quarta-feira, agosto 26, 2009

O sucesso...


No outro dia entrei num restaurante e me deparei com uma versão acústica do hit Song for You, de John Miles.

A música que foi um dos hits dos comerciais da Hollywood nos 80 me inspira e traz recordações do tempo de garoto. É uma canção que me aparece de vez em quando, a cada três anos mais ou menos, e me lembra como uma simples baladinha bem arranjandinha pode fazer um dia feliz.

Curiosamente insisto em registrar na memória que "Song for You" é de Steve Winwood. Engano. A do inglês que fez parte do Hollywood Hits é "Why you see a chance". O mais engraçado é que por esse motivo, três anos atrás, quando lembrei da dita cuja, cacei como um louco, mas não encontrava Atrelava, em minhas pesquisas, a música a Steve Winwood. Mas achei. Numa coletânea dos hits do cigarro, de um tempo em que se podia fumar em qualquer lugar e era até charmoso. O sucesso! Dizia o slogan.

Acredita que nessa semana, quando ouvi a versão só com violão, voltei a procurar por ela como sendo de Steve Winwood? Resultado, só consegui ouvir hoje, quando achei o CD adquirido há três anos... E aí aproveitei pra dar uma ouvida geral. Journey, Kansas, Whitsnake, Peter Frampton e uma série de one hit wonders que só de ouvir já dá pra sentir o gosto da fumaça na boca e a onda batendo no rosto. Pois é. Os comerciais do Hollywood nos anos 80 me deixavam com vontade de surfar, saltar de paraquedas, não de fumar... Mazelas do marketing. Mas acho que também eu era muito jovem... Deixa pra lá.

Depois dessa pausa, à 1h da madrugada, vou voltar para o texto que estou escrevendo. A trilha sonora, já sabe, né?

terça-feira, agosto 25, 2009

Pequeno perfil de um cidadão comum...

Então, agosto tá indo embora... Ano passado, esse mês foi foda. Enxaqueca cruel, a filhinha internada e tudo de ruim que se pode imaginar nas costas de um rapaz latino americano e sem dinheiro banco e sem parentes importantes - ó o Sarney aí de novo!

Bom, como disse, o mês chega aos últimos dias e nesse ano está bem mais - infinitamente - light do que em 2008.

A ironia ficou por conta de que esse post era pra sexta-feira passada e só não foi postado porque estava à procura de uma versão decente de 'Sujeito de sorte', do Belchior, mas não existe na net, a não ser o próprio cantor cearense fazendo um 'rap' bizarro na introdução...

Aí o Fantástico faz uma matéria com o sumiço do cara e eu penso: porra, vai dar pra fazer o post, porque agora acho uma versão boa da música no iutubi. Que nada, o mês tá bem melhor, mas presentemente eu não posso me considerar um sujeito de 'tanta' sorte. Ninguém põe na net um vídeo com a versão original da música (ficaadica)!

Mas enfim, tirando a coincidência de eu ter pensado no Belchior na sexta-feira e o Fantástico resolver fazer do sumiço do homem uma preocupação nacional no Domingo, os versos da tal canção são bem bons... Pra mim, pro Belchior e pra quem mais quiser:

"Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro"

Então, já que tive de falar dele, acredito que o cara deve aparecer. Mas achei a pauta muito boa... Quando ouvi a chamada chutei do sofá: "Porra, deve ser o Djavan. O cara sumiu" Errei por pouco, hein? Presentemente eu não posso me considerar um sujeito de sorte...

Na falta de versão melhor...

sexta-feira, agosto 21, 2009

Na lida


Enquanto o Detran não me libera pra fazer o exame e me concede a licença para pilotor a motoca, vou andando de coletivo e fugindo de vagabundo tentando me ganhar no busão.

Passou perto essa semana e meu notebook ia embora... Ainda bem que me safei... Crescer na periferia tem seus méritos.

Em protesto, além de começar a providenciar um backup, hoje comprei o capacete. Bem bacana, por sinal.

Agora só falta a habilitação! E a aquisição do acessório só aumentou a vontade de sair com a bike sem carta mesmo... Mas é melhor não. O mar não tá pra peixe...

Enfim, fora as desventuras em viagens de coletivo pela amada São Paulo, tenho escrito muita coisa, embora as passagens nesse espaço aqui tenham ficado mais raras. Eu me desculpo e explico: as leitruas e análises exigidas pela faculdade começaram a tomar tempo novamente. É bem legal e estou gostando, mas precisava de um dia de 48 horas fora a noite, pra conseguir fazer tudo.

Aí embaixo está a capa da DNA número 5, nas bancas há duas semanas. Estou acabando a 6 e o bicho tá pegando. No mais, estamos aí.



Ah! Fora isso, tem ensaio na próxima terça-feira, com a incrível estreia do meu pedal de efeito Chorus da Digitech. Peguei ontem e na madrugada já consegui sentir que o bichinho é valente - mas não deu pra aumentar muito o volume...




É isso. entre guitarradas, fugas insólitas, matérias para as revistas e textos na faculdade, eu vou sobrevivendo!

E vou tentar dedicar mais tempo ao blog. Prometo. E quando prometo, eu cumpro!

quinta-feira, agosto 13, 2009

Les Paul


Quando entro numa loja de guitarras tenho uma sensação muito particular. Gosto de olhar e tocar cada modelo. As bonitas, as feias, as famosas.

Tenho três guitarras e estou muito feliz com elas, mas é como um vício. Não canso de admirar os exemplares em exibições nas melhores lojas do ramo.

Tenho uma listinha mental de modelos preferidos. O nome é "sonhos de consumo" e no topo dela está a Gibson Les Paul.

Qualquer um que toque guitarra, já quis ter ou quer um dia poder sentir os graves poderosos desse histórico modelo.

Hoje, morreu o sr. Les Paul, que o criou nos anos 50. Leo Fender tinha cravado seu sobrenome na história do rock com suas Fender Telecaster, contra a qual a a Gibson precisava de uma concorrente à altura.

Les Paul inovou criando um instrumento com braço inteiriço - nas Fender a peça é parafusada - corpo sólido e timbre particular.

O velhinho já estava com 92 anos e assistiu, ao longo de mais 50 anos, a muitos músicos empunhando sua criação com maestria.

Só pra citar um, vou de Jimmy Page, do Led Zeppelin, entre os caras que me fizeram querer ser guitarrista e amar a criação do sr. Les Paul!

R.I.P Les!


Protoshop

Amigos ilustradores e artistas servem pra te fazer rir.

Eis que o G1 publica uma nota sobre estudos com saliva de carrapato (bizarro, né?) e ilustra a matéria com uma foto de dois insetos tendo suas babas colhidas por canudinhos. A imagem é tão grotesca que fiquei me perguntando o que acrescentava à nota e mandei para o brother Waltão o link...

Olha o que ele me manda de volta... Nada como poder manipular a realidade...

boa, meu velho





P.S.: Para ver outras ilustrações e manipulações do Waltão entre aqui ó: http://www.madmonsterland.blogspot.com/

sexta-feira, agosto 07, 2009

Curtindo a vida adoidado





Dando uma olhada na filmografia de John Hughes, diretor e roteirista que morreu ontem, nos Estados Unidos, constatei que sua obra-prima, "Curtindo a vida adoidado", foi traduzido em Portugal como "O rei dos gazeteiros". O coração do cara já tinha resistido a isso, mas ontem parou de bater depois de uma caminhada. Era jovem, ainda, 59 anos. Mas curtiu a vida adoidado! Era um gazeteiro de marca maior.

n.a.: A conversa com o Monstrolândia sobre isso foi engraçada.

Teoria, na prática




Às vezes a gente passa muito tempo planejando uma coisa e na hora da execução nada sai como foi pensado previamente. Normal. Por isso eu recomendo passar menos tempo planejando e mais horas vivendo de fato, saca?

É como o meu amigo Neil Armstrong que passou a viagem inteira para lua, lá em 69, há 40 anos, decorando a famigerada frase com a qual entrou para a posteridade:

That's one small step for a man
One giant leap for mankind

Resultado? Quando pisou no satélite suprimiu o 'a' de sua frase, que em vez de 'um homem' ficou 'o homem'. Ora, 'o homem', no contexto, é o mesmo que 'humanidade' e a brilhante setença, apesar de não perder o brilho, ficou errada. Tudo bem, a humanidade ou 'o homem' aqui na terra entendeu o que ele quis dizer, mas imagine o pobre Armstrong sendo perseguido por 40 anos pelo fantasma do artigo indefinido...

Pois é. Por isso, às vezes, deixar por conta do improviso é o melhor remédio. Evita a tensão prévia e expia a culpa de não ter saído perfeito. Mais ou menos como fez Edmund Hillary, quando escalou o monte Everest, 16 anos antes do feito de Armstrong. Alguém lhe perguntou por que escalara o monte - esses repórteres e suas perguntas inteligentes! - e ele disse: "Poque ele estava lá".

O importante é o que se conquista e não o que se diz ao mundo sobre isso. Né não?

E não perder fazendo planos, mas ações.

E já que o tema são frases de impacto e incentivo, ainda fico com o bom e velho "olho de tigre"...

quarta-feira, julho 29, 2009

Direto das comemorações

Não passo aqui há tempos, porque as comemorações do pequeno passo dado há 40 anos ainda estão tomando meu tempo, mas prometo post novo pra breve!

Por enquanto, uma imagem pra todos saberem por onde tenho andado...

quinta-feira, julho 16, 2009

humor com técnica



Então, o cara aí em cima é Paul Gilbert, um de meus guitarristas prediletos.

O cara mescla a dose ideal de fritação - leia-se exibicionismo - com qualidade musical. Um compositor de mão cheia, fã de Beatles e ao mesmo tempo moderno, tanto em suas canções como nos temas instrumentais bastante complexos.

A palhetada dele é fantástica. Rápida, limpa, digna de um autêntico Shred - para entender o termo, leia aqui ó: http://pt.wikipedia.org/wiki/Shred

Paul Gilbert tem vários diferenciais em relação aos guitarristas de sua geração, mas talvez o seu bom humor seja o maior deles... Dá uma olhada na videoaula aí embaixo... hahahaha...

Nice, Paul!



Ou um pouco mais sério...

quarta-feira, julho 08, 2009

Lunch ou net...



Há tempos sem postar, estou devendo - pra mim mesmo, é bom que se diga - várias reflexões.

Véspera de feriado, bastante trabalho a ser feito. Hoje, depois das 18 horas, tinha de me transformar de jornalista de motocross em jornalista musical - o editor da GP tá na bota...

Eis que na procrua de uma cabine para a troca de roupa eu resolvo fazer uma visita ao amigo Alê, em seu mais novo investimento: um cibercafé.

Caralho! Estou supreso e feliz. Muito feliz. Primeiro, com o sucesso do brother - parabéns, Alê! A gente sabe que você merece. O segundo motivo da minha supresa e felicidade é que o lugar é mesmo muito bacana! Muito mesmo.

Bem ajeitado, caprichado, aconchegante, bonito. Pra resumir numa palavra que ele sabe bem o que significa pra mim: estiloso!

Esse post está sendo feito com o notebook no wireless do EcoGaudí - esse é o nome do lugar e se você é de São Paulo ou vai passar por aqui em breve, anote aí. Mais que isso, dê uma passadinha - o endereço eu passo pra quem quiser. Se você vai usar a net ou tomar um café não importa. Vai ser muitíssimo bem atendido, num lugar muito bacana!

Eu recomendo!

sexta-feira, junho 26, 2009

O fim de uma era




Penso que almas inquietas só encontram a paz na arte ou na morte.
Há tempos, o velho Michael não encontrava paz em sua arte.

Espero que a tenha encontrado na morte.

Pois é. Lembro que era um sábado à tarde, de 1983. Eu tinha 7 anos e fiquei encantado com aquele videoclipe cheio de caras com jaquetas de couro e canivetes. Gangues de verdade travando uma briga na madrugada. Eis que surgia um sujeito com a jaqueta mais legal de todas, cantando e dançando ao som de um guitarra pesada. Eu achei sensacional!

Dias depois, aquilo era uma verdadeira moda. Nas ruas, pessoas usavam jaquetas que imitavam as do videoclipe. Nos programas de calouros, os imitadores só queria dançar como o sujeito da jaqueta vermelha. O nome dele era Michael Jackson. E a música era Beat it.

No auge da febre, eu com 7 anos, me lembro de minha mãe dizendo pro meu pai: "Meu Deus, esse cara acho que é mais famoso do que os Beatles, né?"

E eu então perguntei: "Pai, o que é Beatles?" Foi assim que fiquei sabendo da existência do quarteto de Liverpool e só bem mais tarde fui ter contato com a música deles.

Também foi bem mais tarde que eu fui descobrir que aquele som que me encatava em Beat it era de guitarra. E ainda mais tarde, descobri que aquela guitarra era tocada por um cara chamado Eddie Van Halen.

Se você acha exagero as pessoas dizerem que Michael Jackson mudou o mundo da música, eu posso afirmar que não! Só na vida ele foi o responsável por eu saber o que era Beatles, o que era guitarra e o que era ser um astro de verdade! Pô, isso é muita coisa!

Descanse em paz, Michael! A música e cultura pop devem muito a você!

terça-feira, junho 23, 2009

Podcast






Você também pode baixar esse podcast aqui

quarta-feira, junho 17, 2009

Será?

Será que eles chegaram? Ou vieram me buscar?

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3830387-EI8139,00.html


hum...

Só de pensar em voltar pra casa, me dá uma 'coisa' na barriga...

quinta-feira, junho 11, 2009

She is back





Ainda me lembro. Era 1995, eu tinha de 17 para 18 anos, começava a dar o meus primeiros passos em informática. As palavras internet e web eram a febre do momento.
Na minha cabeça elas ainda ocupavam espaço pequeno, ao lado da Julia Roberts, lindíssima, raínha absoluta nos banhos em homenagem a Onam daquela época. Também pensava bastante em coisas como guitarra, literatura e música. Nossa! Agora me dei conta de como as coisas mudaram nesses últimos 14 anos... Ahahaha

Mas voltando ao escurinho do cinema, enquanto aguardava o filme - acho que era Casino ou A Balada do Pistoleiro - vi um trailer, com aquela voz sussurante que dá na gente uma vontade indescritível de assistir ao filme, sabe? Então, era o trailer de A Rede, com Sandra Bullock, dizia a rouca voz, com ênfase, enquanto o rosto lindo da atriz e seu corte de cabelo me impressionavam.

Sandra Bullock? Um nome tão bonito quando o rosto bem delineado, com o corte de cabelo bem moderno para aquele ano...

Pausa. Silêncio mental.

Julia Roberts sai de cena. Entra Sandra Bullock. Deslumbrante, simpática, sorriso maroto. Linda.

Virei fã da mulher. Assisti a muitos filmes com ela. Desde as comédias românticas bobinhas como "Enquanto você dormia" até "Miss Simpatia" - uma porcaria de marca maior salva pela estrela de iluminada de Sandra. Nos últimos tempos gostei muito de "Crash" e de "A casa do lago". Tá bom, eu assumo, gostei de todos e estava com saudades de ver minha musa nas telonas!

Mas ela voltou. Ao lado de Ryan Reynolds - ele até que manda bem nessas comédinhas românticas e "Apenas amigos" vale uma tarde de pipoca e coca-cola. Os dois estão em "A proposta", que vou esperar ansioso, pra daqui um mês encontrar minha eternamusa.

Olá Sandra, há quanto tempo, hein? Prazer em revê-la...

terça-feira, junho 09, 2009

Breve história do mundo


Era como um sonho. Um lugar estranho. Não sabia exatamente onde estava. Só lembro de olhar em frente e ver o velho Eistein sentado numa pilha de livros com cara triste. Mas exalando sapiência. Ao seu lado estava Shirley Temple, ainda menina, antes de receber sua miniestatueta do Oscar e ainda bem distante de sua luta inspiradora contra o câncer de mama. Ao lado deles, Leon Toltoi e embaixo da mesa, a cabeça de Lewis Carroll... Era muito estranho. Todas as pessoas importantes para a humaninadade estavam lá! Até Platão, que diga-se de passagem, trocava idéias com Pelé – novinho, do tempo em que fazia gols calado – e com o Bill Gates. Perto deles, o Lenin com braços erguidos e seu sonho deturpado de socialismo... Ele talvez não imaginasse o sofrimento que o seu autoritarismo causaria ao seus pares. Era incrível. Sadan Hussein, Elvis Presley, Ariel Sharon, Michale Jordan, estavam todos lá, se divertindo e evidenciando o quanto o homem mudou o planeta.

E em cada rosto que olhava eu via a possibilidade de conhecer melhor a biografia daquela pessoa. Bastava passar o mouse em cima e clicar. Mas era estranho. Acordei de repente e me lembro de um cara tirando uma foto do momento. Ele me disse que hospedaria a tal imagem nesse link ó:

http://cliptank.com/PeopleofInfluencePainting.htm



sexta-feira, junho 05, 2009

Encontros e desencontros


Sabe quando você já intui que vai gostar de um livro só pelo título ou pelo autor? Pois foi isso o que aconteceu quando ouvi pela primeira vez o nome de Milton Hatoum. O premiado autor amazonense surgiu há mais de um ano numa conversa com uma amiga jornalista e conterrânea de Hatoum. Na época, dei uma pesquisada nos trabalhos do escritor e só confirmei a certeza de que ia gostar dos livros dele.

A fila imensa de leituras só me permitiu ter contato com Dois Irmãos - segundo livro do autor - agora. E como eu tinha previsto: arrebatador! Outros entraram na fila, mas assim que possível vou ler "Relato de um certo oriente", o primeiro do manauara, escrito 10 anos antes de Dois Irmãos.

Arquiteto de formação, professor de literatura francesa em Manaus e de literatura portuguesa na Califórnia, no EUA, Milton tem credenciais que instigam qualquer fã de literatura.

Em Dois irmãos apresenta um estilo invejável e revela certa garimpagem na escolha das palavras. Um livro muito interessante, que prende o leitor como só grandes nomes da literatura sabem fazer.

Ainda ontem, li uma entrevista de Luis Fernando Verissimo, na qual o autor admitia não ser 'preso' às regras gramática. Mais que isso, assumia não dominar o assunto e que 'não sabe utilizar corretamente o verbo haver'. A tarefa realmente não é fácil e esse mea culpa de um nome tão significativo na literatura portuguesa evidencia isso.

Pois bem, entre as qualidades de Hatoum que me chamaram atenção ao término de Dois Irmãos está justamente o domínio da língua. A escolha perfeita de palavras para a construção de cenas memoráveis, com maestria.

E às vezes parece até esnobe, quando usa, por exemplo, o famigerado verbo haver de maneira divina. Olha o trecho:

" (...) Muitos objetos estavam destroçados. Haviam sobrado o pequeno altar, o narguilé e a cirstaleira. Havia pedações de espelho e moldura sobre o o sofá cinzento. (...)"

Estive em Manaus recentemente, numa viagem estilo 'mochila nas costas e vamos conhecer um lugar diferente'. Gostei muito da cidade e da 'viagem para me encontrar'. Um estilo de vida totalmente diferente da Sampa onde vivo, que me mostrou (nais) sobre as diferenças e as aceitações. Fiquei devendo um post sobre a viagem, mas não deu tempo. Posso fazê-lo qualquer hora...

Mas citei esse passeio porque na volta, no aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, conheci o Milton Hatoum. Pegamos o mesmo vôo para São Paulo. Na ocasião ainda não tinha lido nenhum romance dele. Dois Irmãos estava na fila, mas eu já tinha passado a vista numa série de crônicas - ele escreve no Estadão (indisponível) e no Terra (aqui ó: http://terramagazine.terra.com.br/ultimas/0,,EI6619-SUM,00.html)

O papo foi rápido, mas bem bom. Simpático e disposto, me tratou superbem e ainda adiantou sobre o lançamento do novo trabalho (já está nas livrarias com o nome de "A cidade ilhada").

Foi um incentivo a mais para ler o livro, que indico para qualquer pessoa. Até àquelas que torcem o nariz para escritores brasileiros e para autores 'não-clássicos'. É memorável e inspirador.

Pretendo ler os outros trabalhos de Milton e num próximo encontro terei mais assunto. Aliás, os e-mails que trocamos depois da conversa no aeroporto tiveram o singelo título de "Encontros e desencontros". Tudo a ver com o tema de Dois Irmãos...

quinta-feira, maio 28, 2009

Mentiras sinceras




No último final de semana estive num Sesc assistindo a mais um show de Kleber Albuquerque, cantor e compositor que eu admiro muito. Na verdade, acompanho o trabalho do cara há muito tempo. Desde 1994, quando ouvi pela primeira vez uma música dele na 'falecida' rádio Musical FM.

De lá pra cá muita água rolou e o cara já gravou vários CDs, um melhor do que o outro. As letras tocantes, interpretações viscerais e muita criatividade. Na linha de Zeca Baleiro, Lenine, Chico César e Moska. Aliás, acho o Kleber tão bom quanto - ou melhor - do que estes caras, mas a carreira dele simplesmente não decola. Mazelas do cenário musical brasileiro...

Ainda assim, ele tem fãs fiéis, vários, e sou um deles. Vou em quase todos os shows. Já virou piada entre os amigos: "Você é assessor do Kleber nas horas vagas?"

Pois bem. O show nesse final de semana, porém, era bem diferente: "Mentiras sinceras", uma homenagem a Cazuza. O projeto conta ainda com Luiz Gayoto e Stevan Sinkovitz, parceiros de Kleber.

Na adolescência eu ouvi muito Legião Urbana. As letras do Renato Russo me mostraram muita coisa nessa vida.

Gostava de Barão e depois do Cazuza, mas só parei pra prestar atenção nas letras do carioca quando ouvi "O tempo não pára" - naquele tempo tinha acento!

Lembro do próprio Renato Russo falando num show: "Sou um cantor numa banda de rock e alguns dizem que sou poeta. Eu vou falar de um carinha. Ele é do signo de áries. Ele gosta da Janis Joplin e dos Rolling Stones. Ele se chama Cazuza. E eu digo: ele é poeta"

Escolhi a verdade como ideologia de vida. Às vezes - quase sempre - não querem ouvi-la, mas como prefiro que usem comigo a verdade e somente a verdade, é isso que uso com os outros.

É uma espécie de ideologia. Entre outras.

E aqui o Cazuza teve papel importante na minha formação. Foi ele que me colocou na cabeça que eu precisava de - pelo menos - "uma" pra viver... Ah, ele também falou em "mentiras sinceras me interessam" e isso me deixava eufórico. "Que tirada inteligente", eu pensava...

Também lembro de ficar fascinado em ouvir de um cara que sabia que ia morrer, doente em fase avançada: "eu vi a cara da morte e ela estava viva".

Ele sabia mesmo o que tava fazendo.

Assista à aversão de "Eu queria ter uma bomba" feita para o projeto e me diz aí, o Cazuza manjava ou não da arte de fazer música?

terça-feira, maio 26, 2009

Lógicas e probabilidades


Há uns meses, lendo uma orelha de livro descobri que Lewis Carroll, o autor de Alice no País das Maravilhas, não era propriamente um romancista. O inglês era, na verdade, um matemático e nem tinha esse nome. Charles Lutwidge Dodgson usou o pseudônimo para publicar livros infantis! Quem diria, amante da lógica e da probabilidade, não previu que ficaria famoso e entraria para a história a reboque de sua 'criação'. O pseudônimo, é claro.

Bem, noutro dia uma amiga da faculdade me ofereceu uma versão de Alice no País das Maravilas, com tradução de Monteiro Lobato. Mesmo conhecendo a história, resolvi ler. Tinha interesse na versão do nosso nobre escritor para as palavras de Carroll.

De cara, constatei que Lobato escolheu muito bem essas palavras. Seguindo na leitura, me impressionei com o livro. Uma história curta e infantil, mas ao mesmo tempo intrigante e adulta.

Várias passagens com cara de 'normais' ou 'simples', mas que poem o leitor a pensar...

Alice, lá pelas tantas, reencontra o gato e pergunta:

"Seu gato, pode me dizer que caminho devo seguir?"

Então o gato responde:

"Isso depende de pra onde você quer ir"

E ela:

"Ah, não quero ir a nenhum lugar específico"

Ao que o gato diz:

"Então, qualquer caminho lhe serve"


Matemática pura! Lógica!

Pois é. A leitura foi muito boa e recomendo. Principalmente porque é bem rápida.

Há outras tantas passagem que nos fazem pensar, sempre mostrando que mesmo por trás da maior inocência pode haver algo mais. Para olhos que queiram enxergar...

segunda-feira, maio 25, 2009

À procura do timbre perfeito...


Pedais viram verdadeira mania entre guitarristas. Você sempre adquire um muito legal e depois de um tempo descobre que quer outro.

Atire a primeira palheta o guitarrista que estiver contente com seus timbres e não quer um pedal a mais no seu set up.

Daí você ouve Van Halen e seu som "achocolatado", depois escuta um Brian May, com aquilo que ele chama de guitarra, tirando um som cristalino e oprimido. Pronto! Já precisa de duas distorções diferentes. Se cair pro terreno de Adrian Belew e seus barulhinhos estranhos ou o Mattias Ia do Freak Kitchen, então...


Pois é... Espero um dia poder ter uma cadeia como a do camarada da foto aí. Bacana, né?

sexta-feira, maio 22, 2009

Homenagem




A música brasileira perdeu nessa madrugada Zé Rodrix. eu já gostava muito de "Sobradinho" e de "Roque Santeiro", da dupla Sá & Guarabyra, quando descobri que o Zé tinha feito parte da primeira formação, como trio: Sá, Rodrix & Guarabyra. Dele, eu só conhecia a "Casa no campo", pela voz da Elis Regina, mas fui procurar alguma coisa do trio.

Consegui um vinil com sucessos do trio, que ouvi por bastante tempo. Graças ao trabalho de garimpo do Chales Gavin, hoje tenho o álbum em CD.

"O blues da riviera", "Os anos 60", "Primeira canção da estrada", músicas que pertecem à trilha sonora da minha adolescência 'quase hippie'. Qual o adolescente que resiste a isso:

Primeira Canção da Estrada
(Sá, Rodrix & Guarabyra)

Apesar das minhas roupas rasgadas
Eu acredito que vá conseguir
Uma carona que me leve pelo menos à cidade mais próxima
Onde ninguém vai me olhar de frente

Quando eu tocar na velha guitarra as canções que eu conheço
Eu tinha apenas dezessete anos
No dia em que saí de casa
E não fazem mais de quatro semanas que eu estou na estrada

Mas encontrei tantas pessoas tristes desaprendendo como conversar
Que parece que eu estou carregando os pecados do mundo
Que parece que eu estou carregando os pecados do mundo
Que parece que eu estou carregando os pecados do mundo

Diz aí? Era como se o Zé falasse diretamente comigo...

Aí conheci a "Mestre Jonas". Minha predileta até hoje!

Além de poética, o teclado inspirado em "Sylvia", do Focus, me encantou desde a primeira audição. E faz muuuuuuuuito tempo. Até já disse que se tivesse um filho homem botaria o nome Jonas, muito devido a essa música.

Depois que conheci o som do trio, conclui que a dupla Sá & Guarabyra era bem legal, mas que o toque de genialidade vinha mesmo do Zé Rodrix. As músicas eram bem mais 'completas'.

Bom, o Zé foi encontrar com o Jonas. Vá com Deus.





Casa no campo
(Zé Rodrix)

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais