quinta-feira, maio 28, 2009

Mentiras sinceras




No último final de semana estive num Sesc assistindo a mais um show de Kleber Albuquerque, cantor e compositor que eu admiro muito. Na verdade, acompanho o trabalho do cara há muito tempo. Desde 1994, quando ouvi pela primeira vez uma música dele na 'falecida' rádio Musical FM.

De lá pra cá muita água rolou e o cara já gravou vários CDs, um melhor do que o outro. As letras tocantes, interpretações viscerais e muita criatividade. Na linha de Zeca Baleiro, Lenine, Chico César e Moska. Aliás, acho o Kleber tão bom quanto - ou melhor - do que estes caras, mas a carreira dele simplesmente não decola. Mazelas do cenário musical brasileiro...

Ainda assim, ele tem fãs fiéis, vários, e sou um deles. Vou em quase todos os shows. Já virou piada entre os amigos: "Você é assessor do Kleber nas horas vagas?"

Pois bem. O show nesse final de semana, porém, era bem diferente: "Mentiras sinceras", uma homenagem a Cazuza. O projeto conta ainda com Luiz Gayoto e Stevan Sinkovitz, parceiros de Kleber.

Na adolescência eu ouvi muito Legião Urbana. As letras do Renato Russo me mostraram muita coisa nessa vida.

Gostava de Barão e depois do Cazuza, mas só parei pra prestar atenção nas letras do carioca quando ouvi "O tempo não pára" - naquele tempo tinha acento!

Lembro do próprio Renato Russo falando num show: "Sou um cantor numa banda de rock e alguns dizem que sou poeta. Eu vou falar de um carinha. Ele é do signo de áries. Ele gosta da Janis Joplin e dos Rolling Stones. Ele se chama Cazuza. E eu digo: ele é poeta"

Escolhi a verdade como ideologia de vida. Às vezes - quase sempre - não querem ouvi-la, mas como prefiro que usem comigo a verdade e somente a verdade, é isso que uso com os outros.

É uma espécie de ideologia. Entre outras.

E aqui o Cazuza teve papel importante na minha formação. Foi ele que me colocou na cabeça que eu precisava de - pelo menos - "uma" pra viver... Ah, ele também falou em "mentiras sinceras me interessam" e isso me deixava eufórico. "Que tirada inteligente", eu pensava...

Também lembro de ficar fascinado em ouvir de um cara que sabia que ia morrer, doente em fase avançada: "eu vi a cara da morte e ela estava viva".

Ele sabia mesmo o que tava fazendo.

Assista à aversão de "Eu queria ter uma bomba" feita para o projeto e me diz aí, o Cazuza manjava ou não da arte de fazer música?

terça-feira, maio 26, 2009

Lógicas e probabilidades


Há uns meses, lendo uma orelha de livro descobri que Lewis Carroll, o autor de Alice no País das Maravilhas, não era propriamente um romancista. O inglês era, na verdade, um matemático e nem tinha esse nome. Charles Lutwidge Dodgson usou o pseudônimo para publicar livros infantis! Quem diria, amante da lógica e da probabilidade, não previu que ficaria famoso e entraria para a história a reboque de sua 'criação'. O pseudônimo, é claro.

Bem, noutro dia uma amiga da faculdade me ofereceu uma versão de Alice no País das Maravilas, com tradução de Monteiro Lobato. Mesmo conhecendo a história, resolvi ler. Tinha interesse na versão do nosso nobre escritor para as palavras de Carroll.

De cara, constatei que Lobato escolheu muito bem essas palavras. Seguindo na leitura, me impressionei com o livro. Uma história curta e infantil, mas ao mesmo tempo intrigante e adulta.

Várias passagens com cara de 'normais' ou 'simples', mas que poem o leitor a pensar...

Alice, lá pelas tantas, reencontra o gato e pergunta:

"Seu gato, pode me dizer que caminho devo seguir?"

Então o gato responde:

"Isso depende de pra onde você quer ir"

E ela:

"Ah, não quero ir a nenhum lugar específico"

Ao que o gato diz:

"Então, qualquer caminho lhe serve"


Matemática pura! Lógica!

Pois é. A leitura foi muito boa e recomendo. Principalmente porque é bem rápida.

Há outras tantas passagem que nos fazem pensar, sempre mostrando que mesmo por trás da maior inocência pode haver algo mais. Para olhos que queiram enxergar...

segunda-feira, maio 25, 2009

À procura do timbre perfeito...


Pedais viram verdadeira mania entre guitarristas. Você sempre adquire um muito legal e depois de um tempo descobre que quer outro.

Atire a primeira palheta o guitarrista que estiver contente com seus timbres e não quer um pedal a mais no seu set up.

Daí você ouve Van Halen e seu som "achocolatado", depois escuta um Brian May, com aquilo que ele chama de guitarra, tirando um som cristalino e oprimido. Pronto! Já precisa de duas distorções diferentes. Se cair pro terreno de Adrian Belew e seus barulhinhos estranhos ou o Mattias Ia do Freak Kitchen, então...


Pois é... Espero um dia poder ter uma cadeia como a do camarada da foto aí. Bacana, né?

sexta-feira, maio 22, 2009

Homenagem




A música brasileira perdeu nessa madrugada Zé Rodrix. eu já gostava muito de "Sobradinho" e de "Roque Santeiro", da dupla Sá & Guarabyra, quando descobri que o Zé tinha feito parte da primeira formação, como trio: Sá, Rodrix & Guarabyra. Dele, eu só conhecia a "Casa no campo", pela voz da Elis Regina, mas fui procurar alguma coisa do trio.

Consegui um vinil com sucessos do trio, que ouvi por bastante tempo. Graças ao trabalho de garimpo do Chales Gavin, hoje tenho o álbum em CD.

"O blues da riviera", "Os anos 60", "Primeira canção da estrada", músicas que pertecem à trilha sonora da minha adolescência 'quase hippie'. Qual o adolescente que resiste a isso:

Primeira Canção da Estrada
(Sá, Rodrix & Guarabyra)

Apesar das minhas roupas rasgadas
Eu acredito que vá conseguir
Uma carona que me leve pelo menos à cidade mais próxima
Onde ninguém vai me olhar de frente

Quando eu tocar na velha guitarra as canções que eu conheço
Eu tinha apenas dezessete anos
No dia em que saí de casa
E não fazem mais de quatro semanas que eu estou na estrada

Mas encontrei tantas pessoas tristes desaprendendo como conversar
Que parece que eu estou carregando os pecados do mundo
Que parece que eu estou carregando os pecados do mundo
Que parece que eu estou carregando os pecados do mundo

Diz aí? Era como se o Zé falasse diretamente comigo...

Aí conheci a "Mestre Jonas". Minha predileta até hoje!

Além de poética, o teclado inspirado em "Sylvia", do Focus, me encantou desde a primeira audição. E faz muuuuuuuuito tempo. Até já disse que se tivesse um filho homem botaria o nome Jonas, muito devido a essa música.

Depois que conheci o som do trio, conclui que a dupla Sá & Guarabyra era bem legal, mas que o toque de genialidade vinha mesmo do Zé Rodrix. As músicas eram bem mais 'completas'.

Bom, o Zé foi encontrar com o Jonas. Vá com Deus.





Casa no campo
(Zé Rodrix)

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais



terça-feira, maio 19, 2009

Escolhas e cores




Foi ontem. Em ritmo de fechamento, cheguei no conforto do lar 1h30 da madrugada... E com fome. Muita fome, pra variar. O jeito foi apelar pro microondas: arroz, feijão e linguiça - já devidamente sem o trema. Então, enquanto o rango esquentava, eu resolvi dar aquela zapeada básica de controle remoto, sabe? Pois é. Na Globo, um Jô Soares - irritante nos últimos tempos - me afugentou para o VH1, que passava um clipe de hip hop... Putz! Tentei a Cultura e não rolou... Pra voltar pra Globo passei pelo SBT e me deparei com uma daquelas pérolas que colocam pra pensar a mídia, mesmo você estando com fome e sendo madrugada. Era assim, a gostosa Helen Ganzaroli e um sujeito 'X' convidando o telespectador a participar de charadas por telefone, já viu, né? Aí a boasuda diz para seu coadjuvante: "É muito fácil, qualquer um pode ganhar. Olha um exemplo de pergunta: cobra é um animal que tem pernas?"
Tive um acesso de riso. Quase acordo minha filha, e fui salvo pelo bip do microondas, me avisando que era hora e pegar o rango. Coloquei na Globo novamente, para jantar em companhia de Jô Soares - na falta de coisa melhor.
Eis que novamente sou surpreendido por outro daqueles fatos que nos fazem pensar a eficácia da televisão. O Jô acabou e começou o Intercine. Pra minha alegria, os telespectadores da sexta-feira tinham escolhido para a madrugada de segunda-feira o filme brasileiro Filhas do Vento.
Eu nunca tinha ouvido falar desse longa, mas simplesmente adorei!

O filme usa uma família negra e pobre do interior de Minas Gerais para discutir questões como racismo, relacionamentos familiares e principalmente as escolhas que cada pessoa faz para sua vida.

Muito poético em seu texto e na fotografia e com posicionamento de câmera bastante interessante. Enfim, não tem nada ruim no filme. Nada! Acabei ficando até o final, 3h da madrugada, sem nenhum peso na consciência com o horário da faculdade no outro dia, porque o filme realmente é muito bacana.

Nos créditos ainda tive a surpresa de saber que o roteiro - um dos pontos mais altos do filme - é de Di Moretti, um roteirista amigo do amigo Hamilton e com o qual ainda não fiz o curso de roteiro por falta de tempo e verba.

Filhas do Vento foi o incentivo que faltava para juntar a grana e arranjar o tempo. Eu recomendo.

quarta-feira, maio 13, 2009

Corpo fechado 2


Ontem, no final do expediente, recebi um telefone do amigo Marcelo me convidando para ir andar no Parque do Ibirapuera. Bom, o papo com esse amigo é sempre muuuuuuuuuuito bom, mas tive de recusar porque a patroa tinha ligado minutos antes, convidando – leia-se intimando – a jantar em casa. A intimação, digo, convite, foi acompanhado de uma inteligente propaganda sobre os já conhecidos dotes culinários da senhora do lar. Sendo assim, recusei o convite do amigo Marcelo.

Eis que hoje, assim que abro os portais noticiosos dou de cara com a notícia que ontem à noite um carro desgovernada caiu no lago do Parque do Ibirapuera e no caminho simplemente atropelou um motoboy e uma moça que praticava exercícios...

Ainda bem que o cumpadre Marcelo está bem. Diante do fato, chamo o camarada no MSN e falamos do assunto, lá pelas tantas, sai a pérola:


Eu: “Cara, fiquei pensando na história do Ibirapuera. Que absurdo. Cê viu de onde a mina desceu?”


Ele: “Vi. De perto do monumento do Cabral. Logo depois do farol da Assembléia”


Eu: “Pois é... cena de filme”


Ele: “Semana passada, a Disney estava filmando em Nova York um filme com o Nicolas Cage. O dublê perdeu o controle de uma Ferrari e porrou o carro numa vitrine. Aqui nós temos um C3 que cai no fétido lago do parque. Cada um tem a "cena de fime" que merece.


Meu amigo e seu eterno bom humor...

segunda-feira, maio 11, 2009

Bobagens, meu filho, bobagens...


A semana passada foi campeã no quesito bobagens. Só de frases esdrúxulas e - literalmente - malditas de governantes e afins tivemos um sem-número. É isso mesmo que você está pensando: mais de cem.

O nosso presidente tinha começado a sessão cretinice reafirmando que considera hipocrisia a discussão sobre o uso de passagens aéreas pela câmara. Faça um teste e digite no Google as palavras "Lula + hipocrisia". Você vai ver que não é a primeira vez que nosso presidente usa o termo para acabar com uma discussão. Aliás, ele já virou mestre em usar essa palavra. É uma espécie de metalinguagem. Com aquela hipocrisia que lhe é peculiar ele sai com o termo a torto e a direito para rebater acusações, evitando assim, maiores manifestações sobre os casos... Se é hipocrisia agora, vai ser no próximo mandato. E no próximo. E no próximo... Fudeu, né? Nunca mais vai ser mudado isso... E agora presidente?

Bom, dias depois, o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) saiu-se com a pérola de estar "se lixando para a opinião pública". Essa dispensa maiores comentários...

Mas pouco se falou da declaração de Roberto Jefferson, feita entre a do presidente Lula e a do relator do conselho de ética - o mais legal é que ética é sempre questão de ótica, saca?. O líder do PTB, Roberto Jefferson, soltou uma verdadeira afronta a inteligência de qualquer interlocutor. Entre outras costumeiras asneiras, sobre o terceiro mandato do presidente Lula e tals, ele disse que "considera que a justiça foi feita no caso do Mensalão, já que o esquema foi desfeito". Genial, não? Uma ótica distorcida para uma ética deturpada... Amo o jornalismo que faço, mas às vezes gostaria de fazer jornalismo político, para ouvir uma bizarrice dessa às vésperas do dias das mães, e então perguntar:
"Senhor Roberto, já que a data está próxima vou usar uma mãe como exemplo, e já que o senhor é político, vou usar a mãe de um político. Ok? Qualquer um, tá? Não necessariamente o senhor. E não necessariamente sua mãe. Mas seguindo esse raciocínio, um sujeito que passasse 365 dias de um ano estuprando a tal mãe de um político, tendo sido descoberto e fugido do país, teria a justiça sido feita pelo fato de o estuprador não estar mais fudendo a puta velha?


Obs: o velha é porque mães de políticos são geralmente de idade avançada e o puta é pelos filhos que elas têm.

sexta-feira, maio 08, 2009

Corpo fechado


Após adiar estreia, Hugh Jackman vai ao México lançar "Wolverine"


A manchete tá na Folha On Line...

Nada como ser imune, né?

quinta-feira, abril 23, 2009

Livro pra voar


A Unesco instituiu 24 de abril como o Dia Mundial do Livro. Eu realmente não podia deixar passar em branco uma data tão importante.
Há dias, li num especial dominical de um jornal - não lembro se era Folha ou JT - que, na contrapartida da decadência do mercado fonográfico, o segmento de livros registra crescimento no Brasil nos últimos anos. Em 2008 o número foi um recorde!
De fato, tenho notado mais pessoas lendo ou falando sobre livros e isso me deixa realmente esperançoso com relação a nosso país.
Livro muda. Eu sei.
Quem sabe não seja esse crescimento no mercado literário mais um - imprescindível - passo do Brasil rumo a algo diferente do que temos hoje?
Livro muda. Eu sei.

A escolha da foto para esse post é emblemática para o momento. Poderia usar uma capa qualquer, mas a imagem dos livros 'trepando' tem a ver com a cabeceira da minha cama. Ela está assim. E das trepadas dos livros vem a multiplicação e a pilha vai aumentando...

Além das 'xerox' que trechos de obras para ler por conta do curso de letras, tô com uma filinha respeitável, todos começados e caminhando pro final.
"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector é um deles. Não curti. E chegar ao final deixou de ser prioridade no momento.
"Quarup", do Antônio Calado, é dos grossos e a leitura está sendo feita a passos curtos - o Hamilton já reclamou disso!
"O último teorema de Fermat" é do Agnaldo e tem me mostrado um lado encantador da matemática que eu desconhecia!
"1984" é leitura retomada, porque outro dia vi lá na estante e achei que lê-lo nesse momento seria importante...
"Poemas", de Maiakovski com tradução de Haroldo de Campos, estava perdido por mais de um ano nas mãos do amigo Marcelo - ele nega, mas sinto que quis oprimir a poesia operária... Ele devolveu o livro, mesmo sem o pagamento do resgate, e agora estou lendo como poesia deve ser lida: em voz alta, algumas por dia, nem todos os dias...
Estão na cabeceira também o começado "Anjos caídos", do colega da USP Ricardo Valente, e "Cabeça de papel", do Paulo Francis, que peguei pra reler na iminência do documentário "Caro Francis", mas isso é história pra outro post...
Hoje me caiu nas mãos um "Alice no País das Maravilhas", empréstimo da colega de faculdade, com tradução do Monteiro Lobato... No ônibus já mandei umas boas páginas - eu não queria começar outro. Juro. Mas não tinha mais nenhuma à mão... O consolo é que no ritmo que vou acabo e devolvo logo.
Pra comemorar a data, passei no sebo no feriado de segunda-feira e comprei "Trópico de Câncer", de Henry Miller, e "Grandes Esperanças", do Charles Dickens - foi citado no "Jogo do Anjo", do Zafón, e desde então tava querendo reler - como adulto, só vi o filme da Gwyneth, mas isso é história pra outro post.
Já dei uma 'curiada' nas orelhas e primeiras páginas dos dois, mas prometo só começar a leitura quando diminuir a fila. Ah, também aguardo com ansiedade o empréstimo dos "Contos de ficção científica" do camarada Waltão...
Olhando daí, sei que a lista parece confusa, sem sentido e até com sinais de pretensão intelectual. "Aff... Um parágrafo de cada por dia, você termina até 2011", foi a brincadeira que ouvi na cama esses dias, quando a mulher notou a pilha na cabeceira.
Mas eu me entendo com eles. Afinal, ler é um prazer. Dos grandes prazeres, eu diria. Daqueles que se tem na cama, sabe?
E você, o que anda lendo, não necessariamente na cama? Me conta aí.

segunda-feira, abril 20, 2009

Anjos e Demônios

O post aí de baixo é praticamente uma 'piada interna', assim, os amigos fora do círculo podem não se divertir. E falando em círculo, me lembrei do infame círculo da confiança feito por De Niro, em "Entrando numa fria". E falando em cinema, me lembrei do "Anjos e Demônios".

Apesar da polêmica e das ameaças do Vaticano, o filme vai estrear. Amigos já viram o trailer por aí, então não deve ser novidade pra muitos...

O registro é mais pra comentar que os personagens de Dan Brown são bons, mas Langdon não funcionou direito na versão cinematográfica de "O Código Da Vinci".

Nada contra Tom Hanks - até gosto bastante desse ator - mas ele deu ao personagem ares de monobol, sabe? Aqueles caras que são tão 'almofadinhas' que parecem ter só um test... Deixa pra lá...

Bom, o trailer taí, com destaque para Ewan McGregor - outro cara que faz coisas bem boas - no papel de carmelengo...




Bulls eyes



Quarta-feira é dia de dardos! Os encontros quinzenais para o jogo ejaculativo - a alcunha foi dada pela amiga de um amigo - regados a testosterona e alguma bebida alcóolica escolhida na hora são mesmo divertidos.

Além da disputa acirrada no jogo penetrativo - eu to ficando bom nisso! - as gargalhadas, o rock and roll e o futebol são garantidos, não necessariamente nessa ordem.

No último encontro, eu tive notável melhora no desempenho, mas a grande atração para a próxima quarta é o desenrolar do diálago entre os outros dois membros de nosso clube de quatro.

-Cara, tô saindo com uma mina sensacional. Esses dias fui jantar com a mãe dela, que é outra maravilha!
-Opa, me apresenta a mãe?

(Risos gerais)

Ainda não sei o que rolou, mas espero para breve o bulls eyes...

sexta-feira, abril 03, 2009

Pais e filhos

Gabriel Garcia Marques escreveu em O amor nos tempos do cólera: "aprendeu a conhecer o filho e descobriu que os filhos não são queridos por serem filhos e sim pela amizade que surge quando os criamos"

A Sofia é minha grande melhor amiga atualmente. E olha que a gente se vê pouco. Ela quase sempre está dormindo quando chego em casa. Fora os finais de semana - quando não estou trabalhando como no passado e como estarei no próximo - a gente só se vê de manhã, meia horinha antes de eu sair.

Mas já é fantástico. A menina acorda antes das 7 da manhã e já de sorriso no rosto! Incrível.

Hoje levei-a para tomar vacina e ficamos um tempão juntos. Conversamos muito e já descobri que ela fala tanto quanto eu - apenas não consigo entender tudo...

Coitada, parece mesmo comigo. E não só nesses dois aspectos - falar muito e sorrir bastante.

Pra falar a verdade, ela é minha cara e isso me deixa a cada dia mais orgulhoso. Olha, duas das fotos abaixo foram tiradas na década de 70...quando eu tinha a idade que a Sofia tem agora.. Tente descobrir quem é quem... :P











segunda-feira, março 23, 2009

Rádio cabeça


Uma das coisas mais legais em shows de rock é que você realmente curte a música. Gente como eu, que fala pra caralho, acaba sendo obrigada a ouvir e dançar, sem conversa, várias faixas seguidas. Não se vai a um show querendo tagarelar, né? Pra isso, você encontra as pessoas num barzinho que sai - beeeem - mais barato. Tudo isso, pra dizer que é nesses momentos de puro mergulho na música durante um show que você descobre nuanças e passagens ainda não percebidas na canção.

Gosto muito de misturar o gosto por bandas de diferentes épocas. Junto com os guitarristas shred da escola Van Halen e sua objetividade de explorar todas as possibilidades da guitarra do ponto de vista da velocidade e técnica, também curto um 'experimentalismo viajandão' de colagens e instrumentos bem-tocados como King Crimson ou até Pink Floyd.

Quando quero ouvir mensagem, letra, recorro aos brasileiros. Muito bons nisso, por sinal. Caetano, Moska, Baleiro. Ixi, a lista é longa...

Ocorre que alguns me proporcionam duas e até três dessas possibilidades ao mesmo tempo. Frank Zappa, por exemplo. Instrumentistas de primeira, composições inteligentes e mensagens criativas nas letras.

Saltos à frente, chego em Radiohead. Parece-me, à primeira vista, das mais modernas que aliam essas coisas em sua obra. Moderna porque essa é de fato uma característica da banda. Enraizada e que não se dissipa nem mesmo ao longo de 15 anos de estrada. Em outras palavras, continuar moderno depois de década e meia é pra poucos.

Em tempos de crise, não consegui ir ao show da banda em São Paulo e por isso no domingo, na hora marcada, estava eu em frente a TV, sintonizada no Multishow, à espera dos caras.
Nos primeiros 15 minutos de show eu já me perguntava porque não me esforcei com mais afinco para estar naquela platéia. A faixa de abertura do show, presente no último disco dos caras, In Rainbows, já causou o autoquestionamento. Caralho! O disco, que por sinal é 80% do repertório dos shows, é fantástico. Por que diabos eu não fiz aquela forcinha extra?

A segunda música afugentou o pensamento incômodo e continuei observando os detalhes daquela catarse musical. Lindo. Melodioso, diferente, criativo. Rock and roll.

Moderno. Parece que foi esses dias que ouvi o riff matador de Creep e meses depois - e pulando um disco - me deparei com as melodias intrincadas e as texturas tecnológicas de OK Computer. Mas faz mutio tempo. E ainda continua bacana. Lembro que na época gostei tanto e li que era um álbum conceitual, baseado no Guia do Mochileiro das Galáxias. Corri para ler a ficção inglesa - por sinal, bem engraçada. Depois de um tempo, passei a achar o disco monótono.

Por ocasião do lançamento de In Rainbows, passei a orelha de novo no Ok computer e - confesso - não me empolguei tanto.

Vendo o show do Radiohead pela TV compreendi que é o mais autêntico trabalho da banda. É simplesmente o momento em que o Radiohead é mais Radiohead. Mas os outros discos também são bons.

Constatado isso, me consolei com a idéia de "pelo menos assistir pela TV" e nessa hora lembrei do camarada Hamilton. O impulso de tagarelar é mesmo irresistível.
"Tá assistindo ao show do Radiohead pela TV, né?", escrevi no torpedo, porque tinha mesmo de comentar com alguém como aquilo tava bom.

"Yeah! Tá bonito pra cacete", foi a resposta que chegou quando o celular vibrou no ritmo conforme a música.

Tive mesmo de responder: 'Tá bem legal. Devia ter vendido um órgão para ir a esse show"
"Concordo! Também estou arrependido de não ter ido", ele respondeu.

O consolo de ver pela TV foi subitamente interrompido pelo Multishow, que somente transmitiu a primeira hora do concerto. Politica e negócios não deviam afetar o entretenimento, mas bem-vindo à indústria cultural. Por que então não transmitiram a partir da segunda hora? Quando o show está quente, quando tudo está mais embalado. Quando a banda 'libera' aquelas músicas que você quer ouvir? Paciência.

O jeito é esperar o próximo show dos caras por aqui. O consolo, esse sim, verdadeiro, é saber que eles continuarão modernos, mesmo que esse show seja daqui a 10 anos.


P.S.: Voltar de férias no blog com um post de resenha de show ao qual não se assistiu é de foder, eu admito. Façamos o seguinte, então, vamos ouvir "Fake Plastic Trees", uma das que o Multishow fez o favor de NÃO transmitir e viva ao Youtube...


segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Beleza no belo


Quem já foi a Barcelona diz que a cidade é linda. E que Antoni Gaudi é genial. Com sua vaca profana, Caetano me cantou: “sou tímido espalhafatoso, torre traçada por Gaudi”. Já bastou pra querer conhecer a cidade do artista. Ainda não fui pra lá, mas recentemente a vi pelas lentes de Woody Allen em seu Vicky Cristina Barcelona e ficou entender porque o diretor trocou sua eterna amada Nova Iorque pela pátria catalã. Não que a metrópole americana não seja linda e tenha seus encantos – muitos e muitos, particularmente falando, sem conhecimento de causa.

Deixemos o turismo caro para épocas de vacas gordas – elas virão, tenho certeza! – e passemos ao outro “ismo”: o voyerismo. Sim, essa é uma das sensações quando assistimos ao mais recente filme do diretor americano. Com Penelope Cruz e Scarlett Johansson – em ordem de preferência, sempre! – numa cidade linda e com os diálogos inteligentes escritos pelo diretor. Ah, uma apoteóse ao deleite. Puro voyerismo.

A trama de integência sutil e sensual nos apresenta duas amigas de férias na cidade espanhola, que se envolvem num triângulo amoroso de quatro pontas – lá pelas tantas a figura geométrica pode se tornar o que os matemáticos chamam apenas por polígono.

Vicky, centrada e prestes a casar, sabe exatamente o que quer. Cristina, de olhar sempre perdido e indecifrável, só sabe o que não quer. O pintor Juan Antonio Gonzalo, na pele de Javier Bardem, tem uma invejável sinceridade e disposição para a vida, tão intensa quanto sua maluca e ciumenta ex-mulher Maria Elena, vivida pela sempre linda Penelope Cruz, que surge para colocar Juan no vértice do tal triângulo. Tudo isso tendo como pano de fundo a espetacular Barcelona. É preciso mais? O filme é muito bacana e sutilmente faz o público se identificar não necessariamente com um dos personagens, mas com momentos de cada um.

Dos que querem se entregar numa louca paixão - e todos os riscos nos quais essa palavra implica - mesmo contrariando suas convicções até os que sabem exatamente o que querem. Mesmo que seja por hoje. E só por hoje. Na saída do cinema era só ficar em silêncio para ouvir os comentários. “Ah, eu pareço mais com a Cristina, se bem que ando tão ciumenta que tô mesmo é pra Maria Elena” (...)

A amiga do Tormenta e Calmaria também se identificou. Tá aqui ó: www.tormentaecalmaria.blogspot.com. Normal. Até eu me vi um pouquinho nas frases de honestidade despudorada – e sempre – chocante do pintor Juan.

O filme foi bastante comentado e eu gostei muito. E lembrei que o camarada Hamilton chegou a comentar quando assistiu ao filme: “Cara, como pode uma história dessas sair da cabeça de um tiozinho de 70 anos?” E nesse mesmo papo ele se queixou eu ter dito aqui que Allen era o Bukowski de nosso tempo. Entendo a reclamação, mas quis dizer que origem dos trabalhos dos dois é a mesma. Dois tarados de idade avançada e imaginação singular, que têm como poucos a percepção e compreensão dos anseios do outro – no caso, o público. Mas Woody Allen é um intelectual – é tarado, mas é fino. Um cavalheiro, que usa a privilegiada inteligência para nos transportar a seu universo, que, no fundo mesmo, é o universo de nós todos, mas com muito mais beleza plástica.

E falando nesse quesito, Penélope Cruz está irresistivelmente sexy, Scarlet Johansson é encantadoramente atraente, mas Rebecca Hall é minha predileta. Sua beleza é como a da própria Vicky: enigmática, que passa a impressão de segura e decidida e de que sabe o que quer, mas não se deixa dominar pela lógica. E que, no fundo, se deixa encantar pela vida e corre os riscos que isso pressupõe. E quando à primeira vista você acha que ela é normal, te surpreende a cada novo olhar...



quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Santa tela grande, Batman

A elogiada interpretação de Heath Leadger no papel de Coringa em O Cavaleiro das Trevas me deixou ansioso para assistir ao filme. Sou fã do homem-morcego, já disse aqui mais de uma vez, mas não custa relembrar. Foi o primeiro herói de HQ que realmente me chamou a atenção. Aliás, foi o herói que me tornou leitor de HQ. Li muito menos do que queria, mas gostei bastante dos que li – era época em que o tempo abundava e o ócio era companheiro inseparável, bastante normal para pré-adolescência.

Enfim, fiquei aguardando a chegada da película às telonas do país, mas 2008 definitivamente não foi dos melhores para ir ao cinema. Além da falta de tempo teve também a, digamos, falta de tempo. Nessas, Heath Leadger e Crhistian Bale – pois é, mais uma vez o nome do vilão vem na frente do mocinho, mas isso não é novidade quando o assunto é Batman - passaram pelos cinemas e eu não vi.

Senti formigamentos nos dedos quando tive contato com a cópia pirata do filme nas mãos de um amigo. Mas me recusei a assisitir na hora ‘H’. Tinha certeza que o filme voltaria ao circuito com a indicação ao Oscar – ainda mais evidente depois da trágica e, por que não, imbecil morte de Leadger – e quis esperar.

Santo sexto-sentido, como diria o garoto prodígio Robin e uma de suas mais patéticas versões. Mas foi mesmo uma opção acertada não ver o pirata! Assim não estraguei a novidade e vou poder ver o filme, pra mim, inédito na telona. Sim, O Cavaleiro das Trevas está de novo em cartaz . E em grande estilo. A reestréia (olha aí o novo código ortográfico!) veio na primeira sala IMAX do Brasil, em São Paulo, no Shopping Bourbon, na Pompeia (de novo?). Bem pertinho do meu Palmeiras. Olha aqui depois ó: http://www.bourbonshopping.com.br/site/pompeia/entretenimento.htm#

Bom, o lance da Sala Imax é o seguinte: tela gigante, com 16 metros de altura (a daqui tem 'só' 14 metros).

Olha aqui também: http://pt.wikipedia.org/wiki/IMAX

Vai ser sensacional e, ao que tudo indica, verei nesse final de semana.

Ainda bem que, apesar de ser o vilão a estrela da película, eu não tenha me deixado levar pelo crime de assistir à versão pirata. O crime realmente não compensa.



quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Comes e bebes


Quando estou de bom humor meu apetite aumenta vorazmente. Assim foi hoje. A excelente notícia da aprovação no vestibular chegou bem na hora do almoço. Sozinho em casa, entre um frila e uma navegada na net, me preparava para preparar o almoço, meio sem fome, meio com preguiça, quando o cumpadre – há camaradas nessa vida que são verdadeiros achados, né? – Marcelo liga. “Parabéns, meu amigo. Você foi aprovado na Fuvest”.

Pronto. Humor em alta e apetite a reboque. O pratinho acabou saindo meio grande. Mas acabou descendo com facilidade. Arroz, feijão, carne com batata – o famoso guizado, né Alê? – farinha de mandioca e minha mais nova companhia das refeições: o vidrinho de Tabasco. Adoro pimenta – e nem tenho alergia, margarida – e ultimamente estou viciado no molhinho mexicano. Nossa! O prato ficou tão bonito que tive de fotográfa-lo.

Até lembrei do mano Walter, com quem almocei na segunda-feira. Levei o bicho pra comer num lugar bacana. Do jeito que gosto: paga-se dezessete pratas e come-se à vonade. Pô, ele fez um pratinho bem modesto e, quando voltei à mesa com o prato do segundo tempo , Walter me olhava com cara de admiração. "Você não come, não?", indaguei. "Não como você", ele respondeu de maneira seca.

Mas voltando ao almoço de hoje, comemorativo e solitário, ele não foi o bastante. Depois de trabalhar à tarde e fazer a filhota dormir – como um anjinho –, acabei a noite com uma cerveja – na verdade, três – pouco conhecida, mas, assim como o Tabasco e o prato do almoço, deliciosa. O nome é Stella. Da cerveja. E realmente me lembrava-me de ter tomado numa outra ocasião. Aliás, no mesmo bar, o Café Piu Piu, porém dessa vez estava ainda mais especial. Além da comemoração do vestiba, a banda da noite era formada por colegas da imprensa automotiva – Glauco e Alê da Autoesporte, a quem interessar possa – com repertório de rock and roll do bom. De U2 a Franz Ferdinand, passando por Stones e Strokes.

Cerveja, colegas de profissão e rock and roll! Uma boa maneira de comemorar o ingresso na USP, um sonho antigo. O curso de jornalismo, que tentei em 1995, acabou não dando, mas agora vou encarar Letras. Nada mau para um apaixonado por literatura e verdadeiro amante da nossa – inculta e bela, né professor? – língua portuguesa.

P.S.: O Glauco, editor da revista e vocalista nas horas vagas, me lembrava alguém, sempre que o encontrava. Somente esta noite, com ele em cima do palco, a ficha caiu. Ele não gostou da piada, mas encarou com bom humor: "Para parecer o Thon York, do Radiohead, eu tinha de deixar o olho cair." Imagens valem mais que palavras...