que gerou a discussão foi uma música do R.E.M. E, se você não leu, pode fazê-lo depois de acabar aqui. É sexta-feira, né? Dá pra dar uma enrolada no trampo...
Mas voltando ao R.E.M., eis que na terça-feira o já exaustivamente mencionado amigo me liga pra saber se conseguiria ir ao show com ele. Não sou fã de R.E.M. Conheço algumas músicas. Não tenho nenhum CD deles... Mas gosto. Moderadamente. A voz do Michael Stype é bem boa mesmo. E, no quesito originalidade os caras são mesmo bons. Conhece alguma outra banda que soe parecido com eles? Pois é...
Eu não ia no show, mas diante do convite me animei, mas o credenciamento estava encerrado. A Miroca, do Via Funchal, não tinha nem um convitinho pra fornecer a um jornalista. A profissão já deixa subentendida a falta de recursos para ver um showzinho... Mas ela tem as compensações. Além de permitir que eu dirija, às vezes, carros que só compraria se mudasse de ramo, também oferece mimos bacanas como ver o show do R.E.M. convidado pela Volkswagen! O telefonema chegou exatamente quando desliguei da Miroca em busca de uma entrada, é mole? Era um sinal.
O camarada ficou feliz com a companhia e lá fomos para o Via Funchal apreciar o som singular e as letras sentimentais do engajado grupo da Geórgia. Ele estava empolgado. Eu, interessado na cerveja - seis pratas por uma latinha é uma verdadeira extorsão, mas quem tá na chuva...
Com copo na mão, bigode de espuma e o gosto da cerva na boca, circulo em meio ao mais diversificado público que se pode imaginar num show de rock. Estranhamente todos têm o mesmo semblante de gente feliz. Vou a muitos shows e sempre encontro de "wanna be" a metaleiro deprimido, passando por tiozinho deslocado e coroas manguaçadas - a observação é um hábito que se pratica com afinco quando se circula na platéia de shows de rock; todo mundo quer ser visto e faz o possível pra isso.
A banda entra. Um par de guitarras Rickenbacker - como as usadas por Lennon e Harrison, nos Beatles - dá o tom peculiar do grupo que só tem 'sono' no nome. O vocalista entra feliz e de franga solta - desde que saiu do armário ele realmente parece mais feliz com a vida - e põe sua voz a serviço de uma canção desconhecida pra mim, mas não menos empolgante que as que aprecio.
Ao final da primeira me vejo obrigado a comentar. "Há tempos não me dedicava a apreciar um show de canções em de vez de prestar atenção aos virtuosismos e solos. Ainda bem que eu vim."
Depois dessa música, vários hits. "Drive", "One I love", "Everybody hurts", "Imitation of life" e muitas outras. Os caras entedem de show ao vivo. O volume não exagerado permitia a perfeita compreensão dos detalhes sem a perda da pegada roqueira. Ponto pra banda e pra casa. Shows com som ruim são praxe no Brasil...
Aos poucos comecei a cantarolar as que conheço e quando percebi estava bem empolgado com "Is the end of the world". Ao final do refrão, com um soco de esquerda no ar e já depois do segundo copinho da tal cerveja da marca "tungo", me liberto gritando o "...and I feel fine.."
Nessa hora, um insight. R.E.M. é uma Feel Good Band! Não houve uma só canção tocada durante a hora e meia de show que não tenha empolgado o público. Mesmo as mais deprês baladas de letras tristes que nos fazem pensar acabam deixando uma sensação de bem estar.
E assim foi até o hit "Losing my religion", uma das últimas, que lembrou os bailinho de escola ginasial e as danceterias da adolescência.
Um show emocionante, com direito a incusões políticas mencionando a vitória de Obama nas eleições americanas e frase de impacto sem o engajamento excessivo de Bono e sua turma.
Os caras sabem mesmo fazer música. Seguem a receita à risca para que a canção cumpra seu objetivo: fazer com que as pessoas se sintam bem, mesmo enquanto esperam o fim do mundo.
segunda-feira, novembro 10, 2008
Another Day
Acontece que eu não gosto de um dia igual ao outro.
Acontece sempre, aliás.
Mas acontece também de não gostar do dia diferente.
São os riscos de viver...
E quando acontece de você gostar tanto de um dia que fica querendo repeti-lo eternamente?
Afinal, existe um dia igual ao outro ou é a gente que é igual dia após dia?
quarta-feira, outubro 15, 2008
Feel good songs
Noutro dia estava no carro com o Hamilton e no rádio começou tocar "Imitation of life", do R.E.M. Ele então comentou que considera essa música - que está no vídeo 'gentilmente' cedida pelo Youtube - um dos grandes exemplos de Feel Good Songs.
Concordei discordando. Shine Happy People, do mesmo R.E.M., me parece ter mais a cara...
E então passamos a falar sobre o conceito de Feel Good Songs me lembrei da Daisy, que descobriu Crushing Day, do Joe Satriani. "Ouço essa música quando me levanto e ela me enche de ânimo", me confessou uma vez. "Está até no toque do meu celular."
Como também considero a composição do guitarrista uma injeção de energia no meu dia-a-dia, citei-a como exemplo, ao que o Hamilton rebateu: "Tem de ter letra pra ser Feel Good Songs"
Encerramos o assunto naquele dia. Eu, depois, ouvi e assisti ao vídeo da música do R.E.M. e concordo com o Hamilton que ela é de fato um Feel Good Song. Mas insisto: isso não tem a a ver com a letra, mas com as sensações que a canção nos desperta. Faça o teste. Deixe carregar o vídeo e ouça. Sinta o bem-estar e uma felicidade diferente invadirem o seu corpo. Depois, ouça de novo, olhando a letra aqui ó: http://www.cifras.com.br/traducao/rem/imitation-of-life
Tudo bem que a citação de cana-de-açúcar sugere mesmo um "doce" extra na vida, mas a sensação vem mais da melodia do que letra, não?
Pelo sim, pelo não, vai aqui embaixo um vídeo do Satriani tocando a Crushing Day, que, pra mim, pra Daisy e certamente pra outras tantas pessoas, é, sim, um Feel Good Song.
sexta-feira, outubro 10, 2008
Animais na labuta
Aqui na redação trabalhamos comO animais! É fato, há tempos conhecido. Pois então... Dá uma olhada na foto aí e note que agora também trabalhamos COM animais. Essa aí é a Rita, o bull terrier do Badu, nosso chefe aqui na redação. Digo o Badu, não o bull terrier, ok?
Ele mudou de casa pra apartamento e enquanto não consegue um lar para a Rita ela vai morar aqui. Eu espero que ele consiga logo. Estou criando laços afetivos com um cão... Coisa que pensei jamais fosse acontecer. Pior que isso. Estou criando uma relação com um bull terrier... Coisa que quem me conhece sabe que é (era) impossível...
Pois então é isso. A Rita está aqui conosco diariamente, já faz parte das piadas e tomou o lugar de mascote da redação do Melancia, o André, que aparece com esse blusão todo manchado aí na foto. E ele que não se cuide, não... Vai que a Rita começa a querer fazer matéria...
Bom, na foto também estão o Badu, dono do cão, pra garantir a integridade física enquanto posávamos, o Rafael, outro repórter daqui, e eu.
Mas diz aí se a Rita não é de longe a mais simpática de todos?
sexta-feira, outubro 03, 2008
Eu falei MPB!
Há mais de um ano a MTV exibia a primeira temporada de Tela Class, um quadro dentro do esculachado programa Hermes & Renato.
A idéia nem era original dos caras. Já vi em canais gringos o mesmo tipo de programa e até Chico Anysio tinha uma esquete chamada Chico City como esse recurso em seu programa.
Lembro de várias tardes no final dos anos 80, na casa do brother João Carlos, à frente da televisão com o volume zerado, e ouvindo discos (não eram CDs) de rock. De Led Zeppelin a Pink Floyd, Deep Purple, Whitesnake. A TV geralmente um filminho na saudosa (será mesmo?) Sessão da Tarde. E basta um sujeito botar a mão no braço, pra um de nós brincar e fazer uma voz de dublagem mexicana com alguma bizarrice tipo "Ai, meu braço, carai". Gargalhadas gerais e voltámos a olhar a capa do vinil, discutir a arte ou um solo de Jimmy Page. Bons tempos...
Mas voltando ao Tela Class, os caras pegam filmes desconhecidos, editam as cenas e re-dublam, criando roteiros muitíssimo engraçados. Besteirol total, mas muito divertido...
No ano passado era o assunto matinal na editora. A primeira pergunta do dia para o Waltão (ou dele pra mim) era sempre: "Viu Tela Class, ontem? Sempre seguida de risadas...
E elegemos nossos episódios favoritos. Depois de um tempo, começaram a pipocar no Youtube e assistíamos dezenas de vezes às mesmas cenas, rachando o bico.
Depois de um tempo, os episódios começaram a ser repetidos e deixamos pra lá...
Eis que me lembrei ontem do melhor trecho que vi num Tela Class e resolvi assistir novamente. É tão bom que resolvi compartilhar aqui...
Deixe carregar e diverta-se...
Ah, se quiser procurar outros episódios e saber mais, aqui, ó: (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tela_Class) há uma lista completa...Até os títulos me fazem rir...
Mas acho que o melhor mesmo em Tela Class é se perguntar: aonde os caras encontram esses filmes tão toscos? E mais que isso: quem gasta dinheiro pra fazer um filme bisonho desses?
Por fim, sempre tenho dúvida se o episódio com o áudio original não é ainda mais esdrúxulo que o dublado pelos caras do Hermes & Renato.
É isso. O importante é não perder o humor!
quarta-feira, outubro 01, 2008
Musa eterna

Pare tudo o que você está fazendo nesse momento. Escute essa música que tá rolando. O quê? Não tá rolando música nenhuma? Nem na sua cabeça? Aquele refrão da música que ouviu nessa manhã ou no carro agora há pouco não está martelando na sua mente? Duvido!
E aquelas vezes em que você e outra pessoa ocupam o mesmo ambiente, ouvem a mesma música e horas depois se surpreendem cantarolando o mesmo trechinho? Já rolou né? Tenho certeza. Essa é uma das magias da música!
Então, se não está rolando nenhum som aí onde você está agora, abra o Youtube e digite lá o nome de seu artista preferido. Tire uns 3 minutos pra ouvir um som. Você merece!
E hoje, dia primeiro de outubro é o Dia Mundial da Música. Vamos reverenciá-la, afinal ela faz parte de nossas vidas. Mesmo das vidas daqueles que (pensam) nem gostam muito de música!
Já reparou que há canções que te transportam direta e imediatamente para o lugar onde você estava na primeira vez que a ouviu? Tente se lembrar da música que ouviu quando beijou quem ama. Se conseguir lembrar, vá atrás dela e ouça... A magia do momento vai voltar imediatamente. A sensação vai durar menos que os 3 minutos da canção, mas vai ser bem boa. Eu garanto!
É isso! Vamos então ouvir alguma coisa e viva a maravilha que é termos a música em nossas vidas!
Noutro dia li um artigo de uma excelente jornalista - que nem gosta mais desse texto - que dizia: Não há como pensar em um mundo sem música.
Assino embaixo!
terça-feira, setembro 23, 2008
Palavras cruzadas

Gosto de ficar sozinho às vezes. Geralmente penso em muita coisa nessas horas. Ontem li uma frase muito boa sobre isso: "Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia." E pensei nela enquanto caminhava até o metrô nessa manhã, depois de uma longa e boa conversa com uma amiga. Aliás, as reflexões que faço nesse trajeto depois dessas nossas conversas são quase sempre tão boas quanto as próprias conversas.
Eis que pensando no desdobrar do livro adentro o vagão do metrô e me deparo com um sujeito lendo um livro que gostei muito. Imediatamente me lembrei da última frase do livro. E isso é raro, hein? Acho mesmo que é um dos finais mais legais que li. E como se dissesse qual o livro não poderia citar o final, prefiro o contrário:
"Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas defora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco."
Sensacional! E olha que li isso há pelo menos cinco anos... Então comecei a pensar em como essa passagem me marcou e concluí que ela mostra a que grau de degradação pode chegar um porco...
Pois bem. Pensando em como o ser humano se mostra escroto em determinada situação me lembrei de imediato do Ensaio Sobre a Cegueira, do José Saramago, que mostra bem isso... Preciso ver o filme feito pelo Fernando Meirelles com urgência... mas isso é outra história.
Cito aqui o Ensaio porque é o livro que tem dos melhores começos que já li. A idéia era reproduzir aqui o primeiro páragrafo, mas como se trata de Saramago e sua particular pontuação e articulação, vai o trecho:
O disco amarelo iluminou-se. Dois dos automóveis da frente aceleraram antes que o sinal vermelho aparecesse. Na passadeira de peões surgiu o desenho do homem verde. A gente que esperava começou a atravessar a rua pisando as faixas brancas pintadas na capa negra do asfalto, não há nada que menos se pareça com uma zebra, porém assim lhe chamam. Os automobilistas, impacientes, com o pé no pedal da embraiagem, mantinham em tensão os carros,avançando, recuando, como cavalos nervosos que sentissem vir no ar a chibata. Os peões já acabaram de passar, mas o sinal de caminho livre para os carros vai tardar ainda alguns segundos, há quem sustente que esta demora, aparentemente tão insignificante, se a multiplicarmos pelos milhares de semáforos existentes na cidade e pelas mudanças sucessivas das três cores de cada um, é uma das causas mais consideráveis dos engorgitamentos da circulação automóvel, ou engarrafamentos, se quisermos usar o termo corrente.
O sinal verde acendeu-se enfim, bruscamente os carros arrancaram, mas logo se notou que não tinham arrancado todos por igual. O primeiro da fila do meio está parado, deve haver ali um problema mecânico qualquer, o acelerador solto, a alavanca da caixade velocidades que se encravou, ou uma avaria do sistema hidráulico, blocagem dos travões, falha do circuito eléctrico, se é que não se lhe acabou simplesmente a gasolina, não seria a primeira vez que se dava o caso. O novo ajuntamento de peões que está a formar-se nos passeios vê o condutor do automóvel imobilizado a esbracejar por trás do pára-brisas, enquanto os carros atrás dele buzinam frenéticos. Alguns condutores já saltaram para a rua, dispostos a empurrar o automóvel empanado para onde não fique a estorvar o transito, batem furiosamente nos vidros fechados, o homem que está lá dentro vira a cabeça para eles, a um lado, a outro, vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos da boca percebe-se que repete uma palavra, uma não, duas, assim é realmente, consoante se vai ficar a saber quando alguém, enfim,conseguir abrir uma porta, Estou cego.
É fantástico! Recomendo essa leitura. E como pensei num livro com final DU CARALHO e em outro com começo SENSACIONAL, acabei me lembrando do Machado e entendi finalmente a grandiosidade do homem!
A lembrança não foi à toa. Por ocasião do centenário da morte do escritor tenho lido muito sobre Machado. Aliás, li mais SOBRE o Machado do que li O Machado e definitivamente isso não é um bom sinal...
Um cara que abre uma obra com isso:
Ao verme
Que
Primeiro roeu as frias carnes
Do meu cadáver
Dedico
Como saudosa lembrança
Estas
Memórias Póstumas
E encerra com
Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
Dispensa comentários, né não?
P.S.: O amigo Valmyr também já citou como abertura predileta a da obra "Memórias Póstumas de Braz Cubas"
Palhaço trapezista
segunda-feira, setembro 22, 2008
Presente ideal

Desde garoto fico um pouco nostálgico quando faço aniversário. Sempre fico envergonhado quando as pessoas me dão os "parabéns".
Claro que adoro receber abraços e felicitações dos amigos e parentes, mas sempre fico com vergonha de ter de fazer o outro "se lembrar e ter o trabalho de me parabenizar".
É uma sensação estranha, eu sei. Como disse no post anterior, nesse sábado fiquei mais velho e foi bem legal receber alguns amigos e aparentes que puderam dedicar um tempinho pra aparecer lá em casa.
Nessas horas eu gosto de fazer aniversário, né? Aliás, é mesmo uma bobeira essa sensação. As pessoas te badalando, abrançando e beijando e você ainda se sente "envergonhado"? Que isso..
Sem falar nos presentes, né? Os amigos Bia e Marcelo, por exemplo, me deram um livro Calvin e Haroldo. Adoro ganhar livros (quem não gosta, né?). E gosto de comprá-los também. Entretanto, numa visita à livraria, dificilmente compraria um Calvin e Haroldo. Não que não goste. Pelo contrário. O inventivo garoto e seu intrépido amigo tigre são sempre divertidos e hilários, mas é que o orçamento não permite extravagâncias e sempre há um livro interessante na fila... Você sempre acha melhor gastar com um título "mais sério".
Sendo assim, Calvin e Haroldo é o tipo de livro que se não fosse ganhado dificilmente iria parar na minha estante.
Uma grande bobagem de minha parte. Ainda bem, corrigida pelo casal amigo, que escolheu o presente ideal... E isso se confirmou nas leituras das tirinhas desde sábado...
domingo, setembro 21, 2008
Mesmos hábitos
—Como se sente mais velho?Perguntou o amigo Hamilton, ontem, dia do aniversário de 32 anos.
—Até me sinto mais velho. Mas não me sinto velho!
Usou o joguinho retórico pra brincar e acabou refletindo a noite inteira sobre isso...
"O que é ser velho?" "E o que é ser mais velho?"
E porque não chegou a conclusão interessante ou plausível, esse astronauta, de fato mais velho desde ontem, resolveu ilustrar o post com foto tirada em uma das últimas missões, num outro momento de reflexão...
quarta-feira, setembro 17, 2008
Nostalgia da modernidade
Revistas costumam comemorar aniversários de décadas com matérias retrospectivas, mostrando o que publicaram ao longo da trajetória. Mas a americana Esquire (essa aqui, ó: http://www.esquire.com/) chegou às bancas comemorando seus 75 anos de existência com uma edição que aponta o futuro. Os caras resolveram mostrar como aparentemente serão as capas e o conteúdo de uma publicação daqui a algum tempo. Em vez de papel e tinta, tecnologia! Já no editorial da publicação o sugestivo título 'O século 21 começou!' Muito interessante!
Não dá pra explicar direito. É melhor assistir ao videozinho aí, encontrado no Blog bacana do Felipe Machado, do Estadão, (esse aqui ó: http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/) e entender!
O que dá pra perceber é que depois de alguns avanços nós não vamos mais comprar o jornal ou revista. Vamos apenas renovar o conteúdo digital de um suporte parecido com o que aparece no filminho. Veja aí, divirta-se e que venha o futuro, então! Mais dinâmica, menos árvores cortadas, menos lixo nas ruas...
segunda-feira, setembro 15, 2008
The great gig in the sky

Há muito tempo sou um dos que esperam a vinda do Pink Floyd para o Brasil. A história já virou até lenda. Ano após ano surge um boato de que o grupo inglês virá finalmente ao nosso País para um show aguardado por mais 30 anos!
O grupo se separou em 1980 e desde então os fãs brasileiros sonham com uma reunião e uma aparição deles por aqui.
Em 1988, quando a banda - sem o baixista Roger Waters - se reuniu para a turnê "Delicate Sound of Thunder" uma esperança surgiu, mas logo foi apagada. E assim se passaram quase 20 anos e nada de o Floyd se apresentar no Brasil.
Roger Waters esteve aqui com seu 'In the Flesh', aliás, um dos melhores shows que já vi na vida - e olha que não vi poucos shows, hein... Mas ainda assim não era o Floyd. Não era o baterista Nick Mason, concentrado e reto. E nem o charmoso e temperamental tecladista Richard Wright. Muito menos o grande guitarrista David Gilmour empunhando sua linda Fender Stratocaster vermelha com escudo branco. Não era.
Em 2005, praticamente uma gig, como se diz no jargão de músicos, ou seja, uma reunião de músicos sem compromisso, agrupou os caras, com Roger Waters e tudo, para o projeto Live 8.
Apesar da cara visivelmente desconfortável de David Gilmour em dividir o palco com Waters, os comentários começaram a aflorar: o Floyd vai voltar com a formação original! Fogo de palha, que passou, mas ainda deixou os fãs com uma esperança.
Na tarde dessa segunda-feira, quando informei o amigo Sandro - o maior fã d
e Floyd que conheço! - da morte do tecladista Richard Wright, ele foi categórico, mas ainda assim, com a esperança de um fã: "Que pena! O sonho agora está mais distante."É assim. Nem a morte de um membro fundador afasta dos fãs a esperança de uma visita do Floyd ao Brasil... Me lembro bem de uma aula de filosofia lá no colégio sobre o conceiro de Morte. Não chegamos a nenhuma conclusão plausível, mas eu aprendi, naquele dia, o significado da palavra inexorável. Quem sabe um show do Floyd por aqui também não seja, digamos, inevitável?
Bom que fosse. Por enquanto, fiquemos com a sensacional "The Great Gig in the Sky", do maravilhoso disco "Dark Side of the Moon". A música é bastante apropriada como homenagem ao tecladista que morreu hoje, aos 65 anos. Além de Richard Wright ser praticamente o solista da música, com seus pianos e teclados, foi exatamente assim que eu o imaginei quando li sobre sua morte: numa grande gig lá no céu...
quinta-feira, setembro 11, 2008
Meninos, eu vi!

Sempre penso nas pessoas que eram jovens ou adultos em épocas de grandes acontecimentos históricos. Deve ter sido sensacional presenciar eventos importantes do século XX, por exemplo. A revolução Russa, o advento do cinema e depois da televisão. Descobertas incríveis da humanidade que mudaram a história pra sempre. Nessas reflexões concluo que raras vezes os observadores da história "em movimento" se dão conta da grandiosidade do fato observado – salvo, claro, aqueles diretamente envolvidos em cada questão.
Bom, sendo de uma geração nascida em meados dos 70, eu tenho poucas lembranças de ter visto nascer coisas REALMENTE importantes para a humanidade. Já falei aqui da espécie de anacronismo que sinto quando considero as coisas que gosto e a época em que nasci. Adoraria, por exemplo, ter sido adulto na década de 80... Tanta coisa legal – o cubo mágico e o hard rock americano, só pra ficar nos mais evidentes – e eu era muito garoto pra curti-las...
Essa sensação de não ver nascer coisas importantes para o mundo tem um pouco a ver com isso.
Mas me orgulho, por exemplo, de ter visto a Internet nascer. Eu faço parte praticamente da primeira geração de usuários – e pude acompanhar o brutal crescimento dessa mídia. Outra coisa legal que vi foi o advento do celular. Sensacional! Mudou mesmo a vida da humanidade. Como disse, não vi a chegada da TV, mas nem ligo. Prefiro a TV de agora, então não penso que tenha perdido muita coisa...
A chegada do homem à Lua sim. Essa eu queria ter visto ao vivo. Deve ter sido mesmo incrível - principalmente para aqueles astronautas, hein? Também presenciei o 11 de setembro, que pensei mesmo ter sido, apesar de trágico, um fato daqueles que mudam a história pra sempre, entretanto, hoje, 11 de setembro, a humanidade parece preferir esquecer esse dia. Nem o New York Times fez referência à data. Olha a capa de hoje: http://www.nytimes.com/indexes/2008/09/11/pageone/scan/index.html
Talvez não seja mesmo uma boa idéia ficar mexendo em feridas, ainda mais essas não totalmente cicatrizadas, como sabemos.
Mas esse não é um post sobre relações internacionais e sim sobre as descobertas e eventos da humanidade que realmente fizeram diferença na história.
E ontem foi o dia de colocar pra funcionar o LHC, o grandioso acelerador de partículas construído entre a França e a Suíça, que deve provocar colisões entre partículas em deslocamento à velocidade da luz e estudar as energias liberadas nessas “trombadas”.
Sou impressionado com a magnitude do projeto: um túnel circular com quase 30 quilômetros e que levou mais de 20 anos pra ser construído. E me excitam os possíveis resultados. A idéia é observar os primeiros “momentos” – microssegundos – após essas colisões, estudar o que pode ser uma simulação do “big bang”, pra descobrir como o universo se comportou nos seus primeiros passos de existência... A busca é pelo chamado Bóson de Higgs, uma partícula inédita e hipotética, de importância inversamente proporcional a isso: ela será a prova do modelo da Física atual. Olha a definição para mortais como nós: http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%B3son_de_higgs
Desde a primeira vez que li sobre o LHC pensei duas coisas: a primeira é que queria ver isso de perto. Não deu, né? Mas olha o filminho que eu achei mostrando como foram os testes...
A segunda constatação foi que esse LHC poderia abrir um buraco negro que engoliria a própria Terra. Mas aí achei que eu estava mesmo sendo alarmista e paranóico. Ontem, entretanto, fiquei sabendo que esse medo não era uma exclusividade minha. Olha o texto publicado na Folha On Line: www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u443261.shtml
Bom, é isso. O LHC funcionou, partículas colidiram, o bóson de Higgs não pintou, e também não se criou nenhum buraco negro. Mas é assim. No futuro saberemos da importância dessa máquina. O importante é o seguinte: a busca por nossa origem deu ontem um passo gigantesco e eu (e você também) presenciei esse fato.
(Des) agosto se foi...
É isso. Não é o que diz a canção? “Quando entrar setembro/E a boa nova andar nos campos/Quero ver brotar o perdão...” Ouça aí!
segunda-feira, agosto 18, 2008
Adeus, Caymmi

Nunca estive na Bahia. Pra falar bem a verdade, do Nordeste inteiro, conheço Sergipe, onde estive quando tinha menos de dois anos de idade, e Pernambuco, onde fui a trabalho num rapidíssimo par de dias. Em breve, vou pra Fortaleza, no Ceará, também pra trabalhar.
Mas ainda não conheço a Bahia! E tive saudade da Bahia. Sim! Em todas as vezes que toquei (tentei tocar, é melhor, né?) “Saudade da Bahia”, de Dorival Caymmi, senti mesmo uma pontada de emoção, uma vontade de conhecer o que tanto tinha encantado o compositor.
Ai, se ter saudade é ter algum defeito
Eu pelo menos, mereço o direito
De ter alguém com quem eu possa me confessar”]
“Vejam que situação
E vejam como sofre um pobre coração
Pobre de quem acretida
Na glória e no dinheiro para ser feliz”
Gosto mesmo dessa música. E de outra meia-dúzia por ele composta. Lembro-me de aos 13 anos, numa viagem à praia com um amigo da escola, o Pantcho, de dizer a ele, enquanto estávamos lá no fundo onde nem dava pé, que aquilo me lembrava Dorival Caymmi. Ele perguntou qual a música...
“É doce morrer no mar” cantarolei. E ele respondeu, saindo de braçada para o raso, “Sai fora, Heverton!”
“Não pinte esse rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina, você já é bonita
Com o que deus lhe deu”
No final, peguei um gosto especial pela canção, quase certo pelo trecho:
“Eu já desculpei muita coisa
Você não arranjava outra igual
Desculpe, marina, morena
Mas eu tô de mal”
O ‘de mal’ do final é tão nordestino, que me lembrava mesmo minha infância, com minhas vizinhas maquiadas e meus tios e tias recém-chegados de lá. ‘Nossa, essa frase é bem baiana’, pensei logo que ouvi.
E sempre que posso paro pra dar uma ouvidinha nos versos de Caymmi. Quando soube de sua morte imediatamente pensei na Marina e em seguida tive saudade da Bahia!
sexta-feira, agosto 15, 2008
Solos e solos
Bom, ele está aqui simplesmente porque estou ouvindo no carro o CD Vamo batê lata - bom pra caralho - e me lembrei de quanto gosto do solo de "Lanterna dos afogados". É um dos mais bonitos que já ouvi na vida e sem dúvida um dos melhores da guitarra nacional!
Curta o Paralamas e se não quiser ouvir a música inteira, deixe carregar e pule para o frame 3:20, é quando começa o referido solo... E a Paula Toller chegou a dizer que os solos de guitarra do cara não iam conquistá-la, hein?
Falando em solos de guitarra, você também vai reparar que logo abaixo aparece o mestre Satriani com sua mais famosa música, "Always with you, always with me". Outra aula sobre a arte e o prazer de tocar esse instrumento que, já deu pra perceber, eu tanto gosto!
Mas não é muita coisa dois posts com solo de guitarra seguidos? Também acho! Mas se você leu o post sobre o problema com as cores no blog e viu que o azul berrante sumiu definitivamente, entendeu que o tal servidor do Blog resolveu se acertar comigo, né?
Pois é. Ele também resolveu botar no ar esse post do Satch, que foi feito há semanas e por algum motivo que só o nosso amigo servidor conhece não entrou no ar.
As cores estão certas agora. Adoro o Satriani e o Paralamas do Sucesso. Então, posso dizer que realmente não tenho do que reclamar! Divirta-se...
Lado negro da força

Os poucos freqüentadores assíduos desse blog já devem ter notado a salada de cores que a página de abertura virou... Por um problema técnico, as lista de posts anteriores e de blogs vizinhos aparecem em letra 'azulejantemente' gritante! Um horror, eu sei! E já tentei de tudo. HTML – conheço bem pouco, mas a ferramenta é bem pra chimpanzé mesmo – mudança de tipo de Esquema do blog... Tudo que se possa imaginar. Na verdade, consegui melhorias. Quem clica em qualquer post antigo vê as novas cores, (bem) mais amenas e tals... Mas na maldita página principal, só o azul berrante – passa perto de exuberante, mas não é. Nem um pouco...
A solução teria de ser mesmo radical. Um blog com fundo branco ou cinza agrediria muito menos a vista do visitante...se é que ele vem mesmo...
Mas a opção pelo fundo preto não é meramente estética. Quem conhece o Blackle, versão negra da ferramenta de pesquisas mais usada no universo, o Google, sabe! Telas pretas economizam energia. A explicação requer pesquisa mais apurada... Por hora, basta dizer que pra exibir uma tela branca o monitor do seu computador gasta MUITO mais energia do que pra mostrar uma tela preta... A minha ferramenta de busca no Favoritos é o Blackle, já há um bom tempo. Quem quiser tentar a sorte, é aqui ó: www.blackle.com/
É quase igual, mas quando você procura resultados 'no mundo'. Para páginas em português a coisa complica... Mas o pouco que você economizar já é válido, né não?
Há outras opções nesse sentido. O meu wallpaper, mesmo, já foi removido. Uso a opção “NENHUM”. E onde escolho a cor do tal ‘nenhum’ optei pelo preto. Há nisso também um gosto pela cor. Adoro preto...
Bom, tudo isso pra explicar o seguinte: agora, tento um azul marinho – meio tosco também, eu sei – e vou deixar uns dias pra ver o que acontece com o “azulberrante” das listas laterais.
De qualquer forma, se você passar por aqui numa outra ocasião e encontrar o blog com fundo branco, não se assuste. Você não terá entrado no endereço errado. Será apenas o indício de que a minha paciência perdeu a briga em tentar acertar essas cores.
Por outro lado, se vir uma tela com fundo preto, você terá três certezas: eu venci essa “pequena guerra” contra um sistema em fase de testes; você está no endereço certo e por fim: eu estou economizando a energia que posso!
Ah, só pra lembrar, quando deixar sua mesa pra fazer qualquer coisa por aí, desligue o monitor... É só questão de hábito.
segunda-feira, agosto 11, 2008
Ela viu o mar
Foi na semana passada. Uma imagem de emocionar. A pequena Sofia conheceu o mar e ficou perplexa. Uma contemplação sigilosa. Silenciosa. Concentrada, até. Estávamos em Ilhabela, na casa gentilmente cedida pelo amigo Hamilton - ele já apareceu aqui e vai aparecer mais vezes...
Foi um final de semana relaxante. Até sem sol, foi revigorante. A tranquilidade e a distância da grande metrópole me fizeram muito bem, mas o melhor momento foi mesmo o grande encontro.Sempre fui fascinado pelo mar e seu tamanho. E fiquei comovido em ver a primeira impressão da Sofia diante daquela imensidão.
Antônio Calado usou em seu Quarup a metáfora de que o índio é um homem em branco, como um livro, a ser escrito. Imaginei na hora a mente da pequena Sofia absorvendo aquela informação visual pela primeira vez.
A carinha séria me faz pensar que foi um processo de bastante surpresa e emoção. Ela nunca fica tanto tempo parada diante de algo... Está sempre se mexendo e geralmente rindo – aliás, com um sorriso lindo.
Isso vai ficar pra sempre com ela. Tenho certeza. Estive em Sergipe, terra de minha mãe, quando era bem criança. Menos de dois anos de idade. Não lembro de nada, a não ser do vestido amarelo de detalhes que minha tia vestia - era a mesma estampa da malinha mágica do gato Félix, que eu adorava - e do mar. Uma onda, na verdade...mas me lembro, e olha que faz muito tempo.Tenho certeza de que a Sofia vai carregar aquele instante na memória. E eu também. Foi mesmo mágico. O mar conheceu a Sofia e ela o contemplou. Eu estava lá. Vi o mar como nunca o tinha visto antes. E conheci uma Sofia que ainda não conhecia.
quinta-feira, agosto 07, 2008
Centenário da imigração
Então, o cara aí em cima é o Eddie Van Halen, guitarrista da banda que leva seu sobrenome. O primeiro disco da banda saiu em 1978 e botou pra quebrar. Pelo anacronismo que já citei lá no post do Watchmen, eu só tinha dois anos de idade e não pude ouvir :(, mas imagino o que aconteceu com quem ouvia rock nesse ano e se deparou com o esse disco.
A história da guitarra é dividida em antes e depois dele, só pra começar a conversa...
Eddie mostrou ao mundo uma nova linguagem para o instrumento, algo só visto quase 20 anos antes, com Jimmi Hendrix.
Alavancadas, harmônicos, riffs de cordas soltas, os tappings (mão direita batendo no braço da guitarra) e as passagens ultra-rápidas, batizadas pela imprensa especializada da época como “shredding guitar”. Olha aqui a definição: http://en.wikipedia.org/wiki/Shred_guitar
Se você está se perguntando por que eu tô falando tudo isso, pra que te importa saber o que é shred, e o que isso tem a ver com o título do post, eu também não sei.
Mas hoje, aqui na redação, o amigo Walter estava assistindo a um vídeo de dois japoneses malucos que arrasam num tradicional instrumento japonês. Os caras tocam de uma maneira bem diferente, que deve fazer arrepiar os cabelos dos orientais mais tradicionais. Eles até gravaram as trilhas para um jogo de Nintendo Wii.
Eis que chego perto do Waltão e pergunto: “Cara o que é isso que você está vendo?”
A resposta, curta e grossa, inspirou um post: “São os shreds do okotô!”
Sensacional!
quarta-feira, agosto 06, 2008
Soneto
Li há pouco na net que o The Verve resolveu voltar depois de 10 anos.
Caramba, faz tudo isso que os caras saíram da ativa? Estou surpreso! Ainda outro dia ouvia algumas boas canções desses ingleses e pensava que a banda tinha acabado havia cerca de três ou quatro anos no máximo. Pois é.
A supresa me fez pensar na música dos anos 90. Agora, vista daqui dos anos 2000 – quase fim deles –, até que foi bem boa. Na época, não parecia tão legal ou importante. Quando surgiu o Radiohead, por exemplo, não dei a menor atenção. Estava mais ligado nos rocks dos anos 70 e nas MPBs de Caetano e afins – alguém pensou em Kleber Albuquerque?
De qualquer forma, o The Verve, aclamado à época como a grande maravilha pós-moderna da música rock até que agradava. “Bitter Sweet Symphony”, já do terceiro disco (1997), é uma boa música, muito embora o nome seja melhor ainda, e a participação dos Stones Jagger e Richards, em sample, dê aquela abrilhantada...
Mas a minha predileta desse disco – e dessa banda – sempre foi Sonnet. Ela mostra toda a tristeza e delicadeza do cérebro Richard Ashcroft, guitarrista, vocalista e líder do Verve. No final, nem no seu aclamado disco-solo ele conseguiu expor tão bem os seu interior...
A música está aí no vídeo “gentilmente” cedido pelo Youtube. O mais legal é que essa faixa me faz pensar no nome da banda, mas em português, mesmo.
O Houaiss explica:
Acepções
■ substantivo feminino
1 entusiasmo e inspiração que animam a criação e o desempenho do artista, do orador, do poeta
O curioso é que em dicionários de inglês, a palavra está mais relacionada com vivacidade. Olha o Michaelis:
n 1 verve, entusiasmo, arroubo. 2 vivacidade. 3 energia.
Há de se concordar que em português o nome faz mais sentido. Ou não, como diria o outro – vocês sabem quem...
Clique no vídeo porque Sonnet é mesmo uma boa música. E foi pra isso que esse post foi feito!
terça-feira, agosto 05, 2008
Parabéns, pai!
Hoje é aniversário do Cidão! Um cara muito importante na minha vida, sabia? O primeiro e único herói que tive - nossa, preciso assistir ao Batman...
Mas herói de carne e osso, mesmo, só o Cidão! Ele está fazendo 56 anos e me dei conta que o tempo realmente passa. E rápido. Ele já tem um filho de 31 anos... Mas ainda é - sempre será - "O" cara. Centrado, calmo, inteligente, desencanado e curioso.
Tenho certeza que vem dele essa inquietação em descobrir e aprender, que acabou me levando para o jornalismo. Até lembro de um dia em que eu era bem novo, ainda no ginásio, e disse a ele que queria ser escritor. "Então, você tem de ser jornalista, filho". Olha, escritor não virei, pelo menos por enquanto, mas vá dá conselho bom assim lá longe.
Virei jornalista, amo a profissão e apesar dos pesares sou bem feliz com ela. Conselho do papai!
Adoro quando vejo nos olhos dele um certo orgulho por ter um filho jornalista, com curso superior. "Formado", como ele disse emocionado no dia que concluí a universidade. "Parabéns, filho. Sei que você lutou muito por isso e estou orgulhoso." Mal sabia que o culpado era ele, que me incentivou desde sempre...
Quem já viu um pai dar pra um filho de 10 anos um livro com o nome de "O rei dos paus"? E dizer: "Leia que é bem legal. E depois veja esse aqui, ó", apontando "As sandálias do pescador" - esse era bem melhor!.
À noite, chegava do trabalho e sempre perguntava: "Leu hoje?" E eu ficava me perguntando por que ele queria que eu lesse uma história onde garotos ficavam medindo os tamanhos de seus pênis... Depois vi que na verdade, pra ele, o que importava era que eu lesse. Qualquer coisa...
E a imersão na política? Aprendi quem era Franco Montoro e quem era Maluf - com tudo o que essa frase traz implícito - desde muito cedo!
Deu um duro danado pra montar a coleção Conhecer Universal, tudo pra mim. Em tempos sem internet, essas enciclopédias eram mesmo uma mão na roda e eu aprendi um bocado de coisa por ali.
Mais tarde, me presenteou com a assinatura de uma revista que chegava ao mundo: "Superinteressante". A capa com o holograma do cavalo marinho ainda brilha em minhas lembranças.
É isso. Um grande cara. Eu sei. E sei que quem o conhece também sabe. Agora que é avô - de duas netinhas lindas - está melhor ainda. É só sorriso...
Aliás, gosto bastante quando ele pega minha filha no colo. Eu não me lembro de quando ele me segurava assim, mas tenho certeza que era com o mesmo cuidado e o mesmo amor. Posso até sentir na hora...
Um grande cara, que me ensina a cada encontro algo novo sobre a vida!
Parabéns paizão! Muitos anos de vida e obrigado por tudo!
Te amo!
quinta-feira, julho 31, 2008
O que é a felicidade pra você?
Noutro dia falava sobre o filme À Procura da Felicidade, com Will Smith, com um amigo, que se saiu com um comentário. “Pra ele a felicidade é como é pra mim, tá no dinheiro”, brincou, ironizando a incansável busca de Christopher Gardner por um bom emprego. A película é baseada em fatos reais e é claro que a mensagem do filme vai além desse materialismo. O personagem precisa de um emprego pra manter a guarda do filho, esse sim, o sentido da felicidade para ele. Comecei a pensar sobre a felicidade e me às voltas com a pergunta título desse post...
De bate e pronto posso dizer que são pequenos momentos, nos quais me sinto completo, alegre, forte, capaz. Puxa, o nascimento da minha filha foi um grande momento de felicidade... Mais um daqueles em que você tem realmente prazer de viver...
O mais curioso é que nem sempre você está fazendo algo necessariamente “engrandecedor” ou nobre, mas se sente feliz. É como um coveiro, que apesar de estar jogando a terra sobre o caixão alheio, num momento de muita tristeza para familiares, o faz em meio a assobios. Não se trata de prazer na desgraça do outro, mas sim de estar bem consigo mesmo.
Tenho pensado cada vez mais que essa tal felicidade existe em pormenores freqüentes, nós é que deixamos de notá-la. Poxa, quer momento mais feliz do que estar lendo um livro. Um livro bom, né? Claro! Pois é! E quando ganhamos presentes? Sensacional!
Ocorre que às vezes nos falta mesmo o distanciamento necessário e fundamental para sacarmos: “olha, eu estou bem feliz agora” Geralmente notamos isso quando o efeito passou... Ficamos tão obstinados a ser feliz aqui e agora que não nos damos o tempo necessário nem pra felicidade que está no presente, nem pra que vai chegar...
Tocar minha guitarrinha também me deixa muito feliz. Só eu, as seis cordas e o amplificador e um momento mágico. Muitas vezes, só tenho meia hora, mas ainda assim é bem bacana.
A armadilha de querer a felicidade “aqui e agora” pode ser mesmo perversa. A frase “Paciência é uma virtude” é muito sábia.
Muitas vezes queremos tanto uma coisa que não conseguimos entender que não é a hora certa. A gente se apressa, acha que a felicidade está no bem ou na posse e só depois descobre que foi desnecessariamente apressado. Que não pode desfrutar aquele momento de felicidade simplesmente porque não esperou a oportunidade de vivenciá-lo por inteiro. De corpo, alma e pensamento. O que é um momento maravilhoso se você não estiver inteiramente imerso nele? Nada. Não vale a pena o esforço para um grande momento, se você já sabe que na hora “H” não estará em plena condição de vivenciá-lo.
E como trabalhar demais pra juntar dinheiro, pra ficar sem fazer nada. Pode ser uma armadilha. Quando chegar a hora de não fazer nada vai ter de se recuperar por ter trabalhado tanto... E o momento com a tal felicidade nem chega...
Ela existe, eu tenho certeza! E chega sempre nos momentos certos!quarta-feira, julho 30, 2008
Nos supermercados da vida
Na primeira vez em que ouvi "Lost in the supermarket", do The Clash - veja o vídeo aí em cima, fiquei me perguntando por que uma banda com um som tão bacana como esse é rotulada como punk. A dúvida seguinte foi um pouco mais "existencial": como alguém pode ser perder num supermercado?
Não saquei de bate e pronto, mas depois percebi que é justamente na letra que está a veia punk...
Uma crítica ao consumismo desenfreado, àquela sensação de vazio (perdido?) que é falsamente preenchida com uma visita à loja mais próxima. Besteira. Antes mesmo de a máquina do cartão de crédito cuspir o canhoto já nos sentimos perdidos (vazios?) novamente. E quando a gente fica olhando pras prateleiras, com a absoluta certeza de que não quer nada do que ali está, mas não consegue se distanciar sem levar um item? Perdido no supermercado...
O mais impressionante é que a música figura no álbum London Calling, lançado em 14 de dezembro de 1979! Eu tinha só 3 anos de idade e “consumismo frenético” era expressão em começo de carreira, ainda. Isso não é punk, é visionário!
De qualquer forma, hoje entendo perfeitamente como é possível se sentir perdido num supermercado. Na verdade, o sujeito já havia se desencontrado antes de entrar no templo do consumo... E foi lá procurar-se...
Na verdade, pra se sentir perdido não precisa muito. Todos, em algum momento, perdem de vista a rosa dos ventos que lhes norteia.... Mas ela volta. Tem que voltar...
P.S.: Esse post é dedicado ao amigo Marcelo, que, além de reclamar de nunca ter sido mencionado nesse blog, me perguntou por esses dias por que o The Clash é tão importante pra música.
Perdas e ganhos
"Não se pode ter tudo" foi praticamente uma da primeiras frases que ouvi ontem, quando o dia ainda estava só começando. Falava sobre a constante necessidade de abrir mão de coisas preciosas para se ter o "direito" a outras. Sobre escolhas. As que fazemos e aquelas que fazem por nós... Nas quais somos, muitas vezes, meros coadjuvantes.
Com reflexões pesadas como essa, estava na cara que o dia não seria dos melhores... Pra variar.
As coisas que não andam como deveriam, que nos impelem à maldita cafeteira, como se o líquido ali presente fizesse o tempo passar mais rápido... Ou fosse uma poção de desaparecimento, o famoso "chá de sumiço", muitas vezes uma vontade real diante de tantas intempéries da vida.
O dia foi se desenrolando e mostrando que ainda reservas ganhos e perdas, não necessariamente nessa ordem... E se o tema matutino eram escolhas, tive de lembrar, ao final de um expediente pra lá de arrastado, que tinha feito a escolha de assistir - e reportar a cobertura para uma revista especializada - aos show de Joe Satriani.
Já falei dele aqui, eu acho. Se não, foi uma questão de escolha... Mas sempre há tempo para repará-las, então vamos lá...
O cara é simplesmente um dos melhores guitarristas de todos os tempos! E casa lotada, de garotos guitarristas, papais quarentões e suas esposas, e roqueiros e metaleiros de todas as idades prova isso.
As mazelas do maldito dia não cessaram nem com a chegada da noite. O excesso de compromissos me levou a chegar em cima da hora no show. Tá bom. Na verdade cheguei atrasado e perdi a entrada e a primeira música... Tudo bem... Não era um dia pra ganhos...
Satch conversou com o público através de sua guitarra Ibanez JS durante 1h45. Nos entendemos perfeitamente. "Supercolossal", "Always with me, always with you", "Time machine"... todas conhcidas e tocadas de maneira que não deixaram dúvida: o cara sabe o que faz. E o faz muito bem!
A linda "Crying" desse videozinho filmado de onde eu estava veio pra mostrar isso - não sabia que quando desse o zoom, o som seria cortado, mas vale a pena assistir. E também veio pra lavar a alma das gasturas da vida...
Tá ok, não se pode ter tudo, mas ainda bem que tenho meus ouvidos e coração, para poder apreciar momentos como esse, ainda que de curta duração.
Ao final, uma escapadela e a cortesia de uma amiga renderam até uma foto ao lado do ídolo. E fiquei meio anestesiado diante do cara, como se pode notar pelo sorriso mal construído... Mas foi um ganho, finalmente! Nada mal pra encerrar um dia, embora já passasse das 1h00 e portanto já fosse o dia seguinte, no caso, hoje...
Vejamos o que me reserva esse dia que começou com ganhos...
"Prazer em conhecê-lo" é uma frase idiota pra dizer a alguém que você conhece há 18 anos?
segunda-feira, julho 21, 2008
Ben harper, Sexual Healing
Então, quando fiz o blog, a idéia era mesmo usar a música como pano de fundo, mas não que ela fosse o mote principal.
Mas a quem eu queria enganar,né?
Agora à tarde, estava ouvindo Ben Harper e sua versão para Sexual Healing do mestre Marvin Gaye.
O melhor é não falar, e sim escutar.
Aliás, além da cura sexual certamente há a cura musical. Musical Healing.
WATCHMEN
É incrível como sempre carrego a sensação de ter chegado atrasado aos bons momentos da vida.
A música de que mais gosto teve sua decadência justamente no final da década de 80, exatamente quando eu atingia a idade de ouvi-la.
O jornalismo que adoro começou a sofrer, exatamente no final da década de 90, quando entrei na profissão, a perda da credibilidade e do romantismo das redações...
Mazelas do mundo moderno.
Passei por boas empresas, até multinacional do boom "pontocom", mas sempre quando estavam dando adeus aos seus melhores momentos ou prester a passar por crises.
Inacreditável.
E a sensação vai adiante. Por anos, a TV a Cabo era uma utopia. Ver Manhattan Conexion era um sonho distante. Arranjo uma namorada com o aparato em casa – claro que o namoro não teve nada a ver com a vontade de ver o Manhattan - e também já era tarde. Arnaldo Jabor ocupava o lugar de Paulo Francis, que era, na verdade, o motivo de eu querer assistir ao programa. Quando descobri Paulo Francis, ele morreu.
Outro dia, o mano Waltão me trouxe suas edições de Watchmen, o famoso HQ de Alan Moore, publicado em 12 edições limitadas que mudou a história dos qua
drinhos. Comecei a gostar de quadrinhos nessa época, tinha uns 12 anos, e realmente não sobrava pra comprar um Graphic Novel de luxo, como eram os exemplares de Watchmen, carinhosamente emprestados pelo amigo. Pois é. Mais uma coisa que chegou bem tarde às minhas mãos. Ao final da leitura, não conseguia entender porque deixei pra isso pra depois. Me lembro vagamente de até ter tido acesso, mas inexplicavelmente, deixei passar. Essa foi vacilo, não azar.
Mas nem por isso, Watchmen deixou de me marcar. Simplesmente DU CARALHOl. Num clima de guerra fria, confrontos intercontinentais e pessoais, travados por humanos tão heróis que nem parecem humanos. E que são tão humanos, que nem parecem heróis. Fodástico!
E como às vezes a gente consegue se antecipar a algo, pelo menos posso dizer que li a obra antes de virar filme. Aliás, filme esse que é o verdadeiro motivo desse post.
A película, dirigida por Zack Snyder (de 300), tem estréia prevista para 6 de março de 2009. Anote essa data e vá se preparando... Tenho certeza que vai ser muito bom! Ah, não posso deixar de agradecer o mano pelo empréstimo das raridades! Valeu!
sexta-feira, julho 18, 2008
Kiss
Ah, não reparem na calça de palhaço, apesar de ela estar bem apropriada para encerrar o dia...
Rocky 3 Eye of the Tiger
Noutro dia falei aqui sobre Rocky Balboa e seu olho de tigre. Acabei sendo perguntado sobre o que realmente significa a expressão pra mim.
Um dia de merda como o ontem, foi o típico no qual o "olho de tigre" é fundamental.
Rede contaminada por vírus atrasando o trabalho, milhares de pequenas minúscias pra serem resolvidas, que, na hora "H" insistiam em não se deixar "dissolver".
Uma tarde de extrema estafa, daquelas em que realmente dá vontade de sentar na guia e chorar. Ou arrancar os cabelos. Ou os dois.
Tá. Ao pseudo "final de expediente", ainda tinha de ir a uma reunião importante, de ônibus, longe. E além de discutir o assunto com toda a seriedade que merecia, ainda não podia descuidar do relógio. Ia tocar às 22h e todo o grupo contava com minha presença.
A tarde vinha caindo e a cada quarto de hora era uma notícia mais bombástica que outra. Ao final do dia, completamente derrotado, tive de encontrar a força necessária para a segunda jornada.
Nessa hora, pensei novamente no "olho de tigre". Quando você toma as pancadas, algumas bem duras, e acaba caindo. Mas e aí? Ficar com a cara estatelada no asfalto, sentindo o fio de dignidade lhe fugir da alma, vai resolver o quê? Nada!
Você se levanta, se recompõe e segue em frente. O queixo vai doer. Às vezes, por muito tempo. Mas se não erguer a cabeça, treinar com afinco, vai cair novamente na próxima luta.
E, às vezes, as lutas são diárias. O consolo é que a dor no queixo vai ao menos servir pra você lembrar sempre quando foi que baixou a guarda e tomou aquele soco fatal.
Levantei, fui à reunião. Tudo resolvido. Fui tocar e foi DU CARALHO!
É isso. Olho de tigre sempre. E nada mais apropriado para uma banda que compõe "Eye of the tiger" do que ela se chamar Survivor!
quinta-feira, julho 17, 2008
Múltipla escolha

Você já teve vontade de ser outra coisa ou alguém? Há minutos, de guitarra em punho, estudando, desejei ser Satriani. Na verdade, não. Apenas que as mãos dele fossem as minhas. Tocando as notas certas...
Já quis ser super-herói, jogador - de futebol - , mochileiro, piloto - de carros - hacker - do bem. Pô, ser hacker de vez em quando deve ser bem legal... Astronauta...
Sem falar nos grandes caras. O Machado... Vá entender o caráter humano assim lá longe... Mas tem a criatividade do Rosa – inventar palavras deve ser divertido – e o bom humor do Garcia Marques. Caramba...
E fazendo música brasileira, hein? As rimas certeiras do Baleiro, a amargura relax do Kleber ou o existencialismo do Moska? Sem falar no charme esnobe do Caetano.
Ah, fazendo rock, nem tem o que pensar. As guitarradas do Eddie ou as harmonias do Page... Putz, mas tem o Gilmour, o Clapton, o Fripp... Ixi, a lista "Vai" até Z... Ah, não nos esqueçamos do Zappa.Na pintura, tem Picasso – traços e nome fortes – e Basquiat, com suas cores perturbadas. Mas já quis até dar o abraço do Romero. E ver Gioconda antes de aplicar-lhe o enigmático sorriso...
O exercício é bem legal. Você imagina e curte. Só por instantes. Percebe que é você mesmo e volta pra sua insignificância de réles mortal... Coisa de minutos...
Até diverte, mas não afugenta a insônia.
Agora penso em dormir.
Ficar na cama, pelo menos oito horas... Tranquilão e relaxado. Pô, abraçado é ainda melhor.
Nessa noite, quero ser... Travesseiro!
segunda-feira, julho 14, 2008
Obrigado
Lírismo a serviço da emoção, a música "Thank you", gravada no Led Zeppelin II, de 1969, é um ótimo exemplo de que o rock é muito mais do que energia e guitarras distorcidas.
Aqui, vai a interpretação do Tesla para o clássico do Zep. A versão não só manteve o feeling que a canção pede, como transmite exaamente a sensibilidade da composição, em todos os detalhes.
Mais uma daquelas canções que me fazem pensar: gostaria de ter feito essa música!
É isso.
God gave rock and roll to you!
É isso!
sábado, julho 12, 2008
Dia Branco
E pensei em Geraldo Azevedo e sua sutileza.
Taí, sem a necessidade de maiores explicações.
sexta-feira, julho 11, 2008
Leis para os animais

A semana foi pontuada mesmo pela cretina lei seca. Em escritórios, transportes coletivos, nas praças, só se falou nisso. Não vou dizer nos bares, né, porque estes estiveram mesmo vazios!
Trata-se evidentemente de mais uma lei bizarra e não vamos aqui chover no molhado.
Não se trata de punir quem dirige bêbado. Essa lei proibe o consumo de bebidas sob um disfarce. O mais legal é que qualquer um pode ver isso. E o discurso hipócrita de dizer: "pergunte a quem teve um ente querido vítima de um motorista alcoolizado..." não cola.
O motorista que dirige bêbado é um transgressor. Sempre soube que não podia, mas sempre o fez. Agora, não vai mudar.
O inteligente seria realizar essa mesma quantidade de blitzen, simplesmente aplicando a lei que já existia. E melhor que isso. Mantendo-se o nível de álcool tolerado, aumentando-se a penalidade pra quem fosse pego fora da lei. Só isso.
A cretinece dessa lei me fez lembrar o indiano - da foto aí em cima - preso há 15 dias, porque levou um urso para ser animal de estimação de seu filho. Preso o pai e benfeitor, o urso ficou sem destino e a criança foi encaminhada para um orfanato. Fala sério? Até quando veremos punições esdrúxulas ou leis descabidas para a plebe, enquanto verdadeiros crimes hediondos são cometidos a olhos vistos pelos mais abstados sem a menor punição?
Nessa onda de idiotice penal, espero mesmo que aqui no Brasil não aconteça nada parecido com o indiano preso com o urso... Se não, olha isso:

segunda-feira, julho 07, 2008
Under the milkway

Adoro naves espaciais e estrelas. Desde de criança. Lembro-me perfeitamente de uma noite de 1986, quando eu tinha 10 anos de idade e meu pai chegou em casa eufórico, com os olhos brilhando e um presente embaixo do braço, louco pra me mostrar. “Esse é o álbum de figurinhas do cometa Halley”, disse.
Até então, cometa pra mim era apenas uma palavra na música do Balão Mágico, lembra? “Pegar carona nessa cauda de cometa/Ver a Via Láctea/Estava tão bonita/Brincar de esconde-esconde numa nebulosa/Voltar pra casa nosso lindo Balão Azul”.
Nebulosa também era uma palavra, digamos, nebulosa pra mim. Nem o Guilherme Arantes, autor da música, eu conhecia ainda, eu acho.
Aquele álbum mudou minha maneira de ver o mundo. Além de passar a saber o significado das palavras cometa e nebulosa, eu realmente compreendi o conceito de imensidão, se é que isso é possível...
A empolgação do meu pai em completar nosso álbum era grande. Todos os dias chegava do trabalho com novos envelopes e em pouco tempo, completamos tudo. Não faltou nenhuma.
As fotografias do espaço, as imagens de satélites e as perspectivas de planetas me encantavam. Passava horas, à noite, olhando várias vezes, página por página, depois de colar as novas figurinhas.
O álbum fazia parte de uma série de artigos lançados por ocasião da passagem do cometa Halley. “Ele passa a cada 76 anos”, dizia meu pai. “Temos de vê-lo ou pode não haver outra oportunidade.”
Na minha cabeça eu fazia as contas e concluía que aos 86 anos, na próxima passagem, em 2062, viveríamos novamente aqueles momentos mágicos.
Pois é. O cometa passou e em São Paulo pouca gente conseguiu vê-lo.
Nós não estávamos entre elas. E eu não me importei. Mesmo sem olhar diretamente para o Halley, sei que aquele cometa iluminou minha vida. Eu te amo, pai!
P.S.: ainda tenho o álbum guardadoPela boca
Como o saldo do fim de semana foi uma quase desidratação, esse post está sendo escrito, às 2h00 da manhã, acompanhado de um drinque muito diferente: Rehidrat 50, sabor laranja. Foi o que o médico passou, depois de me mandar um soro na veia e pedir cuidados com a alimentação...
Bem, o post escrito na madrugada nem é um caso de insônia. É que depois de assistir a um filminho, lavar a louça - me esperava desde sexta! - e finalmente me preparar para ir pra cama, me lembrei do tal "drinque". E não podia dormir sem ele. Como também não podia dormir sem postar...já viu, né?
Nos preparativos pra dormir comecei também a digerir - palavra cuidadosamente escolhida - o conselho do médico: "A gente põe cada coisa na boca". E automaticamente me lembrei do meu dentista, visitado na semana passada.
Só comemorações. Depois de um ano sem dar as caras, nenhuma cárie, apenas um pouco de tártaro, sagazmente removido com um torturante ultrassom que, inexplicavelmente, trabalha na freqüência de ressonância do meu cérebro. Fatalmente reclamo e ouço: "Se você usar o fio dental com mais capricho, nem esse tártaro vai ter."
Pois é. O drinque acabou. Vou passar o fio dental...
Boa noite.
quinta-feira, julho 03, 2008
Olho de tigre - de Freyre a Stallone...

É uma questão de raça. Não do termo pejorativo ou do que se refere às espécies. Raça com significado de gana. Sabe? De determinação e força de vontade. Vendo o comportamento do Fluminense na hora dos pênaltis, na decisão contra o LDU, do Equador, dá pra entender bem o que quis dizer Gilberto Freyre com seu Casa Grande & Senzala. A obra traça o perfil do brasileiro, do ponto de vista cultural e comportamental, explicando pela miscigenação que o que é resultado direto da absorção dos costumes da casa-grande e das mazelas da senzala.
Genial que era Freyre também falou desses traços no futebol. Da pra ver aqui ó: http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/alabarces/PII-Soares.pdf
A leveza e a alegria, é óbvio dizer, vieram mesmo da parte africana de nossas raízes. Mas por quê não herdamos também a gana? Nem é preciso fazer muito esforço para identificar a palavra com o continente de origem dos escravos. Tem até país com esse nome lá!Porra, é difícil ter um pouco mais de gana? Não é a primeira vez que vemos o que aconteceu ontem no Maracanã! Jogar como jogou, pra cobrar pênaltis daquele jeito? Faça-me o favor.
No meio da história me vem à mente outro célebre escritor. Euclides da Cunha dizia em seu Os Sertões: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Fiquei pensando no futebol dos sertanejos equatorianos...
Francamente, se você disser que vai atravessar uma piscina de 50 metros e desistir nos dois metros finais, é melhor que nem mergulhe.
Ao final do jogo, Dodô, escalado para a última cobrança e que nem teve a chance de perder também o seu, ainda me sai com a pérola: “Jogamos como pudemos. Mas aí foi pros pênaltis e pênalti é fogo, né?”
Pois é, meu caro, para os jogadores do LDU, não me pareceu tão difícil bater direito um pênalti...
Nessas horas, é sempre bom lembrar a perseverança de Rock Balboa: olho de tigre, cara!
"CADIQUE"

A ficção-científica é por vez considerada um gênero menor na literatura. Descordo completamente.
Nessa semana, acabei de ler o “Caçador de andróides”, do mestre Philip K. Dick. O livro, na verdade chamado “Do Androids dream of electric sheep?”, algo como “Os andróides sonham com ovelhas elétricas?”, ganhou o novo nome depois que foi filmado por Ridley Scott, de 1982, com Harrison Ford no papel do “retirador de andróides”.
Nunca vi motivos para considerar menores escritores de sci fi. Quem já leu Arthur C. Clarke (“2001: Uma odisséia no espaço”) ou Isaac Asimov (“Eu, robô”) sabe que o gênero pode trazer ao leitor tudo o que um bom romance tem. O “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, e o 1984, de George Orwell, nem precisam ser citados...
E o que dizer de K. Dick? Veja filmes como “Minority Report”, com Tom Cruise, e “Total Reccall”, com Arnold Schwarzernegger – aqui, traduzido como o Vingador do Futuro – ou “O Pagamento”, com Ben Afleck.
“O Homem duplo”, com Keanu Reeves e Robert Downey Jr., foi praticamente a última história do autor a ser filmada e juntamente com a notícia da reedição do filme de Ridley Scott, me incentivou a ler o livro. Agora posso asssitir ao filme sossegado, embora tenha certeza que a versão em papel seja muito superior.
As angústias, as paranóias, o apego à vida e a eterna melancolia, sempre esperando por serem libertadas na mente humana, são mostrados de maneira muito clara. Paranóico de carteirinha, K. Dick os conhecia por dentro, literalmente. E mostrou em palavras, nos mais de 40 livros e contos, tudo o que sentia. Um grnade escritor, sem dúvida, de um gênero não menor, mas "pré-conceituado".É só tirar por base a cena do encontro de um “suposto andróide” com um famoso quadro, numa galeria de arte, anos à frente de nosso tempo:
“Junto a um quadro a óleo, Phil Resch parou e olhou com atenção. A pintura mostrava uma criatura careca e mãos colocadas com pavor nas orelhas, a boca aberta em um grito amplo e sem som. Ondas retorcidas do tormento da criatura, ecos de seu grito, inundavam o ar que a cercava; o homem ou mulher, o que quer que fosse, tinha se tornado contido por seu próprio berro. Cobria as orelhas contra o próprio som. A criatura estava parada em uma ponte e não havia mais ninguém presente; a criatura gritava sozinha. Isolada por seu grito ou apesar dele. “Acho que é assim que um dróide deve se sentir, disse Phil Resch.”
Literalmente fantástico, não?
terça-feira, julho 01, 2008
Afirmações de negativas
Um último concerto

Na outra semana confessei-me impressionado diante da figura do Maestro John Neschling, à frente da Orquestra Sinfônica de São Paulo, por ocasião da passagem do príncipe herdeiro do Japão por aqui.
No post mencionei que fiquei – em menor grau, é verdade – impressionado com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua senhora Dona Ruth Cardoso.
Foi mesmo uma apresentação tocante. E memorável para a mente e para o coração.
Neschling estava, na verdade, fazendo seu último concerto antes de entregar a carta de demissão do comando da orquestra – que diga-se de passagem, dirigia desde 1977, um ano depois do meu nascimento! Será que tinha durante o concerto a carta na mente?
Dona Ruth também estava em seu último concerto. Sentiu-se mal e nem voltou para a segunda parte do espetáculo. Alguns dias depois, faleceu, vítima do próprio coração. Será que tinha durante o concerto a morte no coração?
Se me perguntassem qual o último espetáculo que queria ver na vida podia mesmo assistir à reprise daquele dia. Um concerto digno de fechar com chave de ouro momentos de uma vida.
A passagem do maestro no comando daquela batuta. A passagem da nobre Ruth por sua nobre e serena vida.
“Por que as pessoas que me impressionaram nos últimos tempos estão indo embora?


