quinta-feira, julho 17, 2008

Múltipla escolha


Você já teve vontade de ser outra coisa ou alguém? Há minutos, de guitarra em punho, estudando, desejei ser Satriani. Na verdade, não. Apenas que as mãos dele fossem as minhas. Tocando as notas certas...


Já quis ser super-herói, jogador - de futebol - , mochileiro, piloto - de carros - hacker - do bem. Pô, ser hacker de vez em quando deve ser bem legal... Astronauta...

Sem falar nos grandes caras. O Machado... Vá entender o caráter humano assim lá longe... Mas tem a criatividade do Rosa – inventar palavras deve ser divertido – e o bom humor do Garcia Marques. Caramba...

E fazendo música brasileira, hein? As rimas certeiras do Baleiro, a amargura relax do Kleber ou o existencialismo do Moska? Sem falar no charme esnobe do Caetano.

Ah, fazendo rock, nem tem o que pensar. As guitarradas do Eddie ou as harmonias do Page... Putz, mas tem o Gilmour, o Clapton, o Fripp... Ixi, a lista "Vai" até Z... Ah, não nos esqueçamos do Zappa.

Na pintura, tem Picasso – traços e nome fortes – e Basquiat, com suas cores perturbadas. Mas já quis até dar o abraço do Romero. E ver Gioconda antes de aplicar-lhe o enigmático sorriso...

O exercício é bem legal. Você imagina e curte. Só por instantes. Percebe que é você mesmo e volta pra sua insignificância de réles mortal... Coisa de minutos...

Até diverte, mas não afugenta a insônia.

Agora penso em dormir.

Ficar na cama, pelo menos oito horas... Tranquilão e relaxado. Pô, abraçado é ainda melhor.

Nessa noite, quero ser... Travesseiro!

segunda-feira, julho 14, 2008

Obrigado

Ainda falando em rock and roll, não posso deixar de dizer que Led Zeppelin é outro nome que vem à mente quando ouço essa palavra. Os caras foram perfeitos. Geniais. Até quando não faziam rock pesado. As harmonias intrincadas e elaboradas do guitarrista Jimmy Page e a voz aveludada e sensível de Robert Plant... Uma Banda com B maiúsculo!

Lírismo a serviço da emoção, a música "Thank you", gravada no Led Zeppelin II, de 1969, é um ótimo exemplo de que o rock é muito mais do que energia e guitarras distorcidas.

Aqui, vai a interpretação do Tesla para o clássico do Zep. A versão não só manteve o feeling que a canção pede, como transmite exaamente a sensibilidade da composição, em todos os detalhes.

Mais uma daquelas canções que me fazem pensar: gostaria de ter feito essa música!

É isso.

God gave rock and roll to you!

Dia 13 de julho é o dia mundial do rock! Sempre que ouço essa palavra logo me vem à mente uma guitarra, e, por consequência, Eddie Van Halen e sua frankenstein. O cara é o espíritio do rock! Jovialidade, criatividade, irreverência... Energia! Meu eterno herói da guitarra! É melhor nem descrever. Aperte o play aí no vídeo, aumente o volume e deixe rolar... Se tiver dúvida, deixe chegar no 2:19 e você vai me entender perfeitamente...

É isso!


sábado, julho 12, 2008

Dia Branco

Hoje é mesmo um Dia Branco. Fui lembrado disso assim que acordei.

E pensei em Geraldo Azevedo e sua sutileza.

Taí, sem a necessidade de maiores explicações.


sexta-feira, julho 11, 2008

Leis para os animais



A semana foi pontuada mesmo pela cretina lei seca. Em escritórios, transportes coletivos, nas praças, só se falou nisso. Não vou dizer nos bares, né, porque estes estiveram mesmo vazios!

Trata-se evidentemente de mais uma lei bizarra e não vamos aqui chover no molhado.

Não se trata de punir quem dirige bêbado. Essa lei proibe o consumo de bebidas sob um disfarce. O mais legal é que qualquer um pode ver isso. E o discurso hipócrita de dizer: "pergunte a quem teve um ente querido vítima de um motorista alcoolizado..." não cola.

O motorista que dirige bêbado é um transgressor. Sempre soube que não podia, mas sempre o fez. Agora, não vai mudar.

O inteligente seria realizar essa mesma quantidade de blitzen, simplesmente aplicando a lei que já existia. E melhor que isso. Mantendo-se o nível de álcool tolerado, aumentando-se a penalidade pra quem fosse pego fora da lei. Só isso.

A cretinece dessa lei me fez lembrar o indiano - da foto aí em cima - preso há 15 dias, porque levou um urso para ser animal de estimação de seu filho. Preso o pai e benfeitor, o urso ficou sem destino e a criança foi encaminhada para um orfanato. Fala sério? Até quando veremos punições esdrúxulas ou leis descabidas para a plebe, enquanto verdadeiros crimes hediondos são cometidos a olhos vistos pelos mais abstados sem a menor punição?

Nessa onda de idiotice penal, espero mesmo que aqui no Brasil não aconteça nada parecido com o indiano preso com o urso... Se não, olha isso:

segunda-feira, julho 07, 2008

Under the milkway


Adoro naves espaciais e estrelas. Desde de criança. Lembro-me perfeitamente de uma noite de 1986, quando eu tinha 10 anos de idade e meu pai chegou em casa eufórico, com os olhos brilhando e um presente embaixo do braço, louco pra me mostrar. “Esse é o álbum de figurinhas do cometa Halley”, disse.


Até então, cometa pra mim era apenas uma palavra na música do Balão Mágico, lembra? “Pegar carona nessa cauda de cometa/Ver a Via Láctea/Estava tão bonita/Brincar de esconde-esconde numa nebulosa/Voltar pra casa nosso lindo Balão Azul”.

Nebulosa também era uma palavra, digamos, nebulosa pra mim. Nem o Guilherme Arantes, autor da música, eu conhecia ainda, eu acho.

Aquele álbum mudou minha maneira de ver o mundo. Além de passar a saber o significado das palavras cometa e nebulosa, eu realmente compreendi o conceito de imensidão, se é que isso é possível...

A empolgação do meu pai em completar nosso álbum era grande. Todos os dias chegava do trabalho com novos envelopes e em pouco tempo, completamos tudo. Não faltou nenhuma.

As fotografias do espaço, as imagens de satélites e as perspectivas de planetas me encantavam. Passava horas, à noite, olhando várias vezes, página por página, depois de colar as novas figurinhas.

O álbum fazia parte de uma série de artigos lançados por ocasião da passagem do cometa Halley. “Ele passa a cada 76 anos”, dizia meu pai. “Temos de vê-lo ou pode não haver outra oportunidade.”

Na minha cabeça eu fazia as contas e concluía que aos 86 anos, na próxima passagem, em 2062, viveríamos novamente aqueles momentos mágicos.

Pois é. O cometa passou e em São Paulo pouca gente conseguiu vê-lo.

Nós não estávamos entre elas. E eu não me importei. Mesmo sem olhar diretamente para o Halley, sei que aquele cometa iluminou minha vida. Eu te amo, pai!

P.S.: ainda tenho o álbum guardado

Pela boca


Como o saldo do fim de semana foi uma quase desidratação, esse post está sendo escrito, às 2h00 da manhã, acompanhado de um drinque muito diferente: Rehidrat 50, sabor laranja. Foi o que o médico passou, depois de me mandar um soro na veia e pedir cuidados com a alimentação...

Bem, o post escrito na madrugada nem é um caso de insônia. É que depois de assistir a um filminho, lavar a louça - me esperava desde sexta! - e finalmente me preparar para ir pra cama, me lembrei do tal "drinque". E não podia dormir sem ele. Como também não podia dormir sem postar...já viu, né?

Nos preparativos pra dormir comecei também a digerir - palavra cuidadosamente escolhida - o conselho do médico: "A gente põe cada coisa na boca". E automaticamente me lembrei do meu dentista, visitado na semana passada.

Só comemorações. Depois de um ano sem dar as caras, nenhuma cárie, apenas um pouco de tártaro, sagazmente removido com um torturante ultrassom que, inexplicavelmente, trabalha na freqüência de ressonância do meu cérebro. Fatalmente reclamo e ouço: "Se você usar o fio dental com mais capricho, nem esse tártaro vai ter."

Pois é. O drinque acabou. Vou passar o fio dental...

Boa noite.

quinta-feira, julho 03, 2008

Olho de tigre - de Freyre a Stallone...



É uma questão de raça. Não do termo pejorativo ou do que se refere às espécies. Raça com significado de gana. Sabe? De determinação e força de vontade. Vendo o comportamento do Fluminense na hora dos pênaltis, na decisão contra o LDU, do Equador, dá pra entender bem o que quis dizer Gilberto Freyre com seu Casa Grande & Senzala. A obra traça o perfil do brasileiro, do ponto de vista cultural e comportamental, explicando pela miscigenação que o que é resultado direto da absorção dos costumes da casa-grande e das mazelas da senzala.

Genial que era Freyre também falou desses traços no futebol. Da pra ver aqui ó: http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/alabarces/PII-Soares.pdf

A leveza e a alegria, é óbvio dizer, vieram mesmo da parte africana de nossas raízes. Mas por quê não herdamos também a gana? Nem é preciso fazer muito esforço para identificar a palavra com o continente de origem dos escravos. Tem até país com esse nome lá!

Porra, é difícil ter um pouco mais de gana? Não é a primeira vez que vemos o que aconteceu ontem no Maracanã! Jogar como jogou, pra cobrar pênaltis daquele jeito? Faça-me o favor.

No meio da história me vem à mente outro célebre escritor. Euclides da Cunha dizia em seu Os Sertões: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Fiquei pensando no futebol dos sertanejos equatorianos...
Francamente, se você disser que vai atravessar uma piscina de 50 metros e desistir nos dois metros finais, é melhor que nem mergulhe.
Ao final do jogo, Dodô, escalado para a última cobrança e que nem teve a chance de perder também o seu, ainda me sai com a pérola: “Jogamos como pudemos. Mas aí foi pros pênaltis e pênalti é fogo, né?”
Pois é, meu caro, para os jogadores do LDU, não me pareceu tão difícil bater direito um pênalti...
Nessas horas, é sempre bom lembrar a perseverança de Rock Balboa: olho de tigre, cara!


"CADIQUE"



A ficção-científica é por vez considerada um gênero menor na literatura. Descordo completamente.

Nessa semana, acabei de ler o “Caçador de andróides”, do mestre Philip K. Dick. O livro, na verdade chamado “Do Androids dream of electric sheep?”, algo como “Os andróides sonham com ovelhas elétricas?”, ganhou o novo nome depois que foi filmado por Ridley Scott, de 1982, com Harrison Ford no papel do “retirador de andróides”.

Nunca vi motivos para considerar menores escritores de sci fi. Quem já leu Arthur C. Clarke (“2001: Uma odisséia no espaço”) ou Isaac Asimov (“Eu, robô”) sabe que o gênero pode trazer ao leitor tudo o que um bom romance tem. O “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, e o 1984, de George Orwell, nem precisam ser citados...

E o que dizer de K. Dick? Veja filmes como “Minority Report”, com Tom Cruise, e “Total Reccall”, com Arnold Schwarzernegger – aqui, traduzido como o Vingador do Futuro – ou “O Pagamento”, com Ben Afleck.

“O Homem duplo”, com Keanu Reeves e Robert Downey Jr., foi praticamente a última história do autor a ser filmada e juntamente com a notícia da reedição do filme de Ridley Scott, me incentivou a ler o livro. Agora posso asssitir ao filme sossegado, embora tenha certeza que a versão em papel seja muito superior.

As angústias, as paranóias, o apego à vida e a eterna melancolia, sempre esperando por serem libertadas na mente humana, são mostrados de maneira muito clara. Paranóico de carteirinha, K. Dick os conhecia por dentro, literalmente. E mostrou em palavras, nos mais de 40 livros e contos, tudo o que sentia. Um grnade escritor, sem dúvida, de um gênero não menor, mas "pré-conceituado".

É só tirar por base a cena do encontro de um “suposto andróide” com um famoso quadro, numa galeria de arte, anos à frente de nosso tempo:


“Junto a um quadro a óleo, Phil Resch parou e olhou com atenção. A pintura mostrava uma criatura careca e mãos colocadas com pavor nas orelhas, a boca aberta em um grito amplo e sem som. Ondas retorcidas do tormento da criatura, ecos de seu grito, inundavam o ar que a cercava; o homem ou mulher, o que quer que fosse, tinha se tornado contido por seu próprio berro. Cobria as orelhas contra o próprio som. A criatura estava parada em uma ponte e não havia mais ninguém presente; a criatura gritava sozinha. Isolada por seu grito ou apesar dele. “Acho que é assim que um dróide deve se sentir, disse Phil Resch.”


Literalmente fantástico, não?

terça-feira, julho 01, 2008

Afirmações de negativas


Não é porque não respondo, que não ouço;
Não é porque não comento, que não vejo;
Não é porque não sinto, que não sinto.

Um último concerto


Na outra semana confessei-me impressionado diante da figura do Maestro John Neschling, à frente da Orquestra Sinfônica de São Paulo, por ocasião da passagem do príncipe herdeiro do Japão por aqui.

No post mencionei que fiquei – em menor grau, é verdade – impressionado com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua senhora Dona Ruth Cardoso.

Foi mesmo uma apresentação tocante. E memorável para a mente e para o coração.

Neschling estava, na verdade, fazendo seu último concerto antes de entregar a carta de demissão do comando da orquestra – que diga-se de passagem, dirigia desde 1977, um ano depois do meu nascimento! Será que tinha durante o concerto a carta na mente?

Dona Ruth também estava em seu último concerto. Sentiu-se mal e nem voltou para a segunda parte do espetáculo. Alguns dias depois, faleceu, vítima do próprio coração. Será que tinha durante o concerto a morte no coração?

Se me perguntassem qual o último espetáculo que queria ver na vida podia mesmo assistir à reprise daquele dia. Um concerto digno de fechar com chave de ouro momentos de uma vida.

A passagem do maestro no comando daquela batuta. A passagem da nobre Ruth por sua nobre e serena vida.

Uma constatação:

“Por que as pessoas que me impressionaram nos últimos tempos estão indo embora?

segunda-feira, junho 30, 2008

Outra constatação


Bem-vinda, amiga insônia!
Por que não nos encontramos pela manhã?

Segundo Caetano



Conheci Caetano Veloso pela música “Terra”, da abertura do programa sobre ecologia da TV Cultura. Já naquela época, começo da adolescência, 1989 pra ser mais exato, meu pai era fã do programa e cansei de passar tardes de domingo esperando pela voz de Caetano Veloso e seu violão dedilhado que me encantavam. “Terra! Terra!/ Por mais distante/O errante navegante/Quem jamais te esqueceria?

Um pouquinho depois pintou o primeiro toca-discos da minha vida. Uma aquisição inesquecível, somente comparável à compra do LP “Bicho”, meu primeiro Caetano. Nele nem estava a canção tema do programa da Cultura, mas havia uma música que eu tinha ouvido pelo menos uma vez. E tinha ficado encantado. Era a mais perfeita descrição da paixão que já ouvi: “Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel/Uma mulher, uma beleza que me aconteceu”

Aquilo era fantástico e eu não teria paz enquanto não adquirisse aquele disco. O cara tem de saber muito sobre a paixão para defini-la com tanta exatidão, pensava...

Mas o que sabia eu da paixão naquela época? Sei lá... Mas algo me dizia isso. E mais. Me dizia que o genial baiano tinha acertado na mosca. Unhas negras, íris cor de mel. Perigosa como uma tigresa.

O disco – se você não conhece, tá aqui ó: http://www.badongo.com/file/10138447 – não era propriamente chamativo para um garoto que adentrava no universo roqueiro. O nome “Bicho” e a capa com uma borboleta ou uma maçã partida ao meio - pecado - eram ainda menos empolgantes nessas circunstâncias.

Ao primeiro contato da agulha com o vinil tive certeza que fizera a coisa certa. O contrabaixo suingado e seguido pelos versos de Odara. “Deixa eu dançar pro meu corpo ficar Odara/Minha cara minha cuca ficar Odara”

Uma celebração ao canto. E o disco segue magnífico, celebrando a deusa música como no versos de “Alguém cantando” (“Alguém cantando muito/Alguém cantando bem/
Alguém cantando é bom de se ouvir”
). Na alegre e – não sei por que – nostálgica “Gente”, com suas referências de nomes da época, assim como no refrão da famosa “Um índio” (“Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi/Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi/Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi/O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá que eu vi”)

Um discão! Até a versão de “Olha o menino”, de Jorge Ben, apesar de não contar com o suingue do carioca inventor do samba-rock me encantava. “Eu sou um homem sincero/
Porque nasci cresci e vivo livre/Eu sou um homem sincero/Que quero morrer nascer e viver livre/Olha o menino ui
. Pirava com a coragem de dizer uma frase dessas em plena ditadura militar, em 1977, quando “Bicho” foi gravado. E isso me impressionava mesmo ouvindo quase 13 anos depois, já sem ditadura, mas ainda com homens querendo morrer e nascer livres...

Mas “Tigresa” era mesmo especial. Mexia com o jovem garoto que eu era. Com sua tristeza eterna, o violão peculiar seguido depois por um baixo marcante. E os violinos com piano ao final? Aff...era de querer chorar. De sentir dor sem motivo.

“Esfregando a pele de ouro marrom/Do seu corpo contra o meu/Me falou que o mal é bom e o bem cruel”

A expressão “pele de ouro marron” não me era clara. Não conhecia a paixão...

E também não entendia ao certo o que Caetano queria dizer com “Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar/Porque ela vai ser o que quis inventando um lugar/
Onde a gente e a natureza feliz, vivam sempre em comunhão”

Mas sabia que ele estava certo. Principalmente porque ao final ele dizia: “As garras da felina me marcaram o coração/Mas as besteiras de menina que ela disse não/E eu corri pra o violão num lamento/E a manhã nasceu azul/Como é bom poder tocar um instrumento”

Conheci a paixão. E Caetano estava certo.

Como é bom poder tocar um instrumento...

Uma constatação

Não me faça prometer
Mesmo sendo o que não quero,
Se tiver prometido, será feito.

terça-feira, junho 24, 2008

Os Últimos e os primeiros

Li, há cerca de uma semana um texto com o sugestivo título “Só se vive uma vez!” (o original está aqui ó (http://portalamazonia.locaweb.com.br/sites/comapalavra/noticia.php?p=3&order=&pagesize=2&total_registros=114&idN=3549) .
A autora, recém-formada e talentosa jornalista, fala do poder mágico dessas cinco palavras e em meio a exemplos bem engraçados e muito bem descritos, fecha com a idéia – aqui, adaptada - que “Por conta da probabilidade, permite-se arriscar. Corre-se o risco de viver intensamente e, com certeza, de ser mais feliz.”

Imediatamente associei à música "O último dia", de Paulinho Moska, outro sujeito que escreve – e canta – coisas muito bacanas. Olha o vídeo aí, generosamente "cedido" pelo Youtube.


“O que você faria se só lhe restasse esse dia?” é a indagação principal do cantor, na faixa gravada em 1995, há exatos 13 anos, que segue numa sucessão de ações intensas e até desvairadas. Mas sempre intensas.

Bem como fez o Chico Buarque, ainda 24 anos antes, em 1971, com Construção. “Amou daquela vez como se fosse a última”.

Uma semana com o texto na cabeça – é, ele mexeu mesmo comigo! – e a música do Moska martelando em minha mente...

Acabei concluindo que na verdade, a coragem de viver intensamente está associada à sensação de como se fosse “o último dia” da sua vida. Mas está ainda mais pra “viva, como se fosse a primeira vez que faz isso”.

E não é que é verdade? Não é o frescor da novidade o grande responsável pelo prazer em arriscar nas pequenas coisas e atitudes da vida cotidiana?

O primeiro beijo. O primeiro carro. O primeiro disco (ah, eu ainda sou do tempo do vinil). Pois é. Tudo como se fosse a primeira vez. E a primeira transa, hein? Primeiro emprego, primeira aula, primeiro livro, primeiro filme. E o primeiro filho? Nossa!

Frescor, prazer, surpresa!

E por que eu ainda ouço Paulinho Moska e uma música composta e gravada lá em 1995?

Ah, porque sempre o faço como se fosse a primeira vez. Intensamente como se fosse a última, é claro. Mas sempre com a surpresa e, principalmente, o prazer da primeira vez.

Afinal, bem disse a autora do texto: A vida é curta e só se vive uma vez!

segunda-feira, junho 23, 2008

Pintou um campeão?

Acho que não.

Muito embora o domingo tenha sido de vitória dupla.

Não pude acompanhar a parte final da corrida, mas consegui assistir ao momento da misteriosa quebra de Kimi Raikkonen e da chegada de Massa à liderança. Tive de sair e só após na hora do almoço soube do resultado. Alguns, exageradamente afoitos – Alô, Galvão –, começam a se perguntar: pintou um campeão?

A vitória de Massa, não quero ser injusto, me pareceu um misto de muita competência com um pouco de sorte.

No final da tarde, me sento à frente da TV para ver o Palmeiras. Ainda na hora do almoço, a manchete do JT já preconizava: "Com salário atrasado, Palmeiras pega o Vasco". Relevei. O mano Vitor Marques, que certamente estava por trás de um título desses, é curintiano que eu sei...

Em campo, a academia passou longe de algo digno de ser assim chamado. O Vasco praticamente não entrou em campo e foi um típico jogo ruim, de dar “calo no zóio”. Tava quase querendo o Edmundo em campo e um pênalti a favor do Vasco. Uma defesa do Marcos já seria algo algo comemorável... Eis que Alex Mineiro aparece em campo, depois de vários minutos e mexe no placar. O gol do Kleber foi bem mais articulado, mas também não convenceu. O Vasco, como já disse, praticamente não estava em campo. Ainda falta o Palmeiras, um dos cotados para o título, provar a que veio nesse ano.

Se ainda é cedo pra acreditar no Massa, e olha que ele tem talento e força de vontade, que se dirá do meu Verdão? Que a vitória contra o Vasco foi um misto de pouca competência e muita sorte...

A grande MUSA

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Na terça-feira (dia 17/6), por ocasião do centenário da imigração japonesa no Brasil, recebemos a visita do príncipe herdeiro do Japão, Naruhito.

Entre os vários lugares que visitou, Naruhito foi presenteado com um concerto da OSESP, a Orquestra Sinfônica de São Paulo, na Sala São Paulo (www.salasaopaulo.art.br/salasp/historia/historia.aspx), no prédio da Estação Julio Prestes, região do bairro da Luz.

Eis que a Honda, patrocinadora do concerto para o príncipe herdeiro me oferece o convite de conhecer a Sala São Paulo (vontade protelada por anos) e mais que isso: assistir à OSESP, na ocasião, regida pelo maestro John Neschling.

Cabelo cortado especialmente para a ocasião, terno alinhado e gravata em volta do pescoço lá fui eu, na quinta-feira (19/6) para uma grande noite.

Pois bem. Respiro música 24 horas por dia. MÚSICA, assim em maiúsculo, pra ficar melhor. Toda ela. MPB, rock, folk, heavy metal, jazz. Até a clássica, tão distante de nosso tempo. Mas da erudita não conheço muito. Só os grandes nomes e suas principais obras. Mas gosto.

O fato é que a sua relação com a música, seja ela qual for, nunca mais é a mesma depois de um espetáculo como esse. ESPETÁCULO, assim em maiúsculo, pra combinar melhor.

A interatividade de cada músico com seu instrumento. Uma relação passional. Íntima. Verdadeira. O local para eu estar sentado não poderia ser melhor: no coro. Às costas da orquestra e de frente para a figura do maestro.

E que figura! Já em sua entrada, praticamente “Exige” as palmas de todos, inclusive dos músicos da orquestra, em pé. E isso depois te todos terem aplaudido o príncipe japonês e até o último casal “real” brasileiro: Fernando Henrique Cardoso, atual presidente da Fundação OSESP, e dona Ruth Cardoso.

O programa da noite era composto de duas obras: Johannes Brahms Concerto nº 2 para Piano em Si b maior, Op.83, que contou com o solista Joaquín Achúcarro, ao piano, e a

Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky.

Confesso: não conhecia essas obras. E isso não interferiu em absolutamente nada no sentido de me emocionar. Acredite. Essa é uma das magias da coisa.

Só a afinação dos instrumentos, antes da execução dos hinos nacionais de Japão e Brasil, nessa ordem, já me comoveu.

Ao final, nem a presença de um membro da realeza japonesa, nem dona Ruth e o erudito FHC, nada disso me marcou tanto quanto o maestro John Neschling. Nem o solista espanhol Joaquín Achúcarro e seu virtuosismo ao piano. O maestro, absoluto, detentor da batuta, do andamento e do sucesso de todo o concerto. Realmente me emocionei.

É também impossível assistir à interpretação de uma orquestra, e não pensar no compositor da obra. Cada detalhe, cada nuance, notas incidentais, variações de intensidade. Tudo milimétrica e emocionalmente pensado, e geralmente sem o uso de um instrumento sequer. Só caneta e papel pautado. E sentimento.

E os instrumentos? Timbres magníficos, sem eletricidade, sem equalização. Só a acústica pensada na sua construção, as horas de estudo do instrumentista e as divinas notas em seqüência na partitura.

Num momento desse você entende por que a música erudita atravessa os séculos e por que foi tão revolucionária ao tempo em que foi criada: ela continua moderna, insubstituível e, principalmente, emocionante!

quinta-feira, junho 19, 2008

Futebol, Charlie Parker e internet


O tema da caminhada noturna pelo parque da Aclimação foi sobre o jogo da seleção brasileira contra a Argentina.

Tá, a gente também falou do meu Palmeiras e o Agnaldo não se conteve em citar o "curintia" dele. Também falamos sobre a matemática que ele leciona, as condições do ensino público e por aí vai.

Chego em casa às 20h40 e vou cuidar da vida: texto pra escrever, guitarra pra estudar e o jogo.

Pô, mas ver um jogo da seleção depois do vexame contra o Paraguai? Que já foi depois do vexame contra a Venezuela? O Dunga parece estar fazendo força pra perder o cargo! Seremos atropelados pela Argentina!

Pra mim, o sentimento é dúbio:. Se esse o Dunga for bem, ele continua no cargo. Se for mal, ele cai fora...e é aí que meus problemas começam. O Luxemburgo diz que não, mas todos sabem que ele quer. Se o convite for feito... Já tá outra vez o meu Palmeiras sem técnico.

Pois bem. Era motivo suficiente pra torcer pela seleção. Contra a Argentina? Torcida em dobro. Mas eu estava adivinhando...

O texto pra ser escrito me chamava. O bate-papo na internet me tentava. E até a televisão, que nem sou muito chegado, deu de passar "Bird", no canal 76, se não me engano...

A história de Charlie Parker, intepretado por Forest Whitaker, dirigido por Clint Eastwood... "Crássicão" e também tentador... Dei uma zapeada no controle enquanto a turma do Dunga se preparava e já caí numa daquelas cenas memoráveis, de improvisação num bar enfumaçado... Numa mesa, uma mulher com um sex appeal muito particular, debruçada nos cotovelos, se apaixona pelo "negão" arrepiando seu saxofone.

Até pensei em ficar por ali mesmo. Mas aí não resisti. Voltei pro jogo pra ver a seleção...

Na hora do intervalo, a tentação da internet me chamou de novo... E dessa vez quase fiz a coisa certa: cheguei a me sentar no micro, preparar uma parte do texto e ia até logar... Mas dei mais uma chance ao Dunga...

E a Argentina também.

No final, Dunga finalmente conseguiu fazer a seleção jogar como ele quer. E isso me deixou ainda mais descontente. Aquele mesmo futebol de 1994, na base da força física. Dá jogada dura e da intimidação. E, pra tristeza geral, sem a criatividade. E olha que lá 94 tínhamos o Romário...

Pois é. Empatar com a Argentina é praticamente uma derrota. Pior: sem a derrota no placar, o cara ainda passa por bem-sucedido. Lastimável... E lá vai meu Palmeiras ficar sem técnico logo, logo. O Dunga tá mesmo fazendo por onde.

Devia ter ficado com o Bird ou com a internet. Ou na internet e ouvindo um Charlie Parker. Mas fica pra próxima. Pra mim vai ter... Não sei pro Dunga.

Paternidade


“Vocês vão ter um bebê? Aproveitem para dormir agora” era uma das frases que mais ouvíamos enquanto estávamos grávidos. Sim, grávidos, no plural e no masculino. Desde que a mulher reivindicou a igualdade sexual, o homem tem conquistado seu espaço no universo feminino. “Ter” um pouco da gravidez é direito adquirido, inalienável e irrestrito, mas isso é outra discussão...

Dormimos muito durante a gravidez – até mais do que o necessário, pra variar! – e a Sofia chegou. De fato, as noites maldormidas vieram com ela. Mas foram poucas. Bem poucas. E quem disse que noite maldormida é ruim? Na verdade, depois que o seu filho nasce, você nunca mais dorme como dormia antes. Nem mesmo naquelas noites em que a bebê não dá um gemido ou suspiro. “Está quieta demais. O que será?” Lá vai você de meia, pra não andar descalço e nem fazer barulho, de ponta de pé, até o berço, de madrugada. E não acha ruim. Aquela carinha dormindo... Um verdadeiro anjo...

É assim, entre um amor que não pode ser medido ou explicado e a constante preocupação de que tudo corra bem, você vai levando a vida e vendo uma vida passar bem diante de seus olhos. Ela começa sorrir, depois entender suas brincadeiras. Chorar, claro, também faz parte...

Tudo normal, como acontece com todo mundo. E como, no fundo, você sabia que seria com você! Mas você fica besta. E nem liga. Perde seu nome – agora, sou o pai da Sofia – e supera desafios que nunca pensou suportar. Com o pé nas costas...

É uma mamata! Ser pai é das coisas mais fáceis do mundo. Nem preciso dizer que é gratificante. S E N S A C I O N A L, assim, tudo maiúsculo e pausadamente pronunciado, também não é suficiente pra definir. Mas a paternidade não pode ser definida e não é pra ser explica. É pra ser sentida e, principalmente, apreciada!

Te amo Sofia!

segunda-feira, junho 16, 2008

Música, amor e videotape


Pois bem. Depois de meses resolvo ressuscitar o blog.

Não é que o trabalho não esteja corrido ou que agora tenha tempo sobrando. Muito pelo contrário.

Mas tirar meia hora por semana pra fazer um balanço da vida ajuda. Sei lá. Acho que deve ajudar.

No fundo, resolvi escrever por estava precisando.

Ontem, depois de uma briga homérica com o pessoal da NET, consegui reestabelecer uma TV a cabo decente em casa.

De cara, já tive a oportunidade de assistir ao filme Scoop. Pra começar, ver Hugh Jackman num papel que não seja pra salvar o mundo, ou coisa que o valha, é pouco comum. Mas o cabra segura a onda - Kate e Leopold e The Fountain - por exemplo.

Mas o que chama mesmo a atenção em Scoop, além é claro, da graciosa Scarlett Johansson e do velho Woody Allen no papel de Woody Allen, é a mirabolante história do filme.

Muito bacana, com a cara de Woody Allen...