domingo, setembro 21, 2008

Mesmos hábitos

—Como se sente mais velho?
Perguntou o amigo Hamilton, ontem, dia do aniversário de 32 anos.
—Até me sinto mais velho. Mas não me sinto velho!

Usou o joguinho retórico pra brincar e acabou refletindo a noite inteira sobre isso...
"O que é ser velho?" "E o que é ser mais velho?"

E porque não chegou a conclusão interessante ou plausível, esse astronauta, de fato mais velho desde ontem, resolveu ilustrar o post com foto tirada em uma das últimas missões, num outro momento de reflexão...

quarta-feira, setembro 17, 2008

Nostalgia da modernidade


Revistas costumam comemorar aniversários de décadas com matérias retrospectivas, mostrando o que publicaram ao longo da trajetória. Mas a americana Esquire (essa aqui, ó: http://www.esquire.com/) chegou às bancas comemorando seus 75 anos de existência com uma edição que aponta o futuro. Os caras resolveram mostrar como aparentemente serão as capas e o conteúdo de uma publicação daqui a algum tempo. Em vez de papel e tinta, tecnologia! Já no editorial da publicação o sugestivo título 'O século 21 começou!' Muito interessante!

Não dá pra explicar direito. É melhor assistir ao videozinho aí, encontrado no Blog bacana do Felipe Machado, do Estadão, (esse  aqui ó: http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/) e entender! 

O que dá pra perceber é que depois de alguns avanços nós não vamos mais comprar o jornal ou revista. Vamos apenas renovar o conteúdo digital de um suporte parecido com o que aparece no filminho. Veja aí, divirta-se e que venha o futuro, então! Mais dinâmica, menos árvores cortadas, menos lixo nas ruas... 

 

segunda-feira, setembro 15, 2008

The great gig in the sky


Há muito tempo sou um dos que esperam a vinda do Pink Floyd para o Brasil. A história já virou até lenda. Ano após ano surge um boato de que o grupo inglês virá finalmente ao nosso País para um show aguardado por mais 30 anos!
O grupo se separou em 1980 e desde então os fãs brasileiros sonham com uma reunião e uma aparição deles por aqui.
Em 1988, quando a banda - sem o baixista Roger Waters - se reuniu para a turnê "Delicate Sound of Thunder" uma esperança surgiu, mas logo foi apagada. E assim se passaram quase 20 anos e nada de o Floyd se apresentar no Brasil.

Roger Waters esteve aqui com seu 'In the Flesh', aliás, um dos melhores shows que já vi na vida - e olha que não vi poucos shows, hein... Mas ainda assim não era o Floyd. Não era o baterista Nick Mason, concentrado e reto. E nem o charmoso e temperamental tecladista Richard Wright. Muito menos o grande guitarrista David Gilmour empunhando sua linda Fender Stratocaster vermelha com escudo branco. Não era.

Em 2005, praticamente uma gig, como se diz no jargão de músicos, ou seja, uma reunião de músicos sem compromisso, agrupou os caras, com Roger Waters e tudo, para o projeto Live 8.
Apesar da cara visivelmente desconfortável de David Gilmour em dividir o palco com Waters, os comentários começaram a aflorar: o Floyd vai voltar com a formação original! Fogo de palha, que passou, mas ainda deixou os fãs com uma esperança.

Na tarde dessa segunda-feira, quando informei o amigo Sandro - o maior fã de Floyd que conheço! - da morte do tecladista Richard Wright, ele foi categórico, mas ainda assim, com a esperança de um fã: "Que pena! O sonho agora está mais distante."

É assim. Nem a morte de um membro fundador afasta dos fãs a esperança de uma visita do Floyd ao Brasil... Me lembro bem de uma aula de filosofia lá no colégio sobre o conceiro de Morte. Não chegamos a nenhuma conclusão plausível, mas eu aprendi, naquele dia, o significado da palavra inexorável. Quem sabe um show do Floyd por aqui também não seja, digamos, inevitável?

Bom que fosse. Por enquanto, fiquemos com a sensacional "The Great Gig in the Sky", do maravilhoso disco "Dark Side of the Moon". A música é bastante apropriada como homenagem ao tecladista que morreu hoje, aos 65 anos. Além de Richard Wright ser praticamente o solista da música, com seus pianos e teclados, foi exatamente assim que eu o imaginei quando li sobre sua morte: numa grande gig lá no céu...


quinta-feira, setembro 11, 2008

Meninos, eu vi!



Sempre penso nas pessoas que eram jovens ou adultos em épocas de grandes acontecimentos históricos. Deve ter sido sensacional presenciar eventos importantes do século XX, por exemplo. A revolução Russa, o advento do cinema e depois da televisão. Descobertas incríveis da humanidade que mudaram a história pra sempre. Nessas reflexões concluo que raras vezes os observadores da história "em movimento" se dão conta da grandiosidade do fato observado – salvo, claro, aqueles diretamente envolvidos em cada questão.
Bom, sendo de uma geração nascida em meados dos 70, eu tenho poucas lembranças de ter visto nascer coisas REALMENTE importantes para a humanidade. Já falei aqui da espécie de anacronismo que sinto quando considero as coisas que gosto e a época em que nasci. Adoraria, por exemplo, ter sido adulto na década de 80... Tanta coisa legal – o cubo mágico e o hard rock americano, só pra ficar nos mais evidentes – e eu era muito garoto pra curti-las...
Essa sensação de não ver nascer coisas importantes para o mundo tem um pouco a ver com isso.
Mas me orgulho, por exemplo, de ter visto a Internet nascer. Eu faço parte praticamente da primeira geração de usuários – e pude acompanhar o brutal crescimento dessa mídia. Outra coisa legal que vi foi o advento do celular. Sensacional! Mudou mesmo a vida da humanidade. Como disse, não vi a chegada da TV, mas nem ligo. Prefiro a TV de agora, então não penso que tenha perdido muita coisa...
A chegada do homem à Lua sim. Essa eu queria ter visto ao vivo. Deve ter sido mesmo incrível - principalmente para aqueles astronautas, hein? Também presenciei o 11 de setembro, que pensei mesmo ter sido, apesar de trágico, um fato daqueles que mudam a história pra sempre, entretanto, hoje, 11 de setembro, a humanidade parece preferir esquecer esse dia. Nem o New York Times fez referência à data. Olha a capa de hoje: http://www.nytimes.com/indexes/2008/09/11/pageone/scan/index.html

Talvez não seja mesmo uma boa idéia ficar mexendo em feridas, ainda mais essas não totalmente cicatrizadas, como sabemos.

Mas esse não é um post sobre relações internacionais e sim sobre as descobertas e eventos da humanidade que realmente fizeram diferença na história.
E ontem foi o dia de colocar pra funcionar o LHC, o grandioso acelerador de partículas construído entre a França e a Suíça, que deve provocar colisões entre partículas em deslocamento à velocidade da luz e estudar as energias liberadas nessas “trombadas”.
Sou impressionado com a magnitude do projeto: um túnel circular com quase 30 quilômetros e que levou mais de 20 anos pra ser construído. E me excitam os possíveis resultados. A idéia é observar os primeiros “momentos” – microssegundos – após essas colisões, estudar o que pode ser uma simulação do “big bang”, pra descobrir como o universo se comportou nos seus primeiros passos de existência... A busca é pelo chamado Bóson de Higgs, uma partícula inédita e hipotética, de importância inversamente proporcional a isso: ela será a prova do modelo da Física atual. Olha a definição para mortais como nós: http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%B3son_de_higgs

Desde a primeira vez que li sobre o LHC pensei duas coisas: a primeira é que queria ver isso de perto. Não deu, né? Mas olha o filminho que eu achei mostrando como foram os testes...


A segunda constatação foi que esse LHC poderia abrir um buraco negro que engoliria a própria Terra. Mas aí achei que eu estava mesmo sendo alarmista e paranóico. Ontem, entretanto, fiquei sabendo que esse medo não era uma exclusividade minha. Olha o texto publicado na Folha On Line: www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u443261.shtml

Bom, é isso. O LHC funcionou, partículas colidiram, o bóson de Higgs não pintou, e também não se criou nenhum buraco negro. Mas é assim. No futuro saberemos da importância dessa máquina. O importante é o seguinte: a busca por nossa origem deu ontem um passo gigantesco e eu (e você também) presenciei esse fato.

(Des) agosto se foi...

Finalmente estou de volta a esse espaço do qual me afastei devido às turbulências típicas de agosto. “Mês de cobranças e pagamentos de dívidas” me disse um colega. E ele manja disso... Bom, o importante é que depois da tormenta vem a calmaria. Sempre. E setembro chegou bem... Tirando as variações de temperatura dessa São Paulo, que entre 32 °C durante o dia e 15° à noite praticamente pasteuriza o sangue da gente, tá tudo bem!
É isso. Não é o que diz a canção? “Quando entrar setembro/E a boa nova andar nos campos/Quero ver brotar o perdão...” Ouça aí!

segunda-feira, agosto 18, 2008

Adeus, Caymmi


Nunca estive na Bahia. Pra falar bem a verdade, do Nordeste inteiro, conheço Sergipe, onde estive quando tinha menos de dois anos de idade, e Pernambuco, onde fui a trabalho num rapidíssimo par de dias. Em breve, vou pra Fortaleza, no Ceará, também pra trabalhar.

Mas ainda não conheço a Bahia! E tive saudade da Bahia. Sim! Em todas as vezes que toquei (tentei tocar, é melhor, né?) “Saudade da Bahia”, de Dorival Caymmi, senti mesmo uma pontada de emoção, uma vontade de conhecer o que tanto tinha encantado o compositor.


“Ai, esta saudade dentro do meu peito
Ai, se ter saudade é ter algum defeito
Eu pelo menos, mereço o direito
De ter alguém com quem eu possa me confessar”]

Bonito, né? E esse ó:

“Vejam que situação
E vejam como sofre um pobre coração
Pobre de quem acretida
Na glória e no dinheiro para ser feliz”

Já nem tem nada a ver com a Bahia, mas é uma verdade inspiradora... Pois é. Caymmi se foi. Aos 94 anos resolveu descansar de vez, não mais à moda baiana, na rede... Nossa, deu saudade da Bahia...

Gosto mesmo dessa música. E de outra meia-dúzia por ele composta. Lembro-me de aos 13 anos, numa viagem à praia com um amigo da escola, o Pantcho, de dizer a ele, enquanto estávamos lá no fundo onde nem dava pé, que aquilo me lembrava Dorival Caymmi. Ele perguntou qual a música...


“É doce morrer no mar” cantarolei. E ele respondeu, saindo de braçada para o raso, “Sai fora, Heverton!”


Não era morbidez... Era a imagem fotográfica que o vozeirão grave de Caymmi estampara na minha mente com sua canção. E com seu violão particular. Acordes dissonates que soavam com não fossem... O baiano conhecia do assunto


Também nunca gostei de maquiagem em excesso. No começo dos anos 80, tinha uns cinco anos de idade e morava num quintal no qual havia cinco casas. Numa delas moravam vizinhas - baianas, eu bem me lembro - que apesar de atributos que atraiam vários namorados - eu também me lembro bem - adoravam se empetecar em demasia. Eu achava estranho. Bem estranho. Ficava assustado. E associei pra sempre maquilagem gritante a essas vizinhas.


“Não pinte esse rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina, você já é bonita
Com o que deus lhe deu”

E quando ouvi Caymmi os versos acima, entendi perfeitamente o que ele sentia. Anexei aos "Favoritos". Aprendi a tocá-la no violão e sempre que estou brincando de MPB passo pela "Marina" com entusiasmo.

No final, peguei um gosto especial pela canção, quase certo pelo trecho:


“Eu já desculpei muita coisa
Você não arranjava outra igual
Desculpe, marina, morena
Mas eu tô de mal”


O ‘de mal’ do final é tão nordestino, que me lembrava mesmo minha infância, com minhas vizinhas maquiadas e meus tios e tias recém-chegados de lá. ‘Nossa, essa frase é bem baiana’, pensei logo que ouvi.


E sempre que posso paro pra dar uma ouvidinha nos versos de Caymmi. Quando soube de sua morte imediatamente pensei na Marina e em seguida tive saudade da Bahia!

sexta-feira, agosto 15, 2008

Solos e solos

Se você abriu o blog agora, no final de semana, vai dar de cara com esse vídeo aqui do Paralamas.
Bom, ele está aqui simplesmente porque estou ouvindo no carro o CD Vamo batê lata - bom pra caralho - e me lembrei de quanto gosto do solo de "Lanterna dos afogados". É um dos mais bonitos que já ouvi na vida e sem dúvida um dos melhores da guitarra nacional!

Curta o Paralamas e se não quiser ouvir a música inteira, deixe carregar e pule para o frame 3:20, é quando começa o referido solo... E a Paula Toller chegou a dizer que os solos de guitarra do cara não iam conquistá-la, hein?

Falando em solos de guitarra, você também vai reparar que logo abaixo aparece o mestre Satriani com sua mais famosa música, "Always with you, always with me". Outra aula sobre a arte e o prazer de tocar esse instrumento que, já deu pra perceber, eu tanto gosto!

Mas não é muita coisa dois posts com solo de guitarra seguidos? Também acho! Mas se você leu o post sobre o problema com as cores no blog e viu que o azul berrante sumiu definitivamente, entendeu que o tal servidor do Blog resolveu se acertar comigo, né?

Pois é. Ele também resolveu botar no ar esse post do Satch, que foi feito há semanas e por algum motivo que só o nosso amigo servidor conhece não entrou no ar.

As cores estão certas agora. Adoro o Satriani e o Paralamas do Sucesso. Então, posso dizer que realmente não tenho do que reclamar! Divirta-se...



Joe Satriani - Always With Me, Always With You (Live)

Lado negro da força


Os poucos freqüentadores assíduos desse blog já devem ter notado a salada de cores que a página de abertura virou... Por um problema técnico, as lista de posts anteriores e de blogs vizinhos aparecem em letra 'azulejantemente' gritante! Um horror, eu sei! E já tentei de tudo. HTML – conheço bem pouco, mas a ferramenta é bem pra chimpanzé mesmo – mudança de tipo de Esquema do blog... Tudo que se possa imaginar. Na verdade, consegui melhorias. Quem clica em qualquer post antigo vê as novas cores, (bem) mais amenas e tals... Mas na maldita página principal, só o azul berrante – passa perto de exuberante, mas não é. Nem um pouco...
A solução teria de ser mesmo radical. Um blog com fundo branco ou cinza agrediria muito menos a vista do visitante...se é que ele vem mesmo...
Mas a opção pelo fundo preto não é meramente estética. Quem conhece o Blackle, versão negra da ferramenta de pesquisas mais usada no universo, o Google, sabe! Telas pretas economizam energia. A explicação requer pesquisa mais apurada... Por hora, basta dizer que pra exibir uma tela branca o monitor do seu computador gasta MUITO mais energia do que pra mostrar uma tela preta... A minha ferramenta de busca no Favoritos é o Blackle, já há um bom tempo. Quem quiser tentar a sorte, é aqui ó: www.blackle.com/
É quase igual, mas quando você procura resultados 'no mundo'. Para páginas em português a coisa complica... Mas o pouco que você economizar já é válido, né não?
Há outras opções nesse sentido. O meu wallpaper, mesmo, já foi removido. Uso a opção “NENHUM”. E onde escolho a cor do tal ‘nenhum’ optei pelo preto. Há nisso também um gosto pela cor. Adoro preto...
Bom, tudo isso pra explicar o seguinte: agora, tento um azul marinho – meio tosco também, eu sei – e vou deixar uns dias pra ver o que acontece com o “azulberrante” das listas laterais.
De qualquer forma, se você passar por aqui numa outra ocasião e encontrar o blog com fundo branco, não se assuste. Você não terá entrado no endereço errado. Será apenas o indício de que a minha paciência perdeu a briga em tentar acertar essas cores.
Por outro lado, se vir uma tela com fundo preto, você terá três certezas: eu venci essa “pequena guerra” contra um sistema em fase de testes; você está no endereço certo e por fim: eu estou economizando a energia que posso!
Ah, só pra lembrar, quando deixar sua mesa pra fazer qualquer coisa por aí, desligue o monitor... É só questão de hábito.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Ela viu o mar



Foi na semana passada. Uma imagem de emocionar. A pequena Sofia conheceu o mar e ficou perplexa. Uma contemplação sigilosa. Silenciosa. Concentrada, até. Estávamos em Ilhabela, na casa gentilmente cedida pelo amigo Hamilton - ele já apareceu aqui e vai aparecer mais vezes...

Foi um final de semana relaxante. Até sem sol, foi revigorante. A tranquilidade e a distância da grande metrópole me fizeram muito bem, mas o melhor momento foi mesmo o grande encontro.

Sempre fui fascinado pelo mar e seu tamanho. E fiquei comovido em ver a primeira impressão da Sofia diante daquela imensidão.

Antônio Calado usou em seu Quarup a metáfora de que o índio é um homem em branco, como um livro, a ser escrito. Imaginei na hora a mente da pequena Sofia absorvendo aquela informação visual pela primeira vez.

A carinha séria me faz pensar que foi um processo de bastante surpresa e emoção. Ela nunca fica tanto tempo parada diante de algo... Está sempre se mexendo e geralmente rindo – aliás, com um sorriso lindo.

Isso vai ficar pra sempre com ela. Tenho certeza. Estive em Sergipe, terra de minha mãe, quando era bem criança. Menos de dois anos de idade. Não lembro de nada, a não ser do vestido amarelo de detalhes que minha tia vestia - era a mesma estampa da malinha mágica do gato Félix, que eu adorava - e do mar. Uma onda, na verdade...mas me lembro, e olha que faz muito tempo.

Tenho certeza de que a Sofia vai carregar aquele instante na memória. E eu também. Foi mesmo mágico. O mar conheceu a Sofia e ela o contemplou. Eu estava lá. Vi o mar como nunca o tinha visto antes. E conheci uma Sofia que ainda não conhecia.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Centenário da imigração



Então, o cara aí em cima é o Eddie Van Halen, guitarrista da banda que leva seu sobrenome. O primeiro disco da banda saiu em 1978 e botou pra quebrar. Pelo anacronismo que já citei lá no post do Watchmen, eu só tinha dois anos de idade e não pude ouvir :(, mas imagino o que aconteceu com quem ouvia rock nesse ano e se deparou com o esse disco.
A história da guitarra é dividida em antes e depois dele, só pra começar a conversa...
Eddie mostrou ao mundo uma nova linguagem para o instrumento, algo só visto quase 20 anos antes, com Jimmi Hendrix.
Alavancadas, harmônicos, riffs de cordas soltas, os tappings (mão direita batendo no braço da guitarra) e as passagens ultra-rápidas, batizadas pela imprensa especializada da época como “shredding guitar”. Olha aqui a definição: http://en.wikipedia.org/wiki/Shred_guitar
Se você está se perguntando por que eu tô falando tudo isso, pra que te importa saber o que é shred, e o que isso tem a ver com o título do post, eu também não sei.
Mas hoje, aqui na redação, o amigo Walter estava assistindo a um vídeo de dois japoneses malucos que arrasam num tradicional instrumento japonês. Os caras tocam de uma maneira bem diferente, que deve fazer arrepiar os cabelos dos orientais mais tradicionais. Eles até gravaram as trilhas para um jogo de Nintendo Wii.
Eis que chego perto do Waltão e pergunto: “Cara o que é isso que você está vendo?”
A resposta, curta e grossa, inspirou um post: “São os shreds do okotô!”
Sensacional!

quarta-feira, agosto 06, 2008

Soneto



Li há pouco na net que o The Verve resolveu voltar depois de 10 anos.


Caramba, faz tudo isso que os caras saíram da ativa? Estou surpreso! Ainda outro dia ouvia algumas boas canções desses ingleses e pensava que a banda tinha acabado havia cerca de três ou quatro anos no máximo. Pois é.


A supresa me fez pensar na música dos anos 90. Agora, vista daqui dos anos 2000 – quase fim deles –, até que foi bem boa. Na época, não parecia tão legal ou importante. Quando surgiu o Radiohead, por exemplo, não dei a menor atenção. Estava mais ligado nos rocks dos anos 70 e nas MPBs de Caetano e afins – alguém pensou em Kleber Albuquerque?


De qualquer forma, o The Verve, aclamado à época como a grande maravilha pós-moderna da música rock até que agradava. “Bitter Sweet Symphony”, já do terceiro disco (1997), é uma boa música, muito embora o nome seja melhor ainda, e a participação dos Stones Jagger e Richards, em sample, dê aquela abrilhantada...

Mas a minha predileta desse disco – e dessa banda – sempre foi Sonnet. Ela mostra toda a tristeza e delicadeza do cérebro Richard Ashcroft, guitarrista, vocalista e líder do Verve. No final, nem no seu aclamado disco-solo ele conseguiu expor tão bem os seu interior...

A música está aí no vídeo “gentilmente” cedido pelo Youtube. O mais legal é que essa faixa me faz pensar no nome da banda, mas em português, mesmo.


O Houaiss explica:

Acepções
substantivo feminino
1 entusiasmo e inspiração que animam a criação e o desempenho do artista, do orador, do poeta

O curioso é que em dicionários de inglês, a palavra está mais relacionada com vivacidade. Olha o Michaelis:

n 1 verve, entusiasmo, arroubo. 2 vivacidade. 3 energia.

Há de se concordar que em português o nome faz mais sentido. Ou não, como diria o outro – vocês sabem quem...

Clique no vídeo porque Sonnet é mesmo uma boa música. E foi pra isso que esse post foi feito!


terça-feira, agosto 05, 2008

Parabéns, pai!


Hoje é aniversário do Cidão! Um cara muito importante na minha vida, sabia? O primeiro e único herói que tive - nossa, preciso assistir ao Batman...

Mas herói de carne e osso, mesmo, só o Cidão! Ele está fazendo 56 anos e me dei conta que o tempo realmente passa. E rápido. Ele já tem um filho de 31 anos... Mas ainda é - sempre será - "O" cara. Centrado, calmo, inteligente, desencanado e curioso.

Tenho certeza que vem dele essa inquietação em descobrir e aprender, que acabou me levando para o jornalismo. Até lembro de um dia em que eu era bem novo, ainda no ginásio, e disse a ele que queria ser escritor. "Então, você tem de ser jornalista, filho". Olha, escritor não virei, pelo menos por enquanto, mas vá dá conselho bom assim lá longe.

Virei jornalista, amo a profissão e apesar dos pesares sou bem feliz com ela. Conselho do papai!

Adoro quando vejo nos olhos dele um certo orgulho por ter um filho jornalista, com curso superior. "Formado", como ele disse emocionado no dia que concluí a universidade. "Parabéns, filho. Sei que você lutou muito por isso e estou orgulhoso." Mal sabia que o culpado era ele, que me incentivou desde sempre...

Quem já viu um pai dar pra um filho de 10 anos um livro com o nome de "O rei dos paus"? E dizer: "Leia que é bem legal. E depois veja esse aqui, ó", apontando "As sandálias do pescador" - esse era bem melhor!.

À noite, chegava do trabalho e sempre perguntava: "Leu hoje?" E eu ficava me perguntando por que ele queria que eu lesse uma história onde garotos ficavam medindo os tamanhos de seus pênis... Depois vi que na verdade, pra ele, o que importava era que eu lesse. Qualquer coisa...

E a imersão na política? Aprendi quem era Franco Montoro e quem era Maluf - com tudo o que essa frase traz implícito - desde muito cedo!

Deu um duro danado pra montar a coleção Conhecer Universal, tudo pra mim. Em tempos sem internet, essas enciclopédias eram mesmo uma mão na roda e eu aprendi um bocado de coisa por ali.

Mais tarde, me presenteou com a assinatura de uma revista que chegava ao mundo: "Superinteressante". A capa com o holograma do cavalo marinho ainda brilha em minhas lembranças.

É isso. Um grande cara. Eu sei. E sei que quem o conhece também sabe. Agora que é avô - de duas netinhas lindas - está melhor ainda. É só sorriso...

Aliás, gosto bastante quando ele pega minha filha no colo. Eu não me lembro de quando ele me segurava assim, mas tenho certeza que era com o mesmo cuidado e o mesmo amor. Posso até sentir na hora...

Um grande cara, que me ensina a cada encontro algo novo sobre a vida!

Parabéns paizão! Muitos anos de vida e obrigado por tudo!

Te amo!

quinta-feira, julho 31, 2008

O que é a felicidade pra você?


Noutro dia falava sobre o filme À Procura da Felicidade, com Will Smith, com um amigo, que se saiu com um comentário. “Pra ele a felicidade é como é pra mim, tá no dinheiro”, brincou, ironizando a incansável busca de Christopher Gardner por um bom emprego. A película é baseada em fatos reais e é claro que a mensagem do filme vai além desse materialismo. O personagem precisa de um emprego pra manter a guarda do filho, esse sim, o sentido da felicidade para ele. Comecei a pensar sobre a felicidade e me às voltas com a pergunta título desse post...

De bate e pronto posso dizer que são pequenos momentos, nos quais me sinto completo, alegre, forte, capaz. Puxa, o nascimento da minha filha foi um grande momento de felicidade... Mais um daqueles em que você tem realmente prazer de viver...

O mais curioso é que nem sempre você está fazendo algo necessariamente “engrandecedor” ou nobre, mas se sente feliz. É como um coveiro, que apesar de estar jogando a terra sobre o caixão alheio, num momento de muita tristeza para familiares, o faz em meio a assobios. Não se trata de prazer na desgraça do outro, mas sim de estar bem consigo mesmo.

Tenho pensado cada vez mais que essa tal felicidade existe em pormenores freqüentes, nós é que deixamos de notá-la. Poxa, quer momento mais feliz do que estar lendo um livro. Um livro bom, né? Claro! Pois é! E quando ganhamos presentes? Sensacional!

Ocorre que às vezes nos falta mesmo o distanciamento necessário e fundamental para sacarmos: “olha, eu estou bem feliz agora” Geralmente notamos isso quando o efeito passou... Ficamos tão obstinados a ser feliz aqui e agora que não nos damos o tempo necessário nem pra felicidade que está no presente, nem pra que vai chegar...

Tocar minha guitarrinha também me deixa muito feliz. Só eu, as seis cordas e o amplificador e um momento mágico. Muitas vezes, só tenho meia hora, mas ainda assim é bem bacana.

A armadilha de querer a felicidade “aqui e agora” pode ser mesmo perversa. A frase “Paciência é uma virtude” é muito sábia.

Muitas vezes queremos tanto uma coisa que não conseguimos entender que não é a hora certa. A gente se apressa, acha que a felicidade está no bem ou na posse e só depois descobre que foi desnecessariamente apressado. Que não pode desfrutar aquele momento de felicidade simplesmente porque não esperou a oportunidade de vivenciá-lo por inteiro. De corpo, alma e pensamento. O que é um momento maravilhoso se você não estiver inteiramente imerso nele? Nada. Não vale a pena o esforço para um grande momento, se você já sabe que na hora “H” não estará em plena condição de vivenciá-lo.

E como trabalhar demais pra juntar dinheiro, pra ficar sem fazer nada. Pode ser uma armadilha. Quando chegar a hora de não fazer nada vai ter de se recuperar por ter trabalhado tanto... E o momento com a tal felicidade nem chega...

Ela existe, eu tenho certeza! E chega sempre nos momentos certos!

quarta-feira, julho 30, 2008

Nos supermercados da vida

Na primeira vez em que ouvi "Lost in the supermarket", do The Clash - veja o vídeo aí em cima, fiquei me perguntando por que uma banda com um som tão bacana como esse é rotulada como punk. A dúvida seguinte foi um pouco mais "existencial": como alguém pode ser perder num supermercado?

Não saquei de bate e pronto, mas depois percebi que é justamente na letra que está a veia punk...

Uma crítica ao consumismo desenfreado, àquela sensação de vazio (perdido?) que é falsamente preenchida com uma visita à loja mais próxima. Besteira. Antes mesmo de a máquina do cartão de crédito cuspir o canhoto já nos sentimos perdidos (vazios?) novamente. E quando a gente fica olhando pras prateleiras, com a absoluta certeza de que não quer nada do que ali está, mas não consegue se distanciar sem levar um item? Perdido no supermercado...

O mais impressionante é que a música figura no álbum London Calling, lançado em 14 de dezembro de 1979! Eu tinha só 3 anos de idade e “consumismo frenético” era expressão em começo de carreira, ainda. Isso não é punk, é visionário!

De qualquer forma, hoje entendo perfeitamente como é possível se sentir perdido num supermercado. Na verdade, o sujeito já havia se desencontrado antes de entrar no templo do consumo... E foi lá procurar-se...

Na verdade, pra se sentir perdido não precisa muito. Todos, em algum momento, perdem de vista a rosa dos ventos que lhes norteia.... Mas ela volta. Tem que voltar...

P.S.: Esse post é dedicado ao amigo Marcelo, que, além de reclamar de nunca ter sido mencionado nesse blog, me perguntou por esses dias por que o The Clash é tão importante pra música.

Perdas e ganhos



"Não se pode ter tudo" foi praticamente uma da primeiras frases que ouvi ontem, quando o dia ainda estava só começando. Falava sobre a constante necessidade de abrir mão de coisas preciosas para se ter o "direito" a outras. Sobre escolhas. As que fazemos e aquelas que fazem por nós... Nas quais somos, muitas vezes, meros coadjuvantes.

Com reflexões pesadas como essa, estava na cara que o dia não seria dos melhores... Pra variar.

As coisas que não andam como deveriam, que nos impelem à maldita cafeteira, como se o líquido ali presente fizesse o tempo passar mais rápido... Ou fosse uma poção de desaparecimento, o famoso "chá de sumiço", muitas vezes uma vontade real diante de tantas intempéries da vida.

O dia foi se desenrolando e mostrando que ainda reservas ganhos e perdas, não necessariamente nessa ordem... E se o tema matutino eram escolhas, tive de lembrar, ao final de um expediente pra lá de arrastado, que tinha feito a escolha de assistir - e reportar a cobertura para uma revista especializada - aos show de Joe Satriani.

Já falei dele aqui, eu acho. Se não, foi uma questão de escolha... Mas sempre há tempo para repará-las, então vamos lá...

O cara é simplesmente um dos melhores guitarristas de todos os tempos! E casa lotada, de garotos guitarristas, papais quarentões e suas esposas, e roqueiros e metaleiros de todas as idades prova isso.

As mazelas do maldito dia não cessaram nem com a chegada da noite. O excesso de compromissos me levou a chegar em cima da hora no show. Tá bom. Na verdade cheguei atrasado e perdi a entrada e a primeira música... Tudo bem... Não era um dia pra ganhos...

Satch conversou com o público através de sua guitarra Ibanez JS durante 1h45. Nos entendemos perfeitamente. "Supercolossal", "Always with me, always with you", "Time machine"... todas conhcidas e tocadas de maneira que não deixaram dúvida: o cara sabe o que faz. E o faz muito bem!

A linda "Crying" desse videozinho filmado de onde eu estava veio pra mostrar isso - não sabia que quando desse o zoom, o som seria cortado, mas vale a pena assistir. E também veio pra lavar a alma das gasturas da vida...

Tá ok, não se pode ter tudo, mas ainda bem que tenho meus ouvidos e coração, para poder apreciar momentos como esse, ainda que de curta duração.

Ao final, uma escapadela e a cortesia de uma amiga renderam até uma foto ao lado do ídolo. E fiquei meio anestesiado diante do cara, como se pode notar pelo sorriso mal construído... Mas foi um ganho, finalmente! Nada mal pra encerrar um dia, embora já passasse das 1h00 e portanto já fosse o dia seguinte, no caso, hoje...

Vejamos o que me reserva esse dia que começou com ganhos...



"Prazer em conhecê-lo" é uma frase idiota pra dizer a alguém que você conhece há 18 anos?

segunda-feira, julho 21, 2008

Ben harper, Sexual Healing

Então, quando fiz o blog, a idéia era mesmo usar a música como pano de fundo, mas não que ela fosse o mote principal.

Mas a quem eu queria enganar,né?

Agora à tarde, estava ouvindo Ben Harper e sua versão para Sexual Healing do mestre Marvin Gaye.

O melhor é não falar, e sim escutar.

Aliás, além da cura sexual certamente há a cura musical. Musical Healing.

WATCHMEN

É incrível como sempre carrego a sensação de ter chegado atrasado aos bons momentos da vida.
A música de que mais gosto teve sua decadência justamente no final da década de 80, exatamente quando eu atingia a idade de ouvi-la.
O jornalismo que adoro começou a sofrer, exatamente no final da década de 90, quando entrei na profissão, a perda da credibilidade e do romantismo das redações...

Mazelas do mundo moderno.
Passei por boas empresas, até multinacional do boom "pontocom", mas sempre quando estavam dando adeus aos seus melhores momentos ou prester a passar por crises.

Inacreditável.
E a sensação vai adiante. Por anos, a TV a Cabo era uma utopia. Ver Manhattan Conexion era um sonho distante. Arranjo uma namorada com o aparato em casa – claro que o namoro não teve nada a ver com a vontade de ver o Manhattan - e também já era tarde. Arnaldo Jabor ocupava o lugar de Paulo Francis, que era, na verdade, o motivo de eu querer assistir ao programa. Quando descobri Paulo Francis, ele morreu.

Outro dia, o mano Waltão me trouxe suas edições de Watchmen, o famoso HQ de Alan Moore, publicado em 12 edições limitadas que mudou a história dos quadrinhos. Comecei a gostar de quadrinhos nessa época, tinha uns 12 anos, e realmente não sobrava pra comprar um Graphic Novel de luxo, como eram os exemplares de Watchmen, carinhosamente emprestados pelo amigo. Pois é. Mais uma coisa que chegou bem tarde às minhas mãos. Ao final da leitura, não conseguia entender porque deixei pra isso pra depois. Me lembro vagamente de até ter tido acesso, mas inexplicavelmente, deixei passar. Essa foi vacilo, não azar.

Mas nem por isso, Watchmen deixou de me marcar. Simplesmente DU CARALHOl. Num clima de guerra fria, confrontos intercontinentais e pessoais, travados por humanos tão heróis que nem parecem humanos. E que são tão humanos, que nem parecem heróis. Fodástico!
E como às vezes a gente consegue se antecipar a algo, pelo menos posso dizer que li a obra antes de virar filme. Aliás, filme esse que é o verdadeiro motivo desse post.
A película, dirigida por Zack Snyder (de 300), tem estréia prevista para 6 de março de 2009. Anote essa data e vá se preparando... Tenho certeza que vai ser muito bom! Ah, não posso deixar de agradecer o mano pelo empréstimo das raridades! Valeu!

sexta-feira, julho 18, 2008

Kiss

Consegui um videozinho de uma das pérolas tocadas na noite de ontem. O cinegrafista não era dos melhores, mas o dia também não tava fácil...então...

Ah, não reparem na calça de palhaço, apesar de ela estar bem apropriada para encerrar o dia...


Rocky 3 Eye of the Tiger

Noutro dia falei aqui sobre Rocky Balboa e seu olho de tigre. Acabei sendo perguntado sobre o que realmente significa a expressão pra mim.

Um dia de merda como o ontem, foi o típico no qual o "olho de tigre" é fundamental.

Rede contaminada por vírus atrasando o trabalho, milhares de pequenas minúscias pra serem resolvidas, que, na hora "H" insistiam em não se deixar "dissolver".

Uma tarde de extrema estafa, daquelas em que realmente dá vontade de sentar na guia e chorar. Ou arrancar os cabelos. Ou os dois.

Tá. Ao pseudo "final de expediente", ainda tinha de ir a uma reunião importante, de ônibus, longe. E além de discutir o assunto com toda a seriedade que merecia, ainda não podia descuidar do relógio. Ia tocar às 22h e todo o grupo contava com minha presença.

A tarde vinha caindo e a cada quarto de hora era uma notícia mais bombástica que outra. Ao final do dia, completamente derrotado, tive de encontrar a força necessária para a segunda jornada.

Nessa hora, pensei novamente no "olho de tigre". Quando você toma as pancadas, algumas bem duras, e acaba caindo. Mas e aí? Ficar com a cara estatelada no asfalto, sentindo o fio de dignidade lhe fugir da alma, vai resolver o quê? Nada!

Você se levanta, se recompõe e segue em frente. O queixo vai doer. Às vezes, por muito tempo. Mas se não erguer a cabeça, treinar com afinco, vai cair novamente na próxima luta.

E, às vezes, as lutas são diárias. O consolo é que a dor no queixo vai ao menos servir pra você lembrar sempre quando foi que baixou a guarda e tomou aquele soco fatal.

Levantei, fui à reunião. Tudo resolvido. Fui tocar e foi DU CARALHO!

É isso. Olho de tigre sempre. E nada mais apropriado para uma banda que compõe "Eye of the tiger" do que ela se chamar Survivor!